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Lado C #02: Pelos Caminhos do Inferno

O pesadelo alcoólico filmado no outback australiano é um verdadeiro tesouro há pouco desenterrado do limbo cinematográfico. Uma descida alucinante ao inferno que deixa o expectador com ressaca moral. O filme do canadense Ted Kotcheff – que tem em seu eclético currículo trabalhos como Rambo – Programado Para Matar (1982), De Volta Para o Inferno (1983) e Um Morto Muito Louco (1989) – funciona como uma experiência sensorial. Sufoca, desespera, subjuga, mexe com as entranhas.

Em Pelos Caminhos do Inferno (Wake in Fright, Austrália, 1971), Gary Bond é John Grant, um professor de uma escola primária caindo aos pedaços em Tiboonda, um vilarejo miserável encravado no deserto australiano. Quando consegue suas tão sonhadas férias, ele só pensa em viajar para Sidney e encontrar sua bela namorada surfista. No entanto, para chegar a seu Eldorado, Grant precisa pegar um trem até a cidade de Bundanyabba antes, pois apenas de lá conseguirá embarcar em um avião ao seu destino final. Mas Yabba não quer largar dele.

Como seu voo é apenas na manhã seguinte, o professor resolve ir ao bar local tomar umas para espairecer. Lá, ele encontra o xerife local, que mostra uma das características peculiares da população local, a de ficar extremamente ofendido se alguém não aceita um copo de cerveja oferecido.

Assim como o expectador, Grant se vê preso em uma armadilha sem fim. Sem um tostão no bolso após perder tudo em um jogo local de moedas, ele vaga de um lugar a outro da cidade acompanhado por “amigos” em uma bebedeira frenética que o leva, entre outras coisas, a se envolver com uma ninfomaníaca esquisita, ter uma experiência homossexual no decrépito barraco do alucinado Dr. Tydon (o excelente Donald Pleasence), e participar de uma febril e brutal caçada a cangurus.

Aliás, a saga da tal caçada é a cereja desse bolo dos infernos. É impressionante e, definitivamente, desaconselhável a estômagos fracos. A crua matança de cangurus gela a espinha de qualquer marmanjo, e culmina em uma luta mano a mano com um dos bichos. Uma das sequências mais bizarras da história do cinema.

Prepare-se para uma viagem turbulenta e nada agradável com destino ao inferno. E não se esqueça do Engov.

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Rafael Argemon
Rafael Argemon é jornalista com mais de 15 anos de experiência em mídia online. Passou por portais como NetGol, Estadão, R7, MSN e UOL. Já atuou na editoria de esportes, TV, cultura e games. Também trabalhou como tradutor de filmes e programas de TV, traduzindo mais de 200 títulos entre ficção, documentários, animações, séries e reality shows. Atualmente é editor da Time Out São Paulo, publicação que faz parte de uma rede presente em mais de 50 cidades espalhadas por mais de 30 países.
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Rafael Argemon é jornalista com mais de 15 anos de experiência em mídia online. Passou por portais como NetGol, Estadão, R7, MSN e UOL. Já atuou na editoria de esportes, TV, cultura e games. Também trabalhou como tradutor de filmes e programas de TV, traduzindo mais de 200 títulos entre ficção, documentários, animações, séries e reality shows. Atualmente é editor da Time Out São Paulo, publicação que faz parte de uma rede presente em mais de 50 cidades espalhadas por mais de 30 países.