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Marvel | Stan Lee, herói ou vilão?

Um artigo publicado no site Vulture, de autoria de Abraham Riesman, recoloca sob os holofotes a figura de Stan Lee, considerado o principal criador de personagens dos quadrinhos da Marvel, além do principal executivo da empresa, mesmo que desligado de cargos oficiais desde 1998. Vingadores, X-Men, Hulk, Thor, Homem-Aranha, Demolidor, Quarteto Fantástico, Surfista Prateado, Homem de Ferro, para ficarmos apenas em alguns, estão entre as suas criações mais conhecidas.

Steve Ditko

Steve Ditko

Já um senhor de 93 anos e com dificuldades de leitura, inclusive quadrinhos, Lee é agora uma figura controversa para fãs do gênero que já não tem paciência para os incontáveis projetos fracassados desde que deixou a Marvel.

Um super herói baseado em Ringo, baterista do Beatles, nunca decolou. Stripperella (2003), heroína sexy baseada na figura de Pamela Anderson (Baywatch) não passou da primeira temporada. Isso pra ficarmos em apenas dois projetos que ganharam alguma repercussão.

A importância de Lee como editor é lembrada no texto, principalmente a maneira como elevou a idade do leitor médio de quadrinho dos 13 para os 18 anos. Em contrapartida, seu estilo otimista se tornaria obsoleto a partir dos anos 80, quando o cinismo tomou conta das revistas e os personagens viraram, praticamente, anti-heróis.

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Mas o “filé” do artigo, como sempre, é a eterna disputa sobre a verdadeira autoria dos peronagens mais emblemáticos da Marvel, que a história oficial sempre creditou a Lee em detrimento dos desenhistas Jack Kirby e Steve Ditko.

Em entrevista a Gary Groth para o The Comics Journal, em 1990, Jack Kirby não poupou críticas ao antigo parceiro que era obrigado a aturar por ser “primo do editor”.

Jack Kirby

Jack Kirby

“Jack Kirby: Eu e Stan Lee nunca colaboramos em nada! Eu nunca vi Stan Lee escrever qualquer coisa. Eu costumava escrever as histórias como sempre fiz.

Gary Groth: Em todas as histórias de monstro está escrito “Stan Lee e Jack Kirby”. O que ele fez para garantir seu nome ali?

Kirby: Nada, ok?

Groth: Ele escreveu os diálogos?

Kirby: Não, eu os fiz. Se Stan Lee aparecesse com algum diálogo, ele o teria conseguido de alguém no escritório. Eu escrevia a história completa atrás de cada página. Eu escrevia o diálogo atrás ou uma descrição do que estava acontecendo. Então Stan Lee entregava a página para alguém que escreveria o diálogo. Dessa maneira Stan Lee ganhava mais do que se fosse apenas o editor. Foi assim que ele se tornou um escritor. Além de receber o pagamento de editor, recebia o de escritor. Não estou dizendo que ele não entendia de negócios. Acho apenas que ele tirou vantagem de quem trabalhava para ele.”

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“Groth: Você criou histórias de monstros por dois ou três anos, acho. Então o primeiro quadrinho que rejuvenescia superheróis que você fez foi O Quarteto Fantástico. Você pode explicar como isso aconteceu?

Kirby: Eu tinha que fazer algo diferente. Histórias de monstros tem suas limitações, tem um limite para quantas você pode criar. Então a coisa vira uma revista de monstro após a outra. Tinha que haver uma mudança porque a época não era de boas vendagens. Então tive a ideia de que a solução era aparecer com coisas novas o tempo todo, uma blitz, em outras palavras. E eu apareci com O Quarteto Fantástico, com Thor (eu conhecia as lendas muito bem), o Hulk, os X-Men e Os Vingadores. Eu revivi o que pude e criei o que pude. Eu tentei emplacar uma blitz nos padrões e as coisas novas criaram um momentum.”

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Polêmicas  à parte, as diferenças entre Lee, Kirby e Ditko são lendas que ajudam a criar os pilares que sustentam a Marvel e a tornaram em uma das empresas mais lucrativas no mercado dos quadrinhos e das adaptações cinematográficas. Aliás, mesmo após se desligar da empresa, Stan Lee continuous a ser seu rosto, tendo pequenos papéis nos filmes e participando de eventos promocioinais e lançamentos.

Para saber mais, leia o divertido “Marvel Comics – A História Secreta”, de Sean Howe. A saga da empresa, equilibrada entre um mero negócio, fábrica de sonhos e produção artística é imperdível para apreciadores do gênero e curiosos em geral.

Aldo Gama
Aldo Gama é jornalista
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