Mãe! | Crítica do novo filme de Darren Aronofsky

Para o bem e para o mal, Mãe! – novo trabalho do cineasta Darren Aronofsky – será o filme mais comentado do ano. O diretor é um grande provocador e se você abrir a sua cabeça e entrar na proposta dele, com certeza se encantará com o filme estrelado por Jennifer Lawrence, Javier Bardem, Michelle Pfeiffer e Ed Harris.

Muito pouco foi falado sobre o filme antes de sua estreia, apenas um trailer foi divulgando dando uma impressão errônea de que Mãe! se tratava de um filme de terror e, principalmente, inspirado no clássico O Bebê de Rosemary, de Roman Polanski. Nem uma coisa, nem outra. Ele é perturbador e inquietante, que deixa o espectador perturbado e até claustrofóbico, pois toda a trama se passa dentro de uma casa vitoriana no meio do nada.

Nesta casa, moram um poeta com bloqueio criativo e a Mãe!, que reconstruiu cada cômodo do lugar depois dela ser destruída por um incêndio. Apenas um cristal sobreviveu a tragédia e é guardado pelo escritor como seu bem mais precioso. Faltando poucas mãos de tinta para finalizar a reconstrução do lugar, eis que um homem aparece repentinamente e é convencido pelo dono da casa a passar a noite ali, contra a vontade da mãe. A situação começa a fugir do controle depois que a esposa deste homem chega e começa a mexer com a vida até então pacata do casal.

Dividido em três atos, na primeira parte de Mãe! conhecemos um pouco sobre os personagens de Lawrence e Bardem e como é a sua rotina, longe de praticamente tudo e todos. No segundo ato, conhecemos o homem, a mulher e os acontecimentos que irão mexer com a vida do casal e prepara o terreno para o arrebatador, confuso e hipnotizante que chocará o espectador com os acontecimentos e onde ele finalmente descobrirá do que se trata.

Mãe! é o tipo de filme que quanto menos o espectador souber a respeito, melhor. Muita informação pode estragar toda a proposta de Aronofski que, como em grande parte de sua obra, gosta de cutucar assuntos polêmicos e, principalmente, religiosos. Aqui não é diferente. A religião é o principal fio da meada, mas feminismo, ambientalismo, política, adoração, violência, destruição, fama, maternidade, entre outras questões, são abordadas de maneira brilhante para fundir a cuca do espectador.

Uma dos destaques do filme é o trabalho de Aronofsky com a câmera. Sempre centrada no personagem de Lawrence, ela é inquietante, intrigante e sufocante, mostrando o ponto de vista da protagonista e suas reações quando outros personagens interagem com ela. Uma bela escolha do diretor, que faz um belíssimo trabalho, mostrando mais uma vez que é um dos melhores cineastas de sua geração e um dos poucos que conseguem transitar com tranquilidade entre o cinema comercial e o independente.

Enfim, Mãe! é o tipo de filme que não passará de maneira indiferente a quem assiste. É daqueles trabalhos que será amado ou odiado e fruto de muitas discussões sobre suas propostas e a maneira como ela foi contada. É o tipo de obra que será muito mais apreciada se o espectador entrar no cinema com a cabeça totalmente aberta e com vontade de ver algo realmente diferente.

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Fabio Martins
Santista de nascimento, flamenguista de coração e paulistano por opção. Fã de cinema, música, HQ, games e cultura pop.