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In-Edit Brasil| Veja a programação completa

De 01 a 12 de julho acontece em São Paulo a 7a edição do In-Edit Brasil, o Festival Internacional do Documentário Musical, que será realizado no CineSesc, Cinemateca Brasileira, Cine Olido, Centro Cultural São Paulo (CCSP) e Matilha Cultural. Depois, o festival vai para Salvador (BA), onde terá sessões na Sala Walter da Silveira de 14 a 19 de julho.

Além de grandes documentários, o In-Edit terá debates, sessões ao ar livre, encontros, Cinema da Vela, shows, dj session, além de feira de Zine e feira de Vinil. O longa Paco de Lucía: La Búsqueda, de Curro Sánchez, abre o evento no dia 01 de julho, no CineSesc. Um dos maiores nomes da guitarra flamenca é visto no filme dirigido e produzido por seus filhos. Paco de Lucía rompeu os limites de seu instrumento, levando o flamenco aos palcos mais importantes do mundo. A produção bateu recorde de venda na Espanha e ganhou o Prêmio Goya de Melhor Documentário.

Cinco filmes brasileiros fazem parte da competição nacional que levará o filme selecionado pelo júri do festival para o circuito In-Edit de festivais. Participam da competição os longas: Eu sou Carlos Imperial, filme de Renato Terra e Ricardo Kalil que mostra a figura de Carlos Imperial, criador de programas de televisão, um dos pioneiros do Rock’n’Roll no Brasil, compositor de grandes sucessos e que lançou as carreiras de Roberto Carlos, Elis Regina, Wilson Simonal, Ronnie Von, entre outros (leia nossa crítica do filme clicando aqui); My name is now, Elza Soares, de Elizabete Martins Campos, um retrato visceral, lúcido, forte e sincero de uma das maiores cantoras do país; Samba e Jazz, de Jefferson Mello, que traça um paralelo entre o Samba do Rio de Janeiro e o Jazz de New Orleans através do carnaval; Yorimatã, do diretor Rafael Saar, sobre Luli e Lucina, que formaram uma das duplas mais criativas e talentosas da música popular no Brasil; e Premê, Quase Lindo, filme de Alexandre Sorriso e Danilo Moraes, sobre a banda Premeditando O Breque, ícone da vanguarda paulistana que está há 40 anos na estrada.

Um dos destaques brasileiros dessa edição do In-Edit é a estreia nacional do documentário Sem Dentes: Banguela Records e a Turma de 1994, de Ricardo Alexandre. O Banguela Records, um selo independente criado pelos Titãs ao lado do produtor Carlos Eduardo Miranda, com financiamento e distribuição da gravadora Warner Music, teve história curta e marcante, lançando os Raimundos (o primeiro disco de ouro de um selo indie no Brasil), Mundo Livre S/A, Little Quail & The Mad Birds, Maskavo Roots e Graforreia Xilarmônica, além Kleiderman (projeto paralelo dos titãs Branco Mello e Sergio Britto), entre outros. Ali também cristalizou-se a identidade musical daquela geração, o cruzamento de influências brasileiras processadas com o que de mais moderno se fazia no rock internacional.

Os destaques internacionais são Mr. Dynamite: The Rise of James Brown, do aclamado diretor Alex Gibney – vencedor do Oscar de melhor documentário em 2007 – e produzido por Mick Jagger. O filme mostra o início da carreira de Brown até seu envolvimento com a luta pelos direitos civis nos Estados Unidos, com entrevistas e imagens inéditas; Heaven adores you, documentário sobre Elliott Smith, um dos maiores talentos de sua geração, que sofria de depressão e solidão e que ficou famoso ao ser indicado ao Oscar de melhor canção original com o filme “Gênio Indomável”, detre outros.

Veja abaixo a relação completa e as sinopses dos documentários que serão exibidos no In-Edit Brasil 2015.

FILMES INTERNACIONAIS

Alive Inside
(Michael Rossato-Bennett, Alemanha, 2014, 78′)
Dan Cohen, fundador da ONG Music & Memory, desenvolveu um projeto para demonstrar que a música, no uso da recuperação da memória e de algumas disfunções mentais, funciona melhor que o tratamento feito por medicamentos. O diretor Michael Rossato-Bennett acompanha Dan em sua cruzada pelos hospitais dos Estados Unidos, entrevista pacientes, familiares, enfermeiros e especialistas. Entre viagens, hospitais e a arrecadação de fundos para o projeto, Alive Inside é um mergulho profundo nos fatores que nos fazem amar a música. Prêmio do Público Sundance 2014.

Angels & Dust
(Héctor Herrera, Panamá/Espanha, 2013, 79′)
Conhecido como DJ Professor Angel Dust, Paco é um produtor mexicano radicado em Barcelona e um dos pioneiros da cultura clubber na Europa. Em uma viagem ao Panamá, Paco é preso no aeroporto, com vários tabletes de cocaína colados ao corpo. Ele estava com sua esposa e filha. Maurício, seu irmão, vai ao país para resgatar a criança. Paco é o DJ Professor Angel Dust, um produtor mexicano radicado em Barcelona e um dos pioneiros da cultura clubber na Europa. Até a decisão do juiz, ambos seguem com suas vidas. Na prisão, Paco busca sobreviver, comandando a gravação de músicos detidos e se esquivando do ambiente hostil como pode. Já Maurício parece procurar problemas, envolvendo-se com o narcotráfico. Um documentário valente, sem concessões e aterrorizante.

Autoluminescent: Rowland S. Howard
(Richard Lowenstein e Lynn-Maree Milburn, Austrália, 2011, 110′)
Rowland Howard e Nick Cave formaram, nos anos 1970, The Birthday Party, um grupo performático, com raízes no Punk e na poesia. Desde então, sua lenda como músico talentoso não parou de crescer. Para fugir dos excessos, Nick formou o Bad Seeds, enquanto Rowland seguiu em carreira solo. Afundado na heroína, seu grande talento ficou submerso, dando espaço para uma infinidade de lendas e situações-limite. Falecido em 2009, Rowland S. Howard deixou uma obra genial e um grande vazio musical. Seus amigos e parceiros lembram das histórias e revivem o mito do grande guitarrista.

