Homem-Aranha: De Volta ao Lar | Crítica do filme

Já dizia aquele ditado: “O bom filho a casa torna”. Por isso, nada mais sugestivo que o nome do novo filme do Homem-Aranha, um dos personagens mais icônicos dos quadrinhos, seja “De Volta Ao Lar”. Claro que a Sony ainda detém os direitos do personagem, mas é inegável que esse “retorno” ao Universo Marvel fez incrivelmente bem ao Cabeça de Teia que foi premiado com um filme a altura de sua magnitude.

Homem-Aranha: De Volta ao Lar é mais uma prova de que a Marvel dá um banho na concorrência quando falamos em filmes de super-heróis. Seja ele fidedigno ou não ao que estamos acostumados a ler nas HQs, o resultado na telona é exuberante e que se encaixa perfeitamente não apenas no seu universo quanto na construção do personagem. Somando essa qualidade da produtora a um diretor desconhecido com um belo filme independente na bagagem, um roteiro delicioso, um protagonista pra lá de carismático, um elenco jovem muito bem escolhido, ótimos coadjuvantes e um grande ator no papel de um excelente vilão, o resultado só poderia ser um filmaço.

Com apenas dois longas no currículo, Jon Watts recebeu a difícil missão de trazer de volta a dignidade do Homem-Aranha, que foi jogada no limbo em seus três últimos filmes. Mas o jovem diretor, que em 2015 dirigiu o excelente A Viatura (Cop Car – 2015), estrelado por Kevin Bacon, conseguiu realizar um belíssimo trabalho e entregar um filme que só não é superior ao Homem-Aranha 2 (Spider-Man 2 – 2004).

Além do diretor, outra grande força de Homem-Aranha: De Volta ao Lar é o seu elenco: Tom Holland é o Peter Parker que todo fã do Amigão da Vizinhança gostaria de ver. Michael Keaton acerta em cheio no tom do vilão Adrian Toomes /Abutre. Robert Downey Jr. (Tony Stark / Homem de Ferro), Marisa Tomei (Tia May) e Jon Favreau (Happy) são excelentes coadjuvantes e, ao invés de roubarem o espaço do jovem aracnídeo, ajudam-no a brilhar. O elenco juvenil é encantador e parece ter saído de um filme do saudoso John Hughes. Jacob Batalon (Ned), Laura Harrier (Liz), Tony Revolori (Flash) e Zendaya (Michelle) se encaixam de maneira tão perfeita que nos faz lembrar de “O Clube dos Cinco” (The Breakfast Club – 1985).

A história de Homem-Aranha: De Volta ao Lar começa antes de participação do Cabeça de Teia em Capitão América: Guerra Civil (Captain America: Civil War – 2016). Ela se inicia logo após os acontecimentos de Os Vingadores (The Avengers – 2012) e Os Vingadores: A Era de Ultron (Avengers: Age of Ultron – 2015), quando Adrian Toomes resolve caçar os destroços alienígenas em Nova Iorque para construir novas e poderosas armas. Saltando para os eventos que culminou na briga entre Tony Stark e Steve Rogers, vemos o jovem Peter Parker, deslumbrado com a possibilidade de se tornar um Vingador e extremamente ansioso por uma nova missão ao lado do Homem de Ferro e sua nova turma. Enquanto isso, ele precisa lidar com o tédio de ser um herói a serviço do nada, vencer a timidez para conquistar a garota mais popular da escola, evitar sofrer bullyng todo santo dia e conviver com sua nerdice. Cansado de esperar pelo tão sonhado convite, o Amigão da Vizinhança resolve agir sozinho e enfrentar o Abutre mesmo sem o aval do seu tutor, Homem De Ferro.

Tudo em Homem-Aranha: De Volta ao Lar é muito bem dosado. Principalmente as cenas de ação e efeitos especiais. Ao invés de exagerar a mão para cobrir uma história fraca, a Marvel focou numa bela trama e utilizou esses recursos técnicos como recursos para fortalecer uma boa história. A nova aventura do Cabeça de Teia é, além de um ótimo filme, um presentaço para os fãs do personagem.

Homem-Aranha: De Volta ao Lar
Direção: Jon Watts
Roteiro: Jonathan Goldstein, John Francis Daley, Jon Watts, Christopher Ford, Chris McKenna e Erik Sommers.
Elenco: Tom Holland, Michael Keaton, Robert Downey Jr, Marisa Tomei, Jon Favreau, Jacob Batalon, Laura Harrier, Tony Revolori e Zendaya.

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Fabio Martins
Santista de nascimento, flamenguista de coração e paulistano por opção. Fã de cinema, música, HQ, games e cultura pop.