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Homem-Aranha: De volta ao Lar – A HQ

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O filme Homem-Aranha: De Volta ao Lar estreou nos cinemas brasileiros há pouco mais de duas semanas e já está perto de fazer 10 milhões de dólares em arrecadação. Primeiro filme do aracnídeo após sua participação especial em Capitão América: Guerra Civil, o filme traz um jovem Peter Parker aprendendo a lidar com a grande responsabilidade trazida por seu grande poder. O Dimensão Geek já viu e nossas impressões estão aqui.

De Volta ao Lar também é o nome de um encadernado do personagem publicado aqui pela Salvat, em 2013. E esse é o primeiro ponto para debatermos aqui. Quer dizer que o filme é uma adaptação dessa HQ e seria legal eu ler antes? Não. O gibi de De Volta ao Lar é bem diferente da história contada na telona e, para ser sincero, se você é um leitor novato, a HQ pode trazer algumas dúvidas pela distância com o Homem-Aranha do Universo Cinematográfico da Marvel.

Mas, como o negócio aqui é falar de boas histórias como um todo, seja pra quem é veterano ou para quem nunca pegou um gibi na vida, nas linhas a seguir, comento um pouco sobre o porquê de De Volta ao Lar ser uma leitura quase obrigatória para os fãs do Aranha, independente da mídia.

Um lar pra voltar

A capa brasileira do encadernado da Salvat

Mesmo com tramas completamente diferentes, a volta ao lar nas duas histórias fica bem explicada. No filme, Parker precisa encontrar a si mesmo e relembra um pouco de seus primórdios como Homem-Aranha. Já no gibi, temos um Peter adulto (longe dos dilemas juvenis), mas que também está precisando se encontrar e, mais do que nunca, sente-se “longe de casa”.

Contudo, as angústias continuam. Ele está separado de Mary Jane Watson – com quem já é casado há alguns anos nas HQ’s – e tentando convencer a si mesmo de que ficar longe da ruiva é mais seguro para ela, dada a vida maluca de seu alter ego. A ideia de revisitar origens também aparece quando o rapaz se torna professor de química na escola Midtown, onde estudava quando ganhou seus poderes.

Nesse momento, a vida do Aranha se complica mais uma vez. Cruza o caminho do Teioso um homem estranho chamado Ezekiel. O mais misterioso dessa história é que ele tem essencialmente os mesmos poderes do Peter e, segundo o homem, ambos estão na mira de um assassino chamado Morlun, uma criatura mística que os tem como “inimigos naturais”.

É em meio a esse turbilhão de coisas que a HQ se desenvolve. Com Peter Parker tentando se reinventar como pessoa, pensando em tudo que viveu até ali e com um estranho misterioso batendo à sua porta para convencê-lo de que seus poderes aracnídeos são mais do que uma obra do acaso.

Ciência e misticismo

De volta ao Lar é um gibi que poderia ter dado muito errado. Ele tira o Aranha de sua zona de conforto mais antiga – a origem de seus poderes – e coloca elementos místicos na história. Algo que poderia não funcionar com alguém que é tão ligado à ciência como Peter Parker.

No entanto, o roteiro de J. Michael Straczynski  e a arte de John Romita Jr, um dos desenhistas mais conhecidos e queridos do universo do Aranha, fazem com que tudo vá bem. No meio da história, já não importa mais quantos outros arcos do Aranha você tenha lido. Não faz mais diferença dada a concentração de novos elementos apresentados aqui.

A grande sacada de Straczynski é justamente essa. Ele te coloca lado a lado com Peter para tentar entender tudo que está acontecendo. Sempre com o ponto de vista dele e de sua cabeça de cientista. Com pontos que fazem você partilhar o sentimento de desespero do personagem quando Morlun se aproxima sem poder ser vencido e pela leveza das participações da sempre presente Tia May, que mostra o quanto é personagem essencial ao Aranha e seus leitores. Junte tudo isso à incrível perseverança de Peter Parker e o resultado é uma publicação da melhor qualidade. Em todos os sentidos da palavra, como se podia esperar do Amigão da Vizinhança.

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Carlos Bazela
Jornalista e leitor compulsivo, é movido por chá preto, cerveja e boas histórias. Principalmente aquelas contadas por desenhos e balões.
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