B-Movie: Lust & Sound in West-Berlin 1979-1989
(Jörg A. Hoppe, Heiko Lange e Klaus Maeck, Alemanha, 2015, 92′)
Apaixonado por música, Mark Reeder, um jovem inglês, decide ir a Berlim Ocidental em plena ressaca Punk de 1979. Durante anos, realizou todo tipo de trabalho no mundo musical: tocou em bandas, foi manager de outras, representante de um selo e esteve onde e com quem quis. Aqui, ele conta sua história e mostra a contracultura dos anos anteriores à queda do muro: o Post-Punk, a No Wave, o experimentalismo, os Squats, o nascimento da Gay Parade, a moda e o underground de uma cidade cercada e condenada a se reinventar. Um retrato nostálgico para conhecer melhor um dos momentos mais interessantes dos anos 1980.

Basically, Johnny Moped
(Fred Burns, Reino Unido, 2013, 77′)
Inclusive para os Punks londrinos de 1977, Johnny Moped era figura inusitada. Nascido Paul Halford, o Punk Rocker mais estranho e autêntico de sua geração, tem uma história à altura. Não aparecia nos shows, casou-se com uma mulher muito mais velha do que ele, tinha a obsessão de viver no limite com seu estilo de vida, mas morria de medo de sua sogra. Com tudo isso, sua banda – que teve Chrissie Haynde (The Pretenders) e Captain Sensible (The Damned) em seu início – foi um estouro e marcou uma época. Histórias hilariantes, altas doses de anfetamina e excelentes canções marcam esse documentário de Fred Burns.

Breadcrumb Trail
(Lance Bangs, EUA, 2014, 93′)
Slint é um caso atípico. Quatro adolescentes de uma pequena cidade no Kentucky montam uma banda, compõem uma série de canções, lançam um único disco após sua separação e se transformam em objeto de culto. Com pouquíssimas apresentações em seu histórico e nenhuma informação a seu respeito, o Slint virou lenda e motivo de especulação. Neste documentário, conhecemos através de gravações de ensaios e raríssimos shows, as loucuras e genialidades de Britt Walford (bateria) e as bandas em que tocaram posteriormente como The Breeders, Tortoise, Zwan. Steve Albini, Ian MacKaye, Kim Deal, entre outros, dão crédito a esta loucura.

Broken Song
(Claire Dix, Irlanda, 2013, 66′)
São muitos os jovens que encontraram no Hip Hop uma saída para uma vida conflituosa, muitas vezes marcada pelo crime. Em Broken Song, Costello, GI e o protagonista Willa, usam suas rimas e beats como quem usa um passaporte para entrar em outros mundos. Entre a esperança e a realidade, os personagens procuram dar sentido a suas vidas e resolver dilemas passados. Bronx, Harlem? Não, estamos falando de Dublin, na Irlanda. Utilizando técnicas do documentário-direto, a estreante diretora Claire Dix retrata a tentativa de redenção dos garotos em busca de uma carreira musical.

Don’t think I’ve Forgotten: Cambodia’s Lost Rock And Roll
( John Pirozzi, Camboja, 2014, 105′)
Durante as décadas de 1960 e 1970, o Camboja viveu anos de tranquilidade e certo agito cultural. Com forte influencia francesa (de quem foi colônia entre 1867 e 1953), os cambojanos entraram no mundo do Rock’n’Roll através dos europeus. Mais suave e comportado que o original americano, o Yê-Yê, como era chamado, ganhou sotaque oriental, sonoridades locais e personalidade própria. Essa cena crescente foi brutalmente interrompida pela irrupção do Khmer Vermelho durante a guerra do Vietnam. Mas deixou um legado de grandes talentos, que hoje é alvo de colecionadores no mundo inteiro.

Fresh Dressed
(Sacha Jenkins, EUA, 2014, 84′)
Quando jovens negros da periferia começaram exibir roupas de marca de alta costura, a opinião público clamou aos céus.
Foi assim que o Hip Hop imprimiu a seu estilo a ostentação e um certo ar de vingança contra o establishment branco americano dos anos 1980. Décadas se passaram e hoje grandes marcas procuram inspirar-se com o estilo do movimento e passaram toma-lo como grande mercado. Para contar os detalhes de todo este fenômeno, Fresh Dressed traz estilistas, colecionadores, músicos, marqueteiros entre outros personagens para dar entender o estilo mais influente dos últimos anos.

Heaven adores you
(Nickolas Rossi, EUA, 2014, 104′)
Elliott Smith não era um cara comum. Propenso à depressão e solidão, o músico e compositor norte americano acabou sendo catapultado para a fama, ao ser indicado ao Oscar de melhor canção original com o filme “Gênio Indomável”. Conhecido como um dos maiores talentos de sua geração, Smith morreu aos 34 anos, provavelmente por suicidio (a autópsia não é conclusiva). Através de entrevistas com amigos, namoradas, parentes e companheiros de estrada, podemos conhecer melhor o personagem, seus problemas, suas ilusões, seu entorno e sua carreira meteórica. Um personagem que tinha tudo ao seu favor, mas que não estava feito para o showbizz.

I Need a Dodge: Joe Strummer On The Run
(Nick Hall, Espanha, 2014, 67′)
Cansado da fama, das brigas com seus companheiros de banda e do showbizz, Joe Strummer vai parar em Granada, Espanha, para “sentir suas feridas”. Anônimo em um bar, o líder do The Clash é reconhecido por alguns músicos locais. Dessa amizade, muitas histórias nasceram. Entre elas, a obsessão de Joe em conseguir um Dodge, que tempos mais tarde, esquece onde estacionou em Madrid, perdendo para sempre seu sonhado carro. Para encontrar o automóvel e relembrar esses dias, o diretor Nick Hall sai à procura de documentos e dos amigos espanhóis de Joe Strummer.

