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The Last of Us – Análise do jogo

Um dos melhores jogos já lançados para o Playstation 3, The Last of Us narra a jornada de Joel e Ellie através dos Estados Unidos, em um mundo devastado por uma pandemia que transformou sessenta por cento da população mundial em monstros irracionais.

A premissa usada no game não é nova e já foi utilizada em outros tantos, como Resident Evil e Dead Rising – ambos da Capcom, além de filmes como Eu Sou A Lenda e Extermínio, e até em histórias em quadrinhos (caso de Zumbis Marvel, The Walking Dead e da minissérie “A Noite Mais Densa”). No caso de The Last of Us, o que torna a trama mais verossímil e assustadora é a causa da infecção: Ophiocordyceps unilateralis, um fungo parasita real que infecta formigas e que sofreu uma mutação, adquirindo a capacidade de contaminar seres humanos.

A história começa com o surgimento do fungo mutante e o início da pandemia, introduzindo Joel, seu irmão Tommy e sua filha Sarah. Vinte anos se passam após o surto inicial e então o jogador é introduzido ao que restou da civilização destruída pela Infecção Cerebral do Cordyceps (ICC).

Como resultado, a população mundial foi reduzida a 40% da total, resultando em um colapso total da sociedade, com o que restou da humanidade vivendo sob lei marcial. As cidades se tornaram zonas de quarentena controladas pelos militares em uma tentativa de conter o avanço do fungo. Com o fracasso da medida, muitas áreas foram simplesmente abandonadas se tornando verdadeiras cidades fantasmas, populadas apenas por infectados e por grupos de caçadores

É impossível falar sobre a história de “The Last of Us” sem fazer revelações sobre momentos importantes do game, que são muitos, então vamos nos focar no ponto central da trama: a relação entre Joel e Ellie durante a jornada da dupla.

A missão de Joel é levar Ellie para fora da cidade e se encontrar com os vaga-lumes, uma milicia antigovernamental surgida após o apocalipse fungal ocorrido 20 anos antes e que acredita ser possível achar uma cura para a ICC. No começo, a menina nada mais é que outro serviço para o veterano sobrevivente, que a trata como se fosse um fardo.

Ao longo da jornada a dupla tem que se defender não apenas dos infectados, mas também de outros humanos: tanto soldados que tentam manter a ordem, quanto caçadores, que tentam sobreviver, a qualquer custo, em meio ao caos e a devastação que tomou conta da sociedade em que imperam a brutalidade, a lei do mais forte e onde, salvas raríssimas exceções, qualquer coisa que se mova deva ser considerada um inimigo em potencial.

Ao se deparar com um inimigo, ou bandos deles, é sempre necessário avaliar qual é a melhor alternativa: lutar ou correr. Existem situações em que é possível avançar sem entrar em combate no decorrer do jogo, mas quando isso não for possível, nunca entre em combate achando que vai conseguir abrir caminho atirando no que aparecer pela frente, pois a Inteligencia Artificial dos inimigos – sejam eles humanos ou infectados, não perdoa o menor descuido, principalmente nas dificuldades mais elevadas. Além disso, ao menor sinal da presença de Joel e Ellie, todos os inimigos da área avançam em grupo pra cima dos dois, munição é um recurso raro que deve ser usado com sabedoria, sendo que desperdiçar balas não é uma opção.

Cada tipo de inimigo reage de maneira diferente e deve ser enfrentado de acordo: Humanos possuem os mesmos recursos que Joel, com a diferença de que a munição deles é infinita e, via de regra, possuem proteção corporal. A melhor estratégia nesse caso é surpreendê-los atacando furtivamente por trás, ou a distancia.
É fácil perceber quando tem inimigos humanos por perto, pois nesses casos, o cenário possui diversas áreas que podem servir de abrigo durante um tiroteio. Os infectados também devem ser evitados sempre que possível e se dividem em quatro estágios que indicam o progresso da infecção: corredores (runners), perseguidores (stalkers), estaladores (clickers) e, finalmente, vermes (bloaters).

verme-the last of usDurante a viagem, Joel e Ellie encontram com frequência infectados no primeiro e terceiro estágios da ICC; Perseguidores e Vermes são extremamente raros, com os últimos servindo como “chefes de fase” em alguns capítulos. Estaladores e vermes são completamente cegos, pois placas do fungo cresceram em suas cabeças, e se orientam por meio de ecolocalização, sendo capazes de ouvir quando Joel se move furtivamente e não devem ser enfrentados com as mão nuas. Em caso de detecção, um infectado avança furiosamente na direção do alvo para mordê-lo e assim transmitir o fungo para um novo hospedeiro.

