Pantera Negra | Crítica do filme

Um dos embates mais simplórios entre fãs da Marvel e da DC Comics diz que o grande motivo da primeira fazer enorme sucesso e deixar a segunda comendo poeira é porque seus filmes são bem-humorados e coloridos e o grande público não tem interesse pelo peso dramático, seriedade e densidade das produções dos “super amigos”. Balela. “Pantera Negra” prova que esse discurso não faz nenhum sentido. Além de ser o longa mais sério, ele é – ao lado de “Capitão América 2: O Soldado Invernal” – o melhor filme do Universo Marvel.

Antes de tudo, Pantera Negra é sim um filme sobre representatividade e diversidade. Dirigido, produzido e com um elenco praticamente formado por profissionais negros, ele exalta a cultura africana, suas belezas naturais, religiosidade, costumes. tradições e figurinos, além de destacar as mulheres em papéis importantes em posições importantes, seja como militares, estrategistas e cientistas.

A história do filme se passa logo após os acontecimentos de Capitão América: Guerra Civil, onde o príncipe T’Challa (Chadwick Boseman) precisa assumir o lugar do seu falecido pai e ocupar o trono de Wakanda. Formado por diversas tribos, o país fictício vive um dilema que divide os súditos: Uns acham que o local precisa continuar escondendo do mundo a sua riqueza e tecnologia enquanto outros acreditam que é hora de Wakanda colocar o seu poderio bélico para impor perante outras nações e não ser tratada mais apenas como uma simples aldeia africana. Para complicar ainda mais a situação, o vilão Erik Killmonger (Michael B. Jordan) aparece para pleitear o trono e se tornar o novo Pantera Negra.

Assim como Logan, Pantera Negra é e ao mesmo tempo não é um “filme de super herói”. Não existe uma força sobrenatural ou plano de dominação mundial a ser combatido. É uma jornada do herói, uma luta pelo poder e herança pelo trono de Wakanda. Trata-se do filme mais ousado do Universo Marvel, praticamente sem piadas, com uma história sólida, personagens cativantes e com o melhor vilão que a Marvel já colocou nas telas de cinema.

Grande responsável pela qualidade de Pantera Negra é o diretor e roteirista Ryan Coogler. Além de ter feito um excelente trabalho tanto na direção, quanto no roteiro, acertou em cheio na escalação do elenco. Não é nenhum exagero afirmar que Chadwick Boseman, Michael B. Jordan, Lupita Nyong’o, Danai Gurira, Daniel Kaluuya, Letitia Wright, Sterling K. Brown, Angela Bassett, Forest Whitaker, John Kani, Andy Serkis e Martin Freeman é o melhor time de atores reunidos em um filme solo de herói Marvel.

Sem contar que em seu terceiro longa, Coogler repete pela terceira vez a parceria com Jordan. Eles trabalharam juntos no belo drama “Fruitvale Station: A Última Parada”, no ótimo “Creed: Nascido Para Lutar” e agora em Pantera Negra onde o ator faz um vilão inesquecível, com motivação e razões compreensíveis pela sua luta e desejo de vingança.

O elenco feminino é outro ponto forte de Pantera Negra. Danai Gurira está incrível como Okoye, a líder da guarda real de Wakanda, assim como Lupita Nyong’o no papel de Nakia, uma das agentes secretas da guarda real e par romântico de T’Challa no filme. Destaque também para a jovem Letitia Wright (que ganhou destaque na quarta temporada de Black Mirror estralando o episódio Black Museum) interpretando Shuri, irmã do novo rei, responsável pelas criações tecnológicas do país e alívio cômico do filme.

Pantera Negra é um filme belíssimo e de extrema importância para os dias atuais. Numa época em que presidente de uma grande nação classifica as nações africanas como “buracos de merda” ver uma empresa como a Disney esfregar na cara desse cidadão toda a magnitude, beleza e força da cultura africana é extasiante. Wakanda Forever!!!

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Fabio Martins
Santista de nascimento, flamenguista de coração e paulistano por opção. Fã de cinema, música, HQ, games e cultura pop.