Gabriel Pilan | Brasileiro se destaca na indústria gamer

Antes de mais nada, games em geral têm um mercado fortíssimo no Brasil. Nosso país é, a princípio, um dos principais consumidores dessa indústria. Portanto, nada mais natural que um brasileiro passasse de um estágio e mudasse de fase. Tornando-se, afinal, um desenvolvedor nesse segmento. Uma das novas promessas do meio é Gabriel Pilan, de apenas 21 anos, criador do ótimo Darkness Falls.

Ainda não podemos afirmar que Gabriel Pilan seja um grande desenvolvedor de jogos. Mas é certo dizer que ele já tem um talento para a profissão e que a sua criação não é um mero golpe de sorte. O jovem programador soube usar os elementos que o fizeram se apaixonar por games, bem como o que aprendeu em curso de tecnologia 3D e criou uma ótima aventura de terror, em primeira pessoa, que com certeza vai agradar os fãs do gênero, principalmente os da saga que é a sua maior paixão em vídeo game: Resident Evil.

O sucesso de Darkness Fall foi tamanho que em pouco tempo o jogo criado por Gabriel Pilan figura entre os 25 melhores games no ranking global de popularidade do itch.io, principal site dedicado a desenvolvedores independentes. A plataforma foi lançada em março de 2013 por Leaf Corcoran e o serviço possui quase 250 mil games e itens.

Gabriel Pilan conversou recentemente com a Dimensão Geek sobre sua carreira, próximos objetivos, o mercado independentes de games e como a pandemia afetou o segmento. O papo pode ser conferido a seguir.

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Pingue-Pongue Gabriel Pilan

Dimensão Geek – O jogo que te inspirou a trabalhar no segmento foi Resident Evil, mas qual foi o jogo que te encantou e fez você começar a jogar?

Gabriel Pilan – O Darkness Fall foi inspirado no Resident Evil 7. Mas o jogo que me inspirou a jogar e me fez ter vontade de trabalhar com game foi o Resident Evil 4. Eu joguei jogos antes dele, mas o 4 foi o que mais me encantou. Outros que me fizeram a gostar de game foram God of War, Kagero: Deception (do Playstation 1, que era uma espécie de puzzle e survivor), mas foi o Resident 4 que mexeu mesmo comigo e eu zerei o jogo, brincando, umas 20 vezes.

DG – Você começou cedo na carreira né? Com 15 anos mesmo?

GP – Isso, com 15 anos. Eu sempre fui melhor em exatas do que em outras áreas. Mas por mais que minha escola fosse boa, eu não tinha suporte para o que eu realmente queria, que era trabalhar com game. Aí eu fui atrás do curso fora da escola e aí eu encontrei um curso de jogos digitais e comecei a estudar. Então eu continuei por vários anos nele e fui me aperfeiçoando até conseguir lançar o jogo e continuar produzindo 3D.  E não tem como parar. Porque as mudanças são constantes e sempre tem atualização. Se você parar por dois anos, por exemplo, perde atualizações e acaba ficando para trás. É muita coisa nova que chega e cada vez mais rápido.

DG – E como foi o processo de criação de Darkness Fall?

GP – O meu objetivo inicial era fazer um portfólio muito bom e interessante para que eu pudesse entrar numa empresa de jogos do exterior. E para isso eu precisaria chamar muita atenção porque o mercado é muito concorrido. Aí eu pensei que se eu conseguisse fazer um jogo bem legal seria mais importante.

Primeiro que eu ia aprender muito e realmente entender todo o processo do que eu quero trabalhar, do início ao fim. Aí eu comecei bem devagarzinho, comecei criando um personagem, via o que funcionava e não. Melhorava algumas coisas e descartava outras. Depois passei para os itens, levels e fui evoluindo para o que eu realmente queria.

Não foi roteirizado. Eu criava alguma coisa, via se funcionava ou não e dava continuidade. Principalmente levando em consideração o que ficava visualmente legal e principalmente a diversão. Na minha opinião a diversão é o mais importante. Quanto mais divertido ele está ficando, mais você aprofunda. O que não ficou muito divertido, esquece,  deixa de lado. Às vezes um conceito muito simples , porém mais divertido transforma o jogo e o deixa muito mais interessante.