Jaco
(Stephen Kijak e Paul Marchand, EUA, 2014, 110′)
“Meu nome é John Francis Anthony Pastorius III e sou o melhor baixista do mundo”. assim se apresentava Jaco Pastorious. Iniciado desde pequeno no mundo do Jazz, Jaco rompeu as barreiras de seu instrumento e escreveu seu nome da história da música. Dirigido por Paul Marchand e Stephen Kijak e produzido por Robert Trujillo (Metallica) o filme conta sua história, relembra sua forte personalidade e repassa sua obra. Para reviver esse mito do baixo elétrico, Flea, Sting, Bootsy Collins, Geddy Lee, Carlos Santana, seus parceiros de Weather Report entre outros, falam com admiração e espanto sobre esse furacão das quatro cordas.

Keep on Keeping on
(Alan Hicks, EUA, 2014, 86′)
Clark Terry é uma lenda no mundo do Jazz. Além de ter tocado nas orquestras de Duke Ellington e de Count Basie, Miles Davis o tinha como um mentor. Aos seus 93 anos de idade e com a saúde debilitada, ele ainda mantém contato com alguns dos alunos que teve nos últimos anos. Como Justin Kauflin, um pianista cego de 23 anos e de um talento notável.
Desta relação, construída entre amizade e as notas musicais, os dois trabalham juntos e vão tocando suas vidas Justin estudando e fazendo visitas ao amigo e CT tratando de se recuperar a saúde enquanto melodias brotam em sua cabeça.
Indicado ao Oscar 2015 de Melhor Documentário.

Mateo
(Aaron I. Naar, Cuba/Japão/Estados Unidos, 2014, 90”)
Matthew Stoneman (“Mateo”) é o Gringo Mariachi, um personagem único que ganha a vida tocando em bares de Los Angeles. Ruivo, cinquentão e com cara de CDF, ele é apaixonado por música cubana e mexicana. Seu grande sonho é gravar um disco nos Estúdios Egrem, em Havana, com os melhores músicos da ilha. Para isso, fez inúmeras viagens à Cuba, tocou com muita gente e frequentou todas as casas de prostituição que conseguiu. Neste filme, acompanhamos Mateo em uma de suas viagens, conhecemos seus pais e descobrimos que eles já gastaram 350 mil dólares nessa brincadeira.
Só vendo pra acreditar!

Mr. Dynamite: The Rise of James Brown
(Alex Gibney, EUA, 2014, 98′)
James Brown não é apenas o Godfather of Soul, mas é também do Funk, do Hip Hop e de parte da música dançante feita a partir dos anos 1950. De um talento inegável, ele revolucionou a música com sua banda, suas canções e principalmente com suas interpretações explosivas. Do aclamado diretor Alex Gibney e produzido por Mick Jagger, Mr. Dynamite: The Rise of James Brown mostra o início de sua carreira até seu envolvimento com a luta pelos direitos civis nos Estados Unidos, com entrevistas e imagens inéditas.

Duas horas de grooves, beats e o jeito particular de James Brown fazer as coisas. Imprescindível.

My secret world: the story of Sarah Records
(Lucy Dawkins, Reino Unido, 2014, 112′)

Clare Wadd tinha 16 anos e fazia um dos fanzines mais legais de Bristol. Matt Haynes, um pouco mais velho, circulava por ambientes cool e também fazia o zine mais cultuado da cidade.

Um dia, eles se conheceram, se apaixonam e passaram a morar juntos. Assim nasceu Sarah Records, uma delicatessen Indie com um toque muito artesanal.

Produzindo os artistas novatos, os dois começaram lançando singles com um cuidadoso projeto gráfico, fazendo a própria distribuição e o relacionamento com os fãs.

Um sonho Indie que durou 100 lançamentos e que deixou muita gente com saudades. Inclusive seus detratores.

Nas: Time is illmatic
(One9, EUA, 2014, 75′)

Illmatic, de 1994, é o primeiro álbum do rapper Nas. Considerado por muitos uma obra-prima, o disco teve um processo complicado de composição e produção, mas rendeu a ele um grande respeito no meio artístico.

Filho de um Jazzman que viveu na estrada e ausente da família, Nas cresceu no subúrbio, mas recebeu uma educação diferenciada.

Aqui, ele conta sua trajetória como artista, as dificuldades de sua infância, a fuga através dos livros e a determinação de demonstrar seu talento.

Erykah Badu, Pharrell Williams, Alicia Keys, Busta Rhymes entre muitos outros, lembram o impacto de Illmatic em suas vidas.

Paco de Lucía: La Búsqueda
(Curro Sánchez, Sérvia, 2015, 95′)

Quem viu Paco de Lucia tocar não se esquece. Um dos maiores nomes da Guitarra Flamenca de todos os tempos, Paco transformou o gênero e o levou aos palcos mais importantes do mundo.

Dono de um talento descomunal, o músico sempre procurou se superar. Primeiro com a técnica apurada de tocar. Depois, como compositor, e finalmente como improvisador. Assim, Paco conseguiu ser seu maior adversário.

Através de uma série de entrevistas, Paco de Lucía conta a seu filho, o diretor do filme, Curro Sánchez, sua trajetória, desafios e a eterna busca pela perfeição.

60 anos de carreira contados de pai para filho, agora entram para a eternidade.

Salad Days: A Decade Of Punk In Washington, Dc (1980-90)
(Scott Crawford, EUA, 2014, 90′)

A cena Punk-Hardcore de Washington DC contada por seus protagonistas!

Está tudo aqui: a chegada da onda Punk, a evolução do Hardcore, o nascimento da Dischord Records, o surgimento de Minor Threat, Fugazi, Bad Brains, a cultura Straightedge, entre outras coisas.

