Guardiões da Galáxia Vol2 | Crítica do filme

Um filme, um game e uma trilha sonora – sem falar em um monte de brinquedos e outros produtos licenciados – é dessa forma que Guardiões da Galáxia chegam dominando a cena pop & cult em 2017. De personagens lado C da Marvel, o grupo tornou-se um dos queridinhos dos fãs de quadrinhos e do mercado. Sim, houve aquela reformulação na saga Aniquilação que nos presenteou com a “atual” formação que conhecemos, mas foi a sagacidade do diretor James Gunn que os levou ao sucesso. E, claro, o roteiro do primeiro filme escrito com Nicole Perlman, que será responsável pelo script de mais um filme cósmico da “Casa das Ideias”, a tão aguardada Capitã Marvel, protagonizada por Brie Larson.

Até ser selecionado para dirigir o filme, Gunn era um roteirista de obras como Scooby-Doo (2002), Scooby-Doo 2: Monstros à Solta (2004), Madrugada dos Mortos (2004), ao lado de George Romero, e tinha dirigido comédias como Seres Rastejantes (2010), com Nathan Fillion e Elizabeth Banks, e Super (2010), com Rainn Wilson e Liv Tyler. E não podemos esquecer a webserie “PG Porn”, criada por ele ao lado de seus irmãos Brian e Sean. Explicando rapidamente, a obra consistia em paródias pornográficas, incluindo um capítulo sobre Charlie Brown, com um evento humorístico ocorrendo pouco antes do suposto início de atos sexuais. O mote da série era “para os povos que amam tudo sobre a pornografia … exceto o sexo”.

Toda essa apresentação explica a maior quantidade de piadas, chistes, gags e graça em Guardiões da Galáxia Vol.2. Afinal, a continuação é dirigida e escrita exclusivamente por ele. Se no primeiro filme tínhamos um equilíbrio entre aventura e comédia, o segundo é muito mais uma comédia com ação. Não que isso seja ruim, mas apenas como comparação, o primeiro tem o espírito de Aventureiros do Bairro Proibido, já o outro é um Os Caça-Fantasmas. Entendeu?! Ambos são obras clássicas dos anos 1980, divertidas e com personagens memoráveis, mas cada um dá um peso diferente à comédia.

Mas o filme também tem espaço para questões como amizade, relacionamentos amorosos e familiares, em especial, paternidade. Como Gunn mesmo afirmou na première do filme: “Se o primeiro filme era sobre aprender a amar as pessoas, o segundo é sobre aprender a se deixar ser amado por elas” e completou “enquanto o filme de 2014 fala de maternidade, sua sequência aborda a relação pai e filho”

É inegável que o filme é maior, com mais personagens, “locações” e participações. A começar pelo próprio Kurt Russel que rouba a cena como Ego, o pai de Peter Quill ou Star-Lord (Cris Pratt). A química dos dois atores é perfeita e não poderia ser diferente. Afinal, Russel foi a escolha de Pratt para o personagem e inspiração para sua interpretação. Sylvester Stallone aparece em uma cena do filme como Stakar Ogord, mais conhecido como Starhwak, e depois nas cenas dos créditos, ao lado de Vig Rhimes, Michael Roseblum, Michelle Yeoh, Miley Cyrus, alguns interpretando parte da versão original dos Guardiões das HQs, como Charlie-27, possivelmente Martinex, e Aleta Ogord. Já a cantora faz a voz de Mainframe – sim, você leu certo, não existem cena pós-créditos, mas cinco cenas durantes os créditos. Aliás, elas são uma diversão a parte, algumas servem apenas como mais oportunidade de fazer ainda mais piadas, enquanto outras possuem maior importância, revelando o que que vem por aí no terceiro episódio. Além delas, não faltam cenas e citações que agradarão muitos. Desde mais aparições de personagens e entidades do Universo Marvel, a homenagem a Hitchock e elementos dos anos 80, como games clássicos e séries.

Um filme com tantos personagens, só na equipe são cinco, mas os agregados e vilões, entre eles, Yondu (Michael Rooker), Nebula (Karen Gillian), Ayesha (Elizabeth Debicki), Mantis (Pom Klementieff), Kraglin (Sean Gunn) e Meredith Quill (Haddock) e equipes e planetas repletos de outros, demandam vários argumentos secundários. Felizmente, há espaço para todos despontar, divertir e, acima de tudo, resolver suas questões, sejam elas internas ou externas.

E um filme maior, precisa de uma trilha musical que acompanhe essa evolução. Se no primeiro filme, já ficamos apaixonados com a sua playlist que casava perfeitamente com o espírito dele, a Awesome Mix Vol.2 é parte essencial da sequência. Apesar de estranhamente Brandy, interpretada pela banda Looking Glass, ficar fora da trilha que foi lançada comercialmente, é essencial para entender o funcionamento de Ego, tanto que ela toca duas vezes, logo no começo do filme e depois declamada pelo próprio. As canções escolhidas não só descrevem o que vemos em cena, como muitas vezes já prenunciam o que veremos durante ao filme ou revelam exatamente os sentimentos que os personagens tentam esconder.

Aliás, a segunda cena do filme pode ser chamada de videoclipe. Nela, vemos os Guardiões enfrentando o monstro do trailer ao som de Mr. Blue Sky, da banda Eletric Orchestra Light, enquanto Baby Groot curte toda a sonoridade da canção. Como se nada mais importasse, a não ser o momento e a diversão. Mais focada no rock, a trilha traz nomes como, Fleetwood Mac, George Harrison, Cheap, Trick, entre outras. E em um dos pontos altos do filme somos presenteados com Father & Son, de