‘Elvis’ captura a essência do Rei do Rock

Certos diretores possuem características e estilos muito marcantes em seus filmes e Baz Luhrmann é um deles. Famoso por inserir muitas cores, brilhos, pelo uso diferenciado da edição, por números musicais grandiosos e por inserir músicas contemporâneas em obras de época, seu estilo ousado e espetacular não poderia ter combinado mais com Elvis Presley. A mais nova cinebiografia que chega aos cinemas nesta quinta (14), ‘Elvis’, consegue capturar a essência do cantor de uma forma que nenhum outro diretor iria conseguir.

De modo singular, o filme apresenta uma característica única dentre as muitas cinebiografias lançadas recentemente. A história possui um narrador que não é o personagem principal do filme. No caso, o Coronel Tom Parker (Tom Hanks). O agente musical de Elvis desde o começo de sua carreira em 1955 até sua morte em 1977.

Elvis e Coronel Tom Parker
Crédito: Hugh Stewart/Warner Bros. Pictures

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O Coronel começa o longa em seu leito de morte, pronto para contar a história de como ele é o responsável pela transformação de Elvis Presley em um dos maiores ícones da música de todos os tempos e, ao mesmo tempo, argumentando como ele não é, de jeito nenhum, o culpado por sua morte precoce. Então, além de um filme sobre a vida e a carreira de Elvis, ele também é mais focado no relacionamento entre o cantor e seu agente.

O ator Tom Hanks, que faz o papel do narrador e está sempre presente na história, está absolutamente odiável por baixo de muita maquiagem. O Coronel pode tentar, mas não consegue convencer por nenhum momento que suas atitudes manipuladores e horríveis não são responsáveis pela decadência que Elvis passa durante sua carreira. Principalmente ao final dela. E a performance de Hanks é essencial para que a figura detestável do Coronel continue sendo detestável, além dele ser a figura complementar para a melhor performance do filme, Austin Butler como Elvis.

Cheiro de oscar

Elvis
Crédito: Warner Bros. Pictures

As grandes premiações do cinema, principalmente o Oscar, ainda estão longe, mas se alguém merece todos os prêmios por uma interpretação, ele atende pelo nome de Austin Butler. A primeira cena em que Elvis faz uma performance durante o filme é hipnotizante e em cada uma das vezes em que ele canta e dança, que são muitas, é impossível não ficar impressionado com sua atuação. Muito mais do que uma cópia, parece que Elvis encarnou no ator e ele se tornou cantor durante o filme. Em uma cena em particular, existe uma dúvida se é uma filmagem real ou se ainda estamos vendo o ator caracterizado.

Primeiro ato

O maior problema do roteiro do filme é que a vida de Elvis foi complexa e querer abordar toda sua história em um filme de pouco mais de duas horas e meia de duração não funciona. Talvez uma minissérie ou um filme de duas partes tivesse conseguido abordar melhor alguns aspectos que foram deixados de lado. O primeiro ato falou muito bem sobre o lado musical do cantor, sobre como ele encontrou a música na vida dele e bem como se tornou o que era. Também conseguiu mostrar como surgiu o fanatismo sobre a figura de Elvis e como, principalmente as meninas, se comportavam em volta dele. Mostrou sua fase rebelde e como as figuras de autoridade da época não gostavam de como ele dançava.

Elvis e Priscilla Presley
Crédito: Warner Bros. Pictures

Segundo ato

A partir do momento em que Elvis se vê obrigado a se alistar no Exército e vai para a Alemanha, temos uma grande mudança de ritmo no filme e os assuntos passam a ser tratados de forma um pouco superficiais, principalmente quando somos apresentados a Priscilla (Olivia DeJonge), sua futura esposa, e não temos muitos detalhes ou aprofundamento do relacionamento dos dois. Nem tampouco seu relacionamento com a filha Lisa Marie. Seu uso e dependência de comprimidos também não é abordado de forma muito significativa. Dessa parte as grandiosas performances continuam sendo o que continua alimentando o filme. A gravação do especial de Natal, que é maravilhosa e a primeira performance do show no Hotel Internacional em Las Vegas são de tirar o fôlego.

Contexto político e social

Durante todo o filme, o contexto político e as mudanças sociais que foram muitas, principalmente no sul dos Estados Unidos durante as décadas de 1950 a 1970, estão sempre muito presentes. A música e o estilo de Elvis sempre tiveram muita influência da música e da cultura negra dos Estados Unidos, algo que o longa faz muita questão de lembrar.

Grande equipe

Além de Butler, a equipe que Luhrmann montou para esse filme também merece muitos prêmios. A direção de arte não errou em nenhum momento. A maquiagem de todos os personagens estava muito bem-feita, principalmente dos dois personagens principais. Cada um dos figurinos utilizados por Elvis, nas performances e em cenas comuns, parecia tiradas de arquivo pessoal do cantor. A atenção a cada detalhe que foi feita durante o filme é impressionante.

Muito mais do que mostrar o fenômeno que era Elvis Presley, o objetivo desse filme era, em suma, mostrar como uma pessoa o controlou a vida inteira, limitando passos de sua carreira e literalmente cortando suas asas. Uma nova visão sobre a vida do Rei do Rock será apresentada as pessoas através desse filme, assim como uma nova geração. Talvez uma figura tão icônica como Elvis Presley não precisassede uma apresentação para uma geração de pessoas mais novas, mas é muito evidente que qualquer pessoa que assistir esse filme saíra dele intrigada com sua figura e disposta a conhecê-lo ainda mais.

Trailer – Elvis

Ficha técnica

Título original: Elvis
Direção: Baz Luhrmann
Roteiro: Baz Luhrmann, Sam Bromell, Craig Pearce, Jeremy Doner
Elenco: Austin Butler, Tom Hanks, Helen Thomson, Olivia DeJonge, Richard Roxburgh, Kelvin Harrison Jr.
Data de estreia: qui, 14/07/22
Onde assistir: somente nos cinemas
País: Estados Unidos, Austrália
Gênero: biografia, drama
Duração: 160 minutos
Classificação: 14 anos

Ana Teresa

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