Na capital dos Estados Unidos, um grupo de jovens assume o Punk Rock como opção de vida e estabelece um código ético para tratar com fãs e indústrias musical e de entretenimento.

Revolução à base de guitarras distorcidas e consciência política-social. Um capítulo da história da cultura Pop pouco conhecido, mas que estabeleceu um divisor de águas no Establishment musical.

Spandau Ballet: Soul Boys of the western world
(George Hencken, Reino Unido, 2014, 106′)

A banda inglesa Spandau Ballet apareceu nos anos 1980 com seu Rock Pop comportado e classudo. Era o auge do gênero New Romantic, um subgênero da New Wave que se caracteriza pela música dançante e um peculiar estilo de vestir, enchendo as pistas em qualquer discoteca.
Antes disso, muita coisa aconteceu. Obcecados pela fama, a banda trabalhou duro até chegar ao sucesso e depois acabou se afogando na própria fama.
Na preparação de sua turnê de reunião, a banda relembra sua história, lava a roupa suja, sacode a poeira e olha para futuro.
Um retrato em primeiro plano de uma das bandas mais queridas das FMs.

Sumé: The Sound of a Revolution

(Inuk Silis Hoegh, Groenlândia, 2014, 74′)

Existem revoluções que não chegam facilmente aos nossos ouvidos. Como a de um grupo de jovens da Groenlândia que foi estudar na Dinamarca no início dos anos 1970.

Lá, montaram uma banda de Rock e foram os primeiros a fazer isso em seu idioma materno, o groenlandês.

Com suas letras reivindicativas, o grupo fez sucesso rapidamente em seu país natal, gerando um movimento que acabou conquistando para a Groenlândia o direito de ter seu próprio parlamento depois de mais 250 anos de colonização dinamarquesa.

Com apenas 3 álbuns gravados, Sumé provou que sua identidade cultural pode servir de inspiração para novas gerações.

Super Duper Alice Cooper
(Reginald Harkema, Scot McFadyen e Sam Dunn, Canadá, 2014, 87′)

Vincent Damon Furnier é conhecido mundialmente como Alice Cooper, um pioneiro do Show Horror no gênero.

Mas qual é a linha que separa Vincent, o Vince, para os amigos, do Rock Star Alice?

No início, em 1970, a banda Alice Cooper era formada por cinco membros, entre eles Vince. Com o tempo, Vince assume uma nova personalidade no palco e em pouco tempo passa a ser chamado de Alice Cooper.

O tempo passa e Vince passa a ser Alice Cooper 24 horas ao dia.

Muito dinheiro, ciúmes, brigas e excessos depois, os diretores Sam Dunn, Scot McFadyen e Reginald Harkema usam um vasto material de arquivo para revelar esse mito.

Taking The Dog For A Walk
(Antoine Prum, Luxemburgo, Reino Unido, 2014, 128′)

A cena de Música Improvisada na Inglaterra vista com rigor e muito humor.

Sem rotinas, sem partituras, sem líderes e sem regras, o pequeno grupo de músicos se encontra para trocar experiências e criar momentos musicais.

Com a ajuda do humorista Stewart Lee, o filme mostra a evolução do gênero dos anos 1960 até os dias de hoje. Lox Colhill, Derek Bailey, Eddie Prevost, entre outros, aparecem para manter um movimento “puro, intenso e desafiante”.

“Se trata de aceitar o fracasso”, dizem, mas também se trata de ruptura, libertação e igualdade.

The Case of The Three Sided Dream
(Adam Kahan, Estados Unidos, 2014, 88′)

Em 1971, o multi-instrumentista Rahsaan Roland Kirk aparece no programa The Ed Sullivan Show, com um verdadeiro dream team, que incluía Charles Mingus no baixo, Roy Haynes na bateria e Archie Shepp no sax. Durante a entrevista, ele declara que a “black classical music” – o Jazz – tinha chegado para ficar.

Rahsaan era um evento por si só. Cego, tocava até três saxofones ao mesmo tempo e guardava inúmeros instrumentos no sobretudo que utilizava durante suas apresentações, sempre espetaculares.

O diretor Adam Kahan mergulha no universo dos sonhos de Rashaan, sonhos que eram sua fonte de inspiração.

The Damned: Don’t You Wish That We Were Dead
(Wes, Orshoski, EUA, 2015, 110′)
A banda inglesa The Damned é uma referência no Punk Rock.

Em 1976 lançaram “New Rose”, o primeiro single do Punk inglês, e foram os primeiros de sua geração a cruzarem o Atlântico. Gravaram grandes discos, ganharam o respeito de fãs e críticos, mas não alcançaram grande popularidade.

Wes Orshoski, diretor de “Lemmy”, conta a história da banda, suas desavenças, sucessos, e traz os motivos que levaram The Damned à categoria de grupo de culto.

Para falar deles, Chrissie Hynde, Mick Jones, Lemmy, membros do Pink Floyd, Black Flag, Guns’ N’ Roses , Sex Pistols, Blondie, Buzzcocks e muitos mais.

Um filme fundamental para os fãs e imprescindível para quem não conhece.


The Death & Resurrection Show

(Shaun Pettigrew, Nova Zelândia, Reino Unido, 2014, 150′)

Paul Ferguson e Jaz Coleman se uniram por “repulsão mútua” e amor ao Ocultismo. Assim nasceu Killing Joke, um dos nomes mais marcantes do Post-Punk e uma das lendas mais cultuadas das últimas décadas.

Com canções que faziam alusão a rituais obscuros e transformando seus shows em sessões espirituais, a banda rapidamente influenciou várias gerações.

The Death & Resurrection Show é um documentário à altura dessa lenda. Com rico material de arquivo, os depoimentos de seus integrantes e uma inquietante entrevista de Jaz, fazem deste
filme uma homenagem à loucura, à traição e ao Rock’n’Roll.