Como foi mencionado anteriormente, a munição que Joel pode carregar consigo é limitada à capacidade de carregamento das armas que ele leva, então ao fim de um combate, ou ao entrar em uma nova área, é sempre conveniente explorar os arredores em busca de mais. O mesmo vale para itens e os suprimentos necessários para a fabricá-los.

Esse é outro ponto forte do jogo, cada vez que Joel adquire um item novo, ele aprende como fabricá-lo. A partir daí, é uma simples questão de juntar os ingredientes e combiná-los. Um pedaço de gaze e álcool por exemplo, podem ser usados para fabricar tanto kits de primeiros socorros, quanto coquetéis molotov; combinando laminas com gaze são fabricadas facas, indispensáveis ao confrontar estaladores, e por aí vai.

Munições e suprimentos não são as únicas coisas que podem ser encontradas, também existem suplementos, que são usados para melhorar as habilidades de Joel; peças e ferramentas, que melhoram as características das armas; livros de treinamento, que melhoram os itens que Joel pode criar ; e artefatos, que não influenciam diretamente na jogabilidade, porém, ajudam o jogador a conhecer melhor o mundo de The Last of Us, já que revelam a localização de itens, a combinação de abertura de cofres e informações sobre os últimos dias da sociedade antes da infecção, contribuindo assim para a imersão do jogador.

A respeito das peças e suplementos, vale ressaltar que existe uma quantidade limitada desses itens espalhadas pelo mundo, tornando impossível melhorar todas as características de Joel e suas armas durante o jogo.
Os cenários são extremamente bem trabalhados, sendo que em cada novo local explorado os sinais da deterioração ocorrida em 20 anos são evidentes, com as cidades tomadas por musgo e fungos. Em áreas privadas de luz, é possível ver grandes formações do fungo crescendo a partir dos cadáveres de infectados e esporos no ar. Cada ruína, seja de uma casa, um hotel ou o túnel inundado de um metrô, contam sua própria história e expõem a maneira em que as pessoas que se encontravam ali reagiram ao fim da vida que conheciam.

O visual dos personagens e a naturalidade em suas ações também impressionam, seja ao pegar um tijolo no chão, ao mover uma escada ou simplesmente ao acomodar um equipamento recém-adquirido na mochila de Joel . Tudo isso contribui para prender a atenção do jogador, fazendo-o se sentir parte da história.

Os infectados passam por uma transformação a medida que o fungo toma posse de suas mentes e corpos e apaga sua The-Last-of-Us-infectadoshumanidade no processo e, a medida que isso ocorre, eles passam por mudanças físicas, se tornando mais grotescos a cada estágio, refletindo assim a perda da humanidade.

Em termos de oponentes, concepts iniciais mostravam os infectados mutados em criaturas de aparência insectóide, com garras e olhos grandes e brilhantes (possivelmente uma referencia ao hospedeiro original do cordyceps), porém no final foi decidido por manter a aparência humanoide tornando os monstros mais desconcertantes. Haviam também planos para incluir outros animais infectados pelo fungo (no caso, um elefante), mas infelizmente isso foi deixado de fora

Voltando a Joel e Ellie, como foi dito anteriormente, Joel a princípio procura não se envolver emocionalmente com sua “encomenda”, mas a medida que os dois viajam juntos, vão se tornando mais próximos e Ellie mostra que não é uma mocinha indefesa, ajudando ativamente Joel a superar os obstáculos que os dois encontram, salvando sua vida diversas vezes ao longo do jogo e ajudando-o a acessar lugares que ele não conseguiria sozinho. Aos poucos ela passa a ser considerada por Joel como uma segunda filha, algo que influencia – e muito – no final do jogo. Por último, ao finalizar o game em um determinado nível de dificuldade, a função “new game +” é habilitada para aquela dificuldade, permitindo começar uma nova partida mantendo os melhoramentos feitos em Joel e seus equipamentos no jogo anterior.

Enfim, podemos dizer que The Last of Us veio para encerrar o ciclo do Playstation 3 com chave de ouro, utilizando ao máximo a todos os recursos do console e consegue, com sucesso, fazer com que o jogador sinta que de fato participou da longa jornada de Joel e Ellie. A maior prova disso é que eu, que nunca fui fã do gênero Survival Horror, acabei mudando de opinião.

Francisco G. Prado
formado em Tecnologia Superior em Jogos Digitais pela PUC-SP, especializado em crítica de videogames, apaixonado por games e quadrinhos e escritor de fanfictions nas horas vagas.
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