Filmes sobre caso Von Richthofen ousam na proposta e pecam no formato

Filmes caso Von Richthofen

Perto do vigésimo aniversário, o caso Von Richthofen ainda dá muito o que falar no Brasil. Não é a toa que virou filme. Aliás, dois filmes que, a princípio, contam a mesma história: ‘A Menina Que Matou os Pais’ e ‘O Menino Que Matou Meus Pais’. Sendo que o primeiro filme é baseado nos depoimentos de Daniel Cravinhos, ex-namorado de Suzane Von Richthofen e um dos autores do crime; e o segundo é o ponto de vista dela, condenada por ser a mandante do assassinato dos próprios pais. Ambos estreiam nessa sexta (24) na Amazon Prime Video.

Apesar de não ser novidade no cinema, filmes diferentes sobre um mesmo assunto ainda é uma maneira ousada para contar uma mesma história sob o mesmo ponto de vista. Por isso, chega a ser louvável a iniciativa de Mauricio Eça em fazer dois filmes, baseado nos depoimentos dos principais autores do crime do caso Von Richthofen. No entanto, a ousadia fica apenas na proposta. O formato, infelizmente, segue uma fórmula tradicional, conversadora e sem grandes surpresas.

Filmes caso Von Richthofen

Imprevisto

Previsto para estrear simultaneamente nos cinemas em 2019, os filmes sobre o caso Von Richthofen tiveram que ser adiados por causa da pandemia da Covid-19. No entanto, ao invés de prejudicar as obras, ele acabou ajudando. Afinal de contas, o elenco até então era desconhecido do grande público e a sua protagonista ajudou na divulgação ao participar do BBB21, realizado no começo deste ano. Além disso, assistir aos dois filmes em um curto espaço de tempo se torna maçante porque as histórias são praticamente as mesmas e o formato estilo reconstituição do crime acaba cansando o espectador.

Os menores culpados são os protagonistas Carla Diaz (que interpreta Suzane Von Richthofen) e Leonardo Bittencourt (que vive Daniel Cravinhos). Ambos são reféns do roteiro irregular e sem sal, ficando, em suma, engessados e sem terem condições de mostrar as diversas camadas complexas do casal. Diaz até se esforça bastante, mas infelizmente o texto a prejudica muito. Sem contar a maquiagem extremamente forçada na hora de prestar seu depoimento, deixando-a com um ar mais de Noiva-Cadáver do que Suzane Von Richthofen.

A Menina que Matou os Pais

No primeiro filme, em suma, acompanhamos o depoimento do jovem Daniel Cravinhos. Instrutor de aeromodelismo que começa a dar aulas para Andreas von Richthofen. Logo se apaixona pela sua irmã Suzane e, com o passar do tempo, começam a namorar. O caso é bem aceito pela família Cravinhos, mas, no entanto, é desaprovado pelos Von Richthofen que não enxergam futuro no casal e são severos em relação a escolaridade e nível de vida de Daniel. Apesar da turbulência, eles engatam o romance, ela aos poucos vai se soltando e começa a contar sobre os abusos cometidos pelo pai (fato que não é comprovado), a difícil relação familiar e a vontade de matá-los para seguir com a própria vida e, obviamente, ficar com o seu até então grande amor. Tudo isso mostrado da maneira mais clichê possível, lembrando qualquer obra envolvendo uma garota rica e um garoto pobre.

O Menino que Matou Meus Pais

Aqui a história, de certo modo, se repete. No entanto, pelo testemunho de Suzane, a ideia de matar o casal Von Richthofen é de Daniel. Inconformado por ser tratado como um ninguém pela família dela, tendo que namorar escondido, levando-a “para o mau caminho das drogas e sexo” e todos os clichês intermináveis do gênero. Suzane, em seu depoimento, destrói a versão do abuso sofrida pelo pai e levanta a suspeita de viver uma relação abusiva com o próprio Daniel, mas, assim como no suposto incesto, não existem provas que corroborem com essa acusação.

Filmes caso Von Richthofen

O verdadeiro culpado

Por fim, a grande questão até hoje deixa o povo brasileiro com a pulga atrás da orelha não é respondida. O que compromete ainda mais os filmes. Não que seja um problema termos filmes com finais abertos, mas seria interessante apontar um caminho usando as mesmas ferramentas que foram selecionadas na construção do roteiro. Ou seja, depoimentos, laudos da perícia e a conclusão policial do inquérito. No formato escolhido, fica uma espécie de ‘Você Decide’, onde o público opta pela opção que achar mais conveniente e escolher o seu próprio culpado. Uma pena.

Ficha técnica – Filmes sobre o caso Von Richthofen

Títulos originais: A Menina que Matou os Pais – O Menino que Matou Meus Pais
Direção: Mauricio Eça
Roteiro: Ilana Casoy, Raphael Montes
Elenco: Carla Diaz, Leonardo Bittencourt, Allan Souza Lima, Kauan Ceglio, Leonardo Medeiros, Vera Zimmermann, Augusto Madeira, Debora Duboc, Marcelo Várzea, Fernanda Viacava, Gabi Lopes, Taiguara Nazareth
Onde assistir: Amazon Prime Video
País: Brasil
Gênero: policial, drama
Duração: 87 minutos cada
Ano de produção: 2019
Classificação: 12 anos

Fabio Martins

Santista de nascimento, flamenguista de coração e paulistano por opção. Fã de cinema, música, HQ, games e cultura pop.

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