The Possibilities are endless
(James Hall, Edward Lovelace, Reino Unido, 2014, 83′)

Edwyn Collins foi o líder da banda escocesa The Orange Juice. Com alguns hits emplacados nas listas britânicas, casado e vivendo uma vida confortável, um dia ele sofre um derrame hemorrágico.

A partir de então Edwyn não consegue se comunicar. Seu cérebro falha e sua coordenação motora fica muito afetada. Fechado em seu mundo, o músico e sua esposa iniciam uma cruzada que ele se reestabeleça.

Aclamado pela crítica britânica como um dos grandes documentários musicais de 2014, The Possibilities are Endless é um mergulho profundo nesse novo mundo de Edwyn, e em sua luta para se recuperar e levar uma vida normal.

Theory of Obscurity a film about The Residents
(Dan Hardy Jr., EUA, 2015, 87′)

The Residents é o anti grupo de Rock mais destacado de todos os tempos.

Formada em 1966, a banda é muito mais que uma formação musical. Seus membros nunca deram a cara ou entrevistas. Fantasiados, eles só se comunicam através de um porta-voz e diz que o filósofo N. Senada (de quem nunca ninguém ouviu falar) é seu mentor e criador da Teoria da Obscuridade, que dita, entre outras coisas, que a arte só é pura quando seu criador é anônimo.

O filme é um presente para os fãs viverem de perto o universo do The Residents e uma grande oportunidade para quem vai entrar pela primeira vez nesse mundo multimídia e cheio de criatividade.

Un lloc on caure mort
(Miguel Ángel Blanca , Raúl Cuevas, Espanha, 2014, 65′)

Càndid é um Punk Rocker catalão, líder da banda Autodestrucció.
Com mais de 30anos, Càndid está casado, tem mulher, 2 filhos, trabalha numa escola infantil mas ainda acredita cegamente em todos os tópicos do Punk: rebeldia, drogas, gritos contra o sistema e a ilusão de mudar o mundo com sua música.
Entre baseados, anfetaminas, cervejas, guitarras distorcidas e o trato com as crianças, ele leva sua vida sonhando com o estrelato e mudanças radicais.
Um retrato cru sobre o envelhecimento, as relações pessoais e o entorno das pequenas comunidades.
Vencedor do In-Edit 2014 de Barcelona

We Don’t Make You Dance
( Lucy Kostelanetz, EUA, 2013, 95′)

A banda Miller, Miller, Miller & Sloan nunca chegou a fazer sucesso. Na verdade, os integrantes nunca encontraram um estilo musical que realmente os satisfizesse.

Adolescentes, eles ensaiavam e procuravam seus caminhos. Acabaram gravando somente algumas canções.

Quase trinta anos depois, a diretora Lucy Kostelanetz – amiga de infância da banda – decide recuperar as gravações que fez do grupo no início dos anos 1980 e terminar o documentário que se propôs a fazer na época.

Um retrato sincero do sonho adolescente de ser Pop Star e a dura realidade do mundo adulto.

HOMENAGEM MURRAY LERNER

Blue Wild Angel: Jimi Hendrix Live at the Isle of Wight 1970
(Murray Lerner, EUA, 1991, 56′)

Duas semanas antes morrer, no dia 31 de agosto de 1970, Jimi Hendrix fez seu último show na Inglaterra.

Fechando o Isle of Wight Festival, o guitarrista subiu ao palco junto com Mitch Mitchell (bateria) e Billy Cox (baixo) para outra atuação destruidora.

Começando com “God Save The Queen”, o hino do Reino Unido, seguindo com “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” a banda entra no universo de Hendrix para fazer um set list poderoso como era habitual.

Neste filme de Murray Lerner, vemos essa despedida de Jimi Hendrix do país que lhe converteu em mito.

“Festival!”
(Murray Lerner, EUA, 1967, 95′)

Antes que os festivais de música se tornassem um grande negócio, o Newport Folk Festival já reunia suas estrelas para celebrar seu amor pelo gênero.

Murray Lerner filmou as edições de 1963, 1964 e 1965 do Festival e as converteu em longa-metragem, um projeto muito ambicioso para época.

O resultado são apresentações lendárias nomes como Johnny Cash, Joan Baez, Pete Seeger, Peter, Paul & Mary, Howlin’ Wolf e muitos outros além do depoimento de quem estava ali. Também há registro da grande vaia para Bob Dylan, tocando pela primeira vez uma guitarra elétrica.

Filme indicado ao Oscar de Melhor Documentário em 1967.

From Mao to Mozart: Isaac Stern in China
( Murray Lerner, EUA, 1981, 84′)

Prêmios: Vencedor de Oscar de Melhor Documentário (1981)

No final dos anos 1970, o violinista Isaac Stern foi convidado para tocar com a Orquestra Sinfônica Nacional da China dirigida na época por Li Delun. Uma maneira diplomática de começar a reduzir as distancias culturais dois gigantes mundiais.

Nesta viagem, Murray Lerner acompanhou o músico em diferentes ocasiões registrando tudo com olhar atento. Ensaios, conversas, visitas, o contato com alunos chineses; momentos cheios de sutilezas e que garantiram ao diretor o Oscar de Documentário em 1981.

Disciplina oriental e a delicadeza dos mestres para exaltar a obra de Mozart.


Listening to You: The Who at the Isle of Wight 1970

(Murray Lerner, Reino Unido, 1998, 85′)

Em 1970 a banda inglesa de The Who estava no seu auge. Depois de ter gravado a Ópera Rock Tommy em 1969 e triunfado no festival de Woodstock, o grupo chega ao verão do ano seguinte em plena forma.

Neste show completo, Pete Townshend, Keith Moon, Roger Daltrey e John Entwistle (trajando com seu memorável de macacão de esqueleto) apresentam um Set cheio de energia e atitude, onde não faltam clássicos e volume.

Um espetáculo poderoso que não deixa ninguém indiferente, hoje transformado em documento histórico.

Abra bem os ouvidos e deixe o Rock rolar.

The Other Side of the Mirror: Bob Dylan at the Newport Folk Festival
( Murray Lerner, Reino Unido, 2007, 83′)

Murray Lerner filmou várias edições do Newport Folk Festival durante os anos 1960.

Entre 1963 e 1965, uma estrela foi ganhando cada vez mais força e chamando a atenção de todos: Bob Dylan.

A cada ano, suas apresentações eram mais esperadas, enquanto ele se transformava em um dos principais porta-vozes de sua geração.

Em The Other Side of the Mirror podemos acompanhar a evolução de Dylan como músico e como figura pública durante esses anos. Das canções tradicionais à grande polêmica pela utilização da guitarra elétrica, a lenda de Dylan alcançava seu auge.

FILMES NACIONAIS

Mostra Competitiva

Eu sou Carlos Imperial
(Renato Terra e Ricardo Kalil, Brasil, 2014, 90′)

Cafajeste, machão, ladrão de direitos autorais. Gênio, descobridor de talentos, visionário. O que não faltam a Carlos Imperial são adjetivos.

Imperial criou programas de televisão, foi um dos pioneiros do Rock’n’Roll no Brasil, compôs grandes sucessos, lançou as carreiras de Roberto Carlos, Elis Regina, Wilson Simonal, Ronnie Von, entre outros.

Mas o que Carlos Imperial fez mesmo, foi marcar uma época. Com seu estilo assumidamente cafajeste ele rompia os moldes da “caretice” da época com um discurso que, hoje, lhe renderia – merecidamente – mais de um processo judicial.

Um personagem fundamental para entender o mundo do entretenimento no Brasil.


My name is now, Elza Soares

(Elizabete Martins Campos, Brasil, 2014, 71′)

Quem nunca se rendeu aos encantos musicais de Elza Soares?

De voz inconfundível, swing desconcertante e personalidade desbocada, Elza tem um lugar de destaque entre os gigantes da música brasileira.

Para entender o personagem, a diretora Elizabete Martins Campos apresenta este documentário-ensaio sobre a cantora e seu universo.
Cara a cara com o espelho, Elza mostra seus pensamentos sobre a música, o público, suas feridas, suas frustrações, seus desafios, a vida, a pobreza e principalmente a tristeza.

Um retrato visceral, lúcido, forte e sincero. Como a própria Elza Soares.

Premê. Quase lindo
(Alexandre Sorriso e Danilo Moraes, Brasil, 2015, 70′)

O Premeditando O Breque está há 40 anos na estrada. Mesmo sem ter grande aceitação no rádio, ou chegar a ter um sucesso estrondoso entre o grande público, o Premê (como conhecido mais tarde) ganhou fãs e o respeito da classe artística com suas canções bem humoradas.

Neste documentário de Danilo Moraes e Alexandre Sorriso, conhecemos a trajetória do grupo através de um riquíssimo material de arquivo. O início da Escola de Comunicação e Arte, na USP, os tempos no Lira Paulistana, o estouro de “São Paulo, São Paulo”, suas tiradas geniais e todos os elementos que fizeram do Premê uma referência na Vanguarda Paulista estão aqui.

Samba e jazz
(Jefferson Mello, Brasil, 2014, 86′)

O paralelismo entre o Samba do Rio de Janeiro e o Jazz de New Orleans vistos através do carnaval.
Unidos pela ancestralidade, pelo swing, pela fantasia e pela festa, o Carnaval e o Mardi Gras se encontraram em muitas vertentes, exceto na geográfica.

Conduzido entre as duas margens, o filme junta Escola De Samba e Big Band, Candomblé e Vudu; Samba e Jazz.

A similaridade entre os dois lados é evidente, seja na ansiedade da preparação ou no respeito às tradições, a folia sempre se repete.

Yorimatã
(Rafael Saar, Brasil, 2014, 116′)

Luli e Lucina formaram uma das duplas mais criativas e talentosas da música popular no Brasil.
Autoras de centenas de canções, gravadas por Ney Matogrosso, Gilberto Gil, Tetê Espíndola, Nana Caymmi entre muitos outros, as duas viveram juntas muitos anos e compartilharam tudo. Inclusive o marido, o fotógrafo Luis Fernando Fonseca.

Com ele, elas formaram uma família e passaram a compor num sítio longe da cidade. Fazendo raras apresentações, as duas criavam e pesquisavam a música brasileira em diversas vertentes.

Aqui conhecemos melhor esta relação musical que rendeu frutos incríveis: lindas canções, belos filhos e uma amizade duradoura.


PANORAMA BRASIL

Guardiões do samba
(Eric e Marc Belhassen, Brasil, 2014, 80′)

Uma homenagem aos grandes nomes do Samba do Rio de Janeiro, eternizando o talento e a dedicação de quem fez do gênero uma referência na cultura brasileira.

Monarco, Xangô da Mangueira, Walter Alfaiate, Ney Lopes, entre outros, contam sua trajetória e suas histórias.

Filmado em 2005, o documentário esteve “engavetado” durante vários anos. Após a morte de alguns dos personagens, o filme foi resgatado em 2013 para finalização, com a missão de honrar a memória de nomes lendários da nossa música.

Uma oportunidade de passar a limpo uma das correntes musicais mais autênticas do último século.


( Matthias Röhrig Assunção, Richard Pakleppa e Cinésio Feliciano, Brasil/Africa do Sul/Reino Unido, 2013, 87′)

O filme leva o mestre capoeirista Cobra Mansa à Angola para que ele conheça a ancestralidade de sua arte e de seu povo.

Entre os nativos, Cobra Mansa encontra muitos elementos que ligam as duas margens do Oceano Atlântico, entre eles, o Engolo, uma forma muito similar de luta-brincadeira, mas jogada com as mãos.

Jogos de combate, música, dança, convivência e autoconhecimento conectam o Brasil e a África desde os tempos da escravidão em uma coprodução entre o Brasil, o Reino Unido e a África do Sul.