DG – Esse conceito é o mesmo de jogos como o Fall Guys, né?

GP – Exato. Eu comprei o Fall Guys porque todo mundo estava falando. E é exatamente isso. Não é uma coisa extremamente complexa de fazer, em termos gráficos. Porém ele tem um conceito lúdico não realista, mas muito bem feito. Por isso que eu digo. Quanto mais divertido o jogo, melhor ele é.

 DG – Você se inspirou em HQs de terror para criar o Darkness Falls?

GP – Não diretamente. Mas como eu gosto desse tipo de mídia e desse gênero, já li e assisti bastante, então a gente acaba pegando coisas interessantes de cada um deles. E com isso vou mesclando com o que eu acho legal e vou desenvolvendo do meu jeito. Dos autores de terror que eu gosto muito é o Junji Ito. Por mais que não tenha colocado nada das obras dele no game eu adoro o trabalho dele.

DG – Você pretende se especializar no segmento de terror?

GP – Sinceramente como ainda sou muito novo eu ainda pretendo trabalhar em outros segmentos. Mas não tenho nada contra me especializar em terror. Eu não fecho porta para nada e sempre que eu ver alguma coisa que eu ache legal e que valha a pena, eu posso me arriscar. Claro que meu sonho, a minha meta, seria conseguir trabalhar em algum Resident Evil.

DG – E ainda dá tempo para você jogar, no meio dessa correria toda?

GP – Dá sim. Tem horas que a gente precisa dar uma pausa pra não ficar louco (risos). Quando eu era mãos novo obviamente eu jogava muito mais. No colegial eu ficava o dia inteiro jogando Call of Duty. Hoje não dá pra fazer mais assim, mas se organizar direitinho dá pra jogar uma horinha por dia ou algumas no final de semana.

DG – Como você enxerga o mercado no meio da pandemia?

GP – O mercado de games é um dos que menos foram afetados pela pandemia. Como muita gente ficou em casa, acabou tendo mais tempo para jogar. Então naturalmente ele não foi afetado e ele até deu uma melhorada. O mercado no Brasil é um pouco mais complicado de lidar e muito diferente do mercado exterior. Mas no geral ele foi um dos menos afetados porque nós de TI temos facilidade de trabalhar à distância. A gente não sofre muito com isso. Consequentemente ele aqueceu o mercado, muita gente acabou produzindo mais remotamente e isso vai acabar refletindo no futuro, com muitas novidades no setor. É um mercado que cresce cada vez mais. Todo ano tem mais pessoas jogando, mais desenvolvedores criando e mais novidades surgindo.

DG – Como você enxerga o mercado independente?

GP – A grande vantagem do independente é o foco. Enquanto grandes empresas fazem jogos parecidos e concorrentes, os indies fogem dessa disputa porque sabem que é impossível concorrer. Por isso acabam surgindo grandes jogos com ideias totalmente diferentes, abusando da criatividade e simplicidade. Com isso elas acabam conquistando espaço e, muitas vezes, sendo adquiridos por grandes empresas que disponibilizam uma equipe para melhorar a qualidade do jogo independente.

DG – Você já tá pensando em alguma coisa para próximo jogo ou elaborando já alguma ideia?

GP – Atualmente eu estou trabalhando em outro projeto, mais visual em 3D mesmo. Criando outro ambiente, pois eu desejo me especializar em environment arts, que consiste em desenvolver toda a arte do level do game. E é nisso que eu quero me especializar. Mas nada me impede em desenvolver outro jogo, caso eu tenha vontade.  Mas meu objetivo neste momento é, por fim, aumentar o meu portfolio.

Fabio Martins

Santista de nascimento, flamenguista de coração e paulistano por opção. Fã de cinema, música, HQ, games e cultura pop.

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2 thoughts on “Gabriel Pilan | Brasileiro se destaca na indústria gamer

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