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Sem Dentes: Banguela Records e a Turma de 94

Uma das grandes atrações dessa edição do In-Edit Brasil é o documentário Sem Dentes: Banguela Records e a Turma de 94, de Ricardo Alexandre. Ideal para quem viveu e curtiu essa época, o filme agrada também os que não conheceram a cena ou não faziam parte daquela geração principalmente por causa dos depoimentos hilários de Carlos Eduardo Miranda, o “mentor” do selo e do “movimento” e dos músicos que participaram desse cenário.

Sem Dentes: Banguela Records e a Turma de 94 situa o espectador em relação ao declínio do rock brasileiro no fim dos anos 80 e mostra o cenário do início dos anos 90, com o governo Collor acabando com a cultura do país e a dominação do Axé e do Sertanejo no mercado musical brasileiro. Sem culpar outros estilos musicais, o filme se concentra em mostrar como o gênero foi perdendo identidade no mercado brasileiro e como a falta de renovação contribuiu para a sua queda no gosto popular.

Aí que entra a figura de Miranda. Na época ainda trabalhando como jornalista da revista Bizz ele percebeu a movimentação das bandas brasileiras independentes, tentou mapear (ou seria inventar?) a “cena” e decidiu ajudar a colocar essa gente toda no mercado fonográfico.

Três fatores contribuíram para que isso fosse adiante. A ascensão do Nirvana, a chegada da MTV Brasil e os Titãs. A banda, que tentava encontrar uma nova sonoridade para companhar o rock dos anos 90, tinha muita moral na Warner – sua gravadora – e junto com o Miranda convenceram os executivos a bancarem essa ideia do selo. Ideia que quase não saiu do papel por causa da burocracia da empresa.

Aí entrou o lado picareta de Miranda em ação. Sabendo que se o selo não fosse lançado no show de abertura da nova turnê dos Titãs com abertura dos Raimundos eles perderiam muitas bandas para outros selos, ele, juntamente com o jornalista André Forastieri, da Folha de S. Paulo, inventou uma capa na Ilustrada contando toda a história do novo selo da Warner e a chegada dos Raimundos. A gravadora não teve outra saída a não ser lançar o Banguela Records.

O grande trunfo de Sem Dentes: Banguela Records e a Turma de 94 são, além de Miranda, os depoimentos dos músicos que fizeram parte daquele cenário. Estão lá representantes de bandas que lançaram seus primeiros discos pelo Banguela ou por outros selos independentes, como Pato Fu, Little Quail and Mad Birds, Maskavo Roots, Pato Fu, Planet Hemp, Skank, Mundo Livre S.A. e, principalmente, os Raimundos, o principal nome dessa geração, responsável pela ascensão do selo e do movimento e também, indiretamente, pela sua queda.

Sem Dentes: Banguela Records e a Turma de 94 terá mais uma exibição dentro da programação do In-Edit (no Centro Cultural São Paulo, dia 10 de julho) e exibições especiais no Sesc São José dos Campos (11/07), Sesc Jundiaí (18/07), Sesc Presidente Prudente (21/07), Sala Mínima, Porto Alegre-RS (27/07) e no CCCP, Belo Horizonte-MG (05/08).

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Fabio Martins
Santista de nascimento, flamenguista de coração, paulistano por opção. Ama vídeo game, cinema, séries, música, nerdices e cultura pop em geral.
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