WandaVision | O adeus de Wanda e o nascimento da Feiticeira Escarlate

Antes de mais nada, WandaVision não é apenas uma série (ou sitcom, se você preferir). Trata-se, na verdade, de um novo conceito que a Marvel Studios criou para contemplar e ampliar o seu universo cinematográfico. Embora seja uma atração para a Disney+, a produção trouxe para si o conceito de cinema para ser apreciado dentro dos nossos lares, principalmente nessa época de pandemia.

Mais do que isso. Ela usou a TV para apresentar a Fase 4 do seu universo, bem como aproveitou o show para reparar o desleixo cometido com Wanda Maximoff em seus filmes. Uma das personagens mais poderosas da empresa, ela era tratada desde A Era de Ultron como uma coadjuvante de luxo, com enormes poderes, porém bem aquém do que ela já provou ser capaz nas HQs. Em outras palavras, o que vemos em WandaVision é o adeus de Wanda e o “nascimento” da Feiticeira Escarlate.

Um brinde à TV

Wandavision é, a princípio, uma grande homenagem a televisão e como ela ajudou a moldar a nossa sociedade. Tributo que, aliás, é mais do que merecido. Afinal de contras, imagine como seria a sua vida nesses 365 dias de quarentena sem TV ou streaming para te “tirar de casa”?

A série que é levemente inspirada na HQ Dinastia M, se passa logo após os eventos de ‘Vingadores: Ultimato. Wanda está de luto pela perda de Visão e transforma uma pequena cidade em uma sitcom dos anos 1960, estilo ‘I Love Lucy’, ‘Feiticeira’, bem como ‘The Dick Van Dyke Show’ e outras séries do gênero. Ela consegue recriar o sintozóide e passa a ter uma vida de casal inspirada nesses shows.

Ao mesmo tempo que forças policiais tentam entrar nesse “universo” de WandaVision, ela começa a ter problemas com seus poderes. Enquanto isso, Visão passa a desconfiar que existe algo estranho no ar. A cada episódio, série homenageia uma evolução na história da TV. As comédias dos anos 1950 e 1960; a chegada da TV a cores nos anos 1970; as comédias familiares dos anos 1980, bem como dos anos 1990; a quebra da quarta parede nos anos 2000; os mockumentaries (falsos documentários) dos anos 2010 e, por fim, a chegada do streaming e a fusão com o cinema que a própria Marvel e Disney estão fazendo atualmente.

WandaVision

Mas a série não se resume apenas a uma bela homenagem a televisão. Depois de um longo período sem novidades dos personagens da Marvel nos cinemas, ela serviu também para reposicionar as peças desse incrível tabuleiro criado pelo estúdio e aponta para quais caminhos esse universo irá percorrer. Acredite. As possibilidades são gigantescas.

WandaVision trouxe personagens antigos que certamente irão fazer parte dessa fase seja em filmes ou outras séries. Casos do agente Jimmy Woo (Randal Park) e da cientista Darcy Lewis (Kat Dennings). Ambos provavelmente estão, respectivamente, no novo filme do Homem-Formiga e Thor.

Além disso, ela introduziu novos personagens do Universo Marvel que levarão suas histórias para dois novos lugares. A saber, um deles é o espaço com Monica Rambeau (Teyonah Parris) e o outro é o da magia, com Agatha Harkness, a Agnes (Katryn Hahn). Além, claro, do tão esperado multiverso, visto que Wanda ampliou seus poderes e tem tudo para ser maior que o mago supremo Doutor Estranho.

O luto e o adeus

A jornada de Wanda foi difícil de acompanhar. O luto é uma constante na vida da personagem, desde quando era criança. Começou perdendo os pais em Sokovia e depois veio a morte do irmão gêmeo Pietro. Na sequência, a perda de Visão, seu grande amor com quem ela gostaria de construir um lar e, consequentemente, uma família.

Em Westview, lugar onde envelheceria ao lado do seu grande amor, sua dor amplia seus poderes de uma forma como nunca se viu. Criando, assim, um campo de força sobre a cidade, além da criação de um novo Visão, além da manipulação da realidade do local. Em outras palavras, transforma a cidade simples em uma espécie de ‘O Show de Truman’, onde ela é a protagonista e seus vizinhos, os coadjuvantes.

Exceto por uma. A bruxa Agatha, que se apresenta como a vizinha enxerida Agnes que sempre aparece em algum momento delicado para “salvar” Wanda. Mas que todos acabam descobrindo que, na verdade, o seu objetivo é descobrir a origem dos seus poderes e roubá-los para si.

A anti-heroína

Um dos pontos altos de WandaVision é tratar Wanda com complexidade. Ao invés de saídas fáceis, como transformá-la em uma vilã enlouquecida, a série vai além. Em outras palavras, usa sua depressão para mostrar mais camadas de sua personalidade, fazendo com que, de fato, ela se torne uma espécie de “anti-heroína.”

Outro destaque do embate final foi a luta entre Visão e Visão Branco. Por serem o mesmo sintezóide, terem a mesma força, mesmos poderes e mesma inteligência. A luta seria interminável e provavelmente terminaria com a morte de ambos. Mas, ao usar o Paradoxo do Navio de Teseu, a conclusão foi brilhante. Afinal de contas, se eles foram criados da mesma maneira, óbvio que eles são a mesma coisa.

A Feiticeira Escarlate

Ao finalmente despertar e se livrar da depressão, Wanda, agora já no papel da Feiticeira Escarlate toma a sábia decisão de liberar a cidade, bem como dos habitantes de lá do seu feitiço. Mesmo que isso signifique perder novamente Visão, bem como seus filhos. Escolha dolorida, pesada, porém sensata. Em sua nova jornada, ela não é mais uma heroína, tão pouco uma vilã. Ao assumir o seu lado “bruxa” e de posse do Darkhold (o Livros dos Amaldiçoados), sozinha aparentemente em uma cabana isolada do mundo, ela abre definitivamente o multiverso da Marvel. E seu destino será conhecido somente quando estrear Doutor Estranho no Multiverso da Loucura, filme que, a princípio, irá expandir esse universo para algo ainda mais grandioso.

FICHA TÉCNICA

Título original: Wandavision
Temporada: 1
Data de estreia:15 de janeiro de 2021
Criação: Jac Schaeffer
Direção: Matt Shakman
Elenco: Elizabeth Olsen, Paul Bettany, Debra Jo Rupp, Fred Melamed, Kathryn Hahn, Teyonah Parris, Randall Park, Kat Dennings, Evan Peters
Onde assistir: Disney+
País: Estados Unidos
Idioma: Inglês
Gênero: aventura, romance, drama, comédia, ficção-científica
Ano de produção: 2021
Classificação: 14 anos

Fabio Martins

Santista de nascimento, flamenguista de coração e paulistano por opção. Fã de cinema, música, HQ, games e cultura pop.

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