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CD x Vinil | Qual a melhor maneira de se ouvir música?

Com o aumento crescente da indústria de vinil, muitas pessoas voltam a questionar qual seria a mídia apropriada para apreciar música. O CD já pode ser considerado obsoleto? O mp3 é carta fora do baralho? Que diabos é FLAC? Youtube é o bicho? SoundCloud? Spotify?

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Desde os tempos mais primórdios

Primeiro o homem descobriu como manusear e produzir o fogo. Algum tempo depois, não temos aqui a necessidade de sermos precisos, inventava maneiras de gravar os sons que produzia, o que criou um grande problema: como ouvir esse som?

Vamos eliminar o momento em que seres de outra galáxia deram o primeiro conjunto estéreo aos faraós e nos concentrar em questões menos abrangentes como as formas que dispomos para consumirmos música.

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Numa era passada, quando os mamutes caminhavam sobre a terra, não havia internet. Para ouvirmos música tinhamos que recorrer aos artistas pessoalmente ou às gravações de seus trabalhos em dois formatos: LP e cassete. A mobilidade continuavam sendo um problema, então criaram um troço chamado walkman que nos permitia andar por aí ouvindo nossa fita predileta enrolando nas engrenagens do aparelho.

Um belo dia, um moço chamado CD veio do estrangeiro e, crescendo junto com as novas versões do windows, foi mudando nossas vidas. Até ganhou uma versão móvel, chamada de discman, que conseguia consumir várias pilhas por dia e pular as faixas conforme a gente caminhava.

Depois, quando descobriram que um computador podia falar com o outro, um tal de mp3 tomou conta do pedaço. Logo foi colocado em um palito chamado mp3 player e andar por aí tocando música pirateada por essa gente valente e abençoada virou moda. Do palito para o telefone, muita coisa aconteceu, mas nada muito relevante pro nosso assunto. Por isso vamos nos concentrar em uma pergunta: se a gente já consegue carregar quilos de música no celular, porque as vendas de eletrolas e discos de vinil continuam a crescer?

Nostalgia, aqui me tens de regresso

Quem nunca ouviu o papo de que a música soa melhor num vinil de 180 gramas? Ou que o grave só encontra seu caminho ao nosso coração vindo da agulha de uma pick up dos anos 70? Eu cá tenho minha reserva com essas “convicções” em massa. A indústria, como se sabe, está sempre à espreita, tentando colocar a música de volta na prateleira do mercado de onde saiu por conta da era digital.

Nos anos 90, essa mesma indústria convenceu a todos de que a única maneira de experimentar o que o artista realmente havia produzido no estúdio era através do CD. Com isso, muita gente se desfez de coleções inteiras para trocá-las pelo prático disquinho. No entanto, a internet e a digitalização dos arquivos acabou por tornar a mídia física obsoleta. Tanto o mp3 quanto o FLAC encontraram liberdade para reinar absolutos num mundo onde, para o bem e para o mal, a música não tem mais donos.

Tecnicamente falando, receio que as palavras de engenheiros devem ser consideradas, principalmente porque questões como sinais de áudio digitais e analógicos podem ser medidos e comparados, assim como sua reprodução por meios físicos. Para alguns, a mecânica envolvida na reprodução de um LP de vinil passa desde o desgaste dos sulcos pela agulha até a posição da faixa no disco, se mais próxima ou distante do centro. Estes e outros fatores, como qualidade de amplificadores e alto falantes, seriam responsáveis pela qualidade final da audição.

Fisicamente falando, o CD leva vantagem por sua praticidade de operação. E a famosa ripagem, que pode ser obtida facilmente e ilegalmente, pode ser executada de qualquer aparelho digital, também dependo, por fim, de alto falantes e fones de ouvido.

Outra questão que não pode ser deixada de lado é quanto à fonte da masterização utilizada. No começo dos anos 90, a indústria utlizava master tapes originalmente feitas para vinil para criar CDs, o que resultava em um som apagado, pequeno. Buscando incentivar a troca de mídias e impulsionar vendas, criaram uma novidade chamada remasterização, ou seja, as master tapes eram adaptadas às possibilidades da nova mídia. Com a volta do vinil em anos recentes, muita trambicagem vem acontecendo, com gente passando essa remasterização do CD diretamente para o vinil, repetindo o erro anterior, o que invalida a própria existência do LP.

Os defensores do vinil, na grande maioria, se valem de argumentos subjetivos, de que a música soaria melhor. Os “oponentes” apelam para o fato de que o sinal digital possui maior alcance dinâmico e tal.

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CD x vinil: mas qual é o melhor?

A resposta, eliminando fatores técnicos chatos, é: o que lhe soar melhor. Música é uma questão pessoal, assim como a experiência de ouvi-la. Para algumas pessoas ter o tempo de retirar um LP da estante, colocá-lo para tocar enquanto aprecia a arte da capa é algo extremamente prazeroso. Para outros, poder acessar toda sua biblioteca musical em segundos e ainda desfrutar do cristalino som digital sem chiados é uma bênção. Isso sem levar em consideração os que não são capazes de distinguir as diferenças entre um mp3 de 156 KBps e um de 320 KBps.

E, mais importante ainda, ter um aparelho de som decente é primordial para ouvir um som de qualidade. A melhor pick up do mundo ligada no radinho vai soar mal, assim como o melhor CD etc.

Ainda que a volta do vinil seja estimulada por uma indústria ávida por retomar o controle da produção musical, a vontade de apreciar música dessa maneira é tão válida quanto outra qualquer – principalmente porque é relacionada a um amor pela música. Deprimente é saber que a indústria se preocupa mais com a capacidade de concentração da meninada, criando singles capazes de manter o ouvinte interessado, com pontos altos a cada sete segundo.

Alguns vídeos sobre o tema.

 

 

 

Aldo Gama
Aldo Gama é jornalista
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