Matança
(Maria Mazzilo Costa, Brasil, 2014, 70′)

No município de Matinha (MA), a festa de São João é comemorada com grande dedicação.
Para mostrar esse fenômeno, a diretora e pesquisadora Maria Mazzillo Costa acompanhou a agremiação do Bumba-Meu-Boi Flor de Matinha para mostrar os detalhes da Matança. Uma festa que dura uma noite e um dia e que reúne todos os seus habitantes.

Sem entrevistas, locução ou qualquer tipo de intervenção, o filme se limita a mostrar todas as fases da celebração, da preparação à completa destruição.

Uma viagem ao Brasil profundo para conhecer uma de nossas festas mais emblemáticas.

Samba Lumière
(Pedro Abib, Brasil, 2014, 52′)

Não é de hoje que a França demonstra grande interesse pelo nosso Samba. Desde a primeira metade do século passado, muitos discos foram lançados no mercado francês enquanto artistas brasileiros fazem constantemente apresentações pelo país.

Para explicar todo esse amor estrangeiro pelo samba, Samba Lumière revira os arquivos e mostra a cena do Samba local ao longo dos anos.

Juntando imigrantes brasileiros e músicos locais, as rodas destilam clássicos do gênero, unem gerações, matam a saudade e emocionam. Como em qualquer boteco do Rio de Janeiro.

Sete corações
(Dea Ferraz, Brasil, 2014, 97′)

Para homenagear e eternizar uma geração do Frevo, sete mestres do gênero recebem um desafio: compor juntos uma peça musical para o próximo Carnaval do Recife.

José Menezes, Nunes, Clóvis Pereira, Guedes Peixoto, Duda, Ademir Araújo e Edson Rodrigues se reúnem, num verdadeiro Dream Team pernambucano, para trabalhar e exercer a amizade.

Acompanhando os personagens, o filme retrata uma experiência vital para todos os envolvidos, além do nascimento de um novo clássico do Frevo.

Um trabalho em equipe para imortalizar esses sete talentos.

Sintonizah
(Lecuk Ishida e Willy Biondani, Brasil, 2015, 54′)

A conexão entre o São Luiz (MA) e a Jamaica através do Reggae, chegou pelo ar.

Situada geograficamente próxima ao Caribe, a capital maranhense recebia pelas ondas do rádio as novidades do gênero e acabou incorporando o ritmo a seu cotidiano.

Para contar essa história, os diretores Lecuk Ishida e Willy Biondani falaram com integrantes da banda Tribo de Jah, o professor Tarcisio Selektah, DJ Serralheiro, Stranger Cole, Lone Ranger, Caurl Lauder, Fauzi Beydoun, entre muitos outros.

Um filme que busca as raízes de um fenômeno que hoje move milhares de fãs locais e de muito longe.

Última chamada
(Ruth Slinger, Brasil, 2014, 80′)

No final dos anos 1990 já se vislumbrava o que viria a ser o século seguinte: a democratização dos PCs, a chegada da internet, o fim da Guerra Fria, a popularização das drogas sintéticas e a trilha sonora de tudo isso, o Techno.

Ruth Slinger viveu esses anos em Nova York e decidiu voltar para a cidade e revirar seu arquivo pessoal, relembrar aqueles anos e repensar o que foi tudo aquilo.

Com um olhar pessoal, o filme tem foco na cena da música eletrônica local, mas revela conceitos muito mais amplos. Comportamento, consciência social, moda e estilo de vida figuram entre os devaneios dos entrevistados em busca de novas respostas.

Zirig Dum Brasília – A arte e o sonho de Renato Matos
(André Luiz Oliveira, Brasil, 2014, 76′)

Pintor, escultor, ator de teatro, estrela de cinema, poeta, escritor, músico, compositor, inventor de instrumentos musicais, pesquisador, Renato Matos não pára nunca.

Baiano radicado em Brasília desde a década de 1970, este artista multidisciplinar tem muito o que falar e mostrar. Neste retrato realizado pelo diretor André Luiz Oliveira, podemos conhecer um pouco de sua obra e de sua visão de mundo particular.

Longe dos holofotes da fama, Renato cria constantemente em busca de sua identidade artística.

BRASIL.DOC

É o fluxo
(Roberto Camargos e João Augusto, Brasil, 2014, 57′)

Quem diria que havia uma forte cena Funk Carioca em Uberlândia?

Interessados em conhecer e revelar esse “fluxo” que vive no subúrbio da cidade, os historiadores Roberto Camargo e João Augusto Neves foram conhecer esse movimento.

Apesar das semelhanças estética e musical com o Rio de Janeiro, vemos aqui um discurso maduro e com consciência comunitária. Um grupo de jovens consome e produz Funk, organiza eventos, sonha com uma vida melhor e cria espaços de lazer, trabalho e encontros sociais.

Com uma pitada de ficção, o filme fala sobre música, apropriação cultural, vida periférica, identidade e preconceito.

Racionais MC’s – 25 anos no movimento
(Bia Bem, Brasil, 2014, 80′)

A banda paulistana de Hip Hop Racionais MC’s é sem dúvida um dos maiores expoentes da cultura negra no Brasil.

Porta-vozes de uma ampla faixa da sociedade, “os quatro pretos mais perigosos do país” levam mais de 25 anos na estrada mudando consciências e alertando seus fãs sobre as arapucas do sistema.

Neste TCC, Bia Bem faz um retrato do quarteto entrevistando o entorno mais próximo da banda, que não concede entrevistas nem autoriza biografias.

Oitenta minutos para mergulhar no universo dos Racionais MC’s e se deixar levar.

Reverberações – Itamar Assumpção
(Claudia Pucci e Pedro Colombo, Brasil, 2014, 61′)

Não é só a música de Itamar Assumpção que continua reverberando. Através de seu discurso atemporal e sua música vanguardista, Itamar Assumpção ainda inspira novas gerações.

