‘Doutor Estranho no Multiverso da Loucura’ e a Fase 4 da Marvel

Depois do sucesso de ‘Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa’ a expectativa para ‘Doutor Estranho no Multiverso da Loucura’ (que já era alta) subiu bastante. Afinal de contas, ambas produções estão conectadas diretamente e a aparição de três “Peter Parkers” e a chegada em definitivo do Multiverso da Marvel abriu um leque de possibilidades.

Talvez esse seja o grande problema do filme que estreia nesta quinta (5) nos cinemas brasileiros. Afinal de contas, desde que se falou em universos e realidades paralelas, toda obra do estúdio que bebeu dessa fonte ficou no “quase” e nunca explorou a tão falada Fase 4 como deveria. Isso não quer dizer que a nova aventura do Mago Supremo seja ruim, mas, infelizmente, ficou aquém de onde poderia ir.

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Parte de um todo

Em outras palavras, de todas as opções desse leque a Marvel seguiu apostando no que vem fazendo desde WandaVision. Ou seja, tratando Doutor Estranho no Multiverso da Loucura não como um filme com começo, meio e fim. Mas como a parte de um todo que será “entendida” apenas quando a tal Fase 4 for concluída com um mega filme que juntará diversos elementos de tudo o que foi produzido durante este período.

E, para piorar, o roteiro extremamente básico acaba limitando o trabalho do diretor. A sorte do estúdio é que Sam Raimi, voltando a dirigir após 13 anos, consegue fazer bem o ser serviço mesmo com as mãos atadas pela linha narrativa e a fraca história escrita por Michael Waldron.

Doutor Estranho no Multiverso da Loucura

Sam Raimi

As melhores qualidades do filme saem das mãos e, principalmente, da cabeça de Raimi. Sua maneira de filmar a cidade, o olhar incrível para captar belíssimas imagens e construir cenas deslumbrantes é única. Soma-se isso ao seu talento natural para o terror, somos, por fim, agraciados por um visual espetacular e, ao mesmo tempo, assustador. Quando está livre do roteiro pobre, ele mostra como um diretor talentoso consegue imprimir sua marca mesmo em uma obra que não é propriamente sua e transformar o básico em excelência.

Elenco

Para ajudá-lo nessa luta, um elenco robusto também faz toda a diferença. Principalmente quando temos uma bela surpresa como a jovem encantadora Xochitl Gomez. Atriz mirim que interpreta a adolescente America Chavez, incapaz de administrar seu poder de atravessar universos paralelos e caçada por uma personagem superpoderosa que deseja obter esse poder custe o que custar. Ela ainda tem a sorte de contracenar com Benedict Cumberbatch, um dos melhores atores de sua geração, escalado aqui para ajudar a salvar a menina do grande perigo do filme. Embora não esteja à altura do seu colega Vingador, Elizabeth Olsen, dentro de suas limitações, entrega seu melhor e faz um belo trabalho tanto como Wanda Maximoff quanto como a Feiticeira Escarlate. O filme ainda conta com ótimas participações de Chiwetel Ejiofor, Benedict Wong e Rachel McAdams, repetindo duas atuações como, respectivamente, Baron Mordo, Wong e Dra. Christine Palmer.

Doutor Estranho no Multiverso da Loucura

O roteiro

Antes de mais nada, é necessário informar que o espectador precisa fazer a “lição de casa” e ir para o cinema com, pelo menos três obras da Marvel para embarcar no filme do Doutor. A série WandaVision; o filme Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa e a série animada What If… Mas se você tiver preguiça e não querer se preparar, tudo bem. Você perderá uma ou outra referência, mas entenderá o contexto sem maiores problemas.

Sem entrar muitos detalhes para não estragar a surpresa se quem assiste o filme é basicamente um “pega-pega” entre universos paralelos. Com America Chaves e Doutor Estranho pulando de um mundo para outro, fugindo desse grande mal que quer roubar o poder da jovem e encontrar uma solução para lutar e acabar de vez com esta grande ameaça. Nessas alternâncias de universos, somos surpreendidos por versões diferentes de personagens queridos, assim como a aparição de outros nomes que vão encantar os fãs da Marvel, apesar do pouco tempo de tela.

O elo

Se Doutor Estranho no Mutiverso da Loucura fosse um filme mais “independente”, talvez sua história seria um pouco mais robusta. Mas, infelizmente, ele é tratado apenas como um elo entre uma história e outra da Fase 4 e tudo é literalmente feito na base da correria. Se levarmos em conta a primeira cena extra, o filme, em suma, começa e termina com o personagem principal correndo.

Claro que muitos vão defender com unhas e dentes essa proposta porque vão dizer que no futuro ela fará sentido ao todo. Mas passou da hora da Marvel começar a olhar para o presente e entregar obras mais robustas do que apenas olhar para o futuro e encarar suas produções como engrenagens que um dia poderão mostrar a que veio. Isso é muito pouco para um estúdio que em pouco tempo construiu uma bela história no cinema que esperamos não ter terminado com a morte do Thanos. A Marvel pode mais.

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Doutor Estranho no Multiverso da Loucura – Trailer

Ficha Técnica – Doutor Estranho no Multiverso da Loucura

Título original: Doctor Strange in the Multiverse of Madness
Direção: Sam Raimi
Roteiro: Michael Waldron
Elenco: Benedict Cumberbatch, Elizabeth Olsen, Chiwetel Ejiofor, Benedict Wong, Xochitl Gomez, Rachel McAdams
Data de estreia: quinta, 05/05/2022
Onde assistir: somente nos cinemas
Duração:
 126 minutos
País: Estados Unidos
Gênero: ação, aventura, fantasia, ficção-científica, terror
Ano: 2022
Classificação: 14 anos

Fabio Martins

Santista de nascimento, flamenguista de coração e paulistano por opção. Fã de cinema, música, HQ, games e cultura pop.

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