Neste TCC, Cláudia Pucci e Pedro Colombo circulam pelo universo do músico (falecido em 2003) para evocar seu talento, suas convicções e também suas provocações.

Alice Ruiz, Ná Ozzetti, Suzana Salles, Alzira E, Paulo Lepetit, Luiz Chagas, Tata Fernandes, Clara Bastos e Anelis Assumpção relembram o Nego Dito e seu pensamento.

Todo Mundo Dança
(Ruth Slinger, Brasil, 2014, 70′)

Ruth Slinger disserta sobre a necessidade de termos de dançar, através do depoimento de especialistas no corpo, na mente e no som.

Neurologistas, antropólogos, fisioterapeutas, músicos, produtores, dançarinos, filósofos, entre outros, falam de como o ser humano reage ao som, ao ritmo e à melodia .

Para a diretora, o ponto de partida é claro: “Se é mesmo necessário ir a algum lugar, por que não se divertir no percurso?”.

CURTAS

Araca – O samba em pessoa
(Aleques Eiterer, Brasil, 2014, 20′)
Aracy de Almeida faz parte inconsciente coletivo do brasileiro. O personagem que encarnou junto a Silvio Santos ficou na memória de todos mas escondeu o que ela sempre foi: uma sambista de primeira.
Parceira de Noel Rosa na música e na birita, Araca, como era conhecida pelos amigos, cantou e gravou com grandes nomes do Samba.
Neste filme de Aleques Eiterer podemos conhecer o carisma desse personagem sem igual.

Fabrik Funk
(Alexandrine Boudreault-Fournier, Rose Satiko Gitirana Hikiji, Sylvia Caiuby Novaes, Brasil/Canadá, 2014, 24′)
Entre o documentário e a ficção, o filme mostra como a MC Negaly produz sua primeira canção. Dos escritórios de telemarketing ao estúdio de gravação, o filme registra essa passagem.

Iburi: Trompete dos Ticuna

(Edson Matarezio, Brasil, 2014, 14′)
O processo de construção e execução do trompete Iburi é um dos rituais mais importantes para a tribo dos índios Ticuna.
O instrumento é utilizado na cerimônia que celebra a primeira menstruação de iniciação feminina na Festa da Moça Nova e não pode ser visto por mulheres e crianças.
Neste filme, vemos a preparação do Iburi e a história de To’oena, a “primeira moça nova” que, no tempo do mito, quebrou este tabu e pagou com a própria vida.

O Terno – Classic Album
(Felipe Arrojo Poroger, Brasil, 2014, 8′)
Mockumentary é um gênero cinematográfico muito peculiar. O termo vem das junção das palavras Mock (burla) e Documentary (documentário) e deixa claro suas intenções.
Simulando situações que poderiam ser reais mas evidentemente são falsas, o grupo paulistano O Terno aparece aqui no famoso programa Classic Albums, da televisão inglesa BBC 4.
Uma sátira divertida que coloca a banda na história da humanidade.

Samba é madeira

(Fernanda Vogas, Xavier Monreal, Brasil, 2014, 1′)
Usando apenas imagens de carpintaria, os diretores Xavier Monreal e Fernanda Vogas fazem uma edição especial para fazer um samba com imagens. O resultado é um curta-metragem dinâmico.

Toque de samba
(Mariana Tavares, Vannessa Resende, Brasil, 2014, 15′)
Três senhoras decidem realizar seu sonho: cantar, dançar e participar em escolas de Samba.
Os sonhos não tem idade. Dionysia Moreira começou a cantar e gravou seu primeiro CD aos 82 anos; a costureira Cici, responsável pelos figurinos do Bloco de Carnaval ‘Recordar é Viver’ e Nair (94 anos) que foi babá de 40 crianças e sai como destaque do Bloco todos os anos, se encontraram para celebrar a vida e a música.

Tum Tum – Som de Batuque
(Bruno Martins, Brasil, 2014, 3′)
André Luiz é um cara especial. Deficiente auditivo, ele sente a música no corpo e toca percussão em uma banda em Salvador (BA). Fascinado pela emoção gerada pela música, agora ele quer viver disso profissionalmente.

ESPECIAL

Sem Dentes – O Banguela Records e a Turma de 1994
(Ricardo Alexandre, Brasil, 2015, 121′)

A história do selo Banguela Records é uma das mais estranhas do Rock brasileiro.

Liderado por Carlos Eduardo Miranda e financiado pelos Titãs, o selo lançou alguns dos nomes mais importantes dos últimos anos como Raimundos, Mundo Livre S/A, Little Quail & The Mad Birds, Maskavo Roots, entre outros.

Ricardo Alexandre dirige o filme, onde Dado Villa Lobos, Nando Reis, Charles Gavin, Samuel Rosa, Gastão Moreira e todos os implicados relembram os fatos através de novas perspectivas, soltam o verbo e entregam todo mundo.

Uma celebração em grande estilo desse grande ícone dos anos 1990.

Serviço:

IN-EDIT BRASIL – 7º Festival Internacional do Documentário Musical

de 01 a 12 de julho, em São Paulo.

Salas: CineSesc, Cinemateca Brasileira, Cine Olido, Centro Cultural São Paulo (CCSP, Sala Paulo Emilio Sales Gomes) e Matilha Cultural.

Ingressos:
CineSesc – R$ 12,00 l R$ 6,00 l R$ 3,50
Cine Olido – R$ 1,00 l R$ 0,50
Centro Cultural São Paulo – R$ 1,00 l R$ 0,50
Matilha Cultural – Gratuito
Cinemateca Brasileira – Gratuito

Salvador: de 14 a 19 de julho
Na sala Walter da Silveira
Rua General Labatut, nº 27, subsolo, Barris, Salvador – BA
Ingresso:
R$ 6,00
mais informações no site www.in-edit-brasil.com/

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Fabio Martins
Santista de nascimento, flamenguista de coração, paulistano por opção. Ama vídeo game, cinema, séries, música, nerdices e cultura pop em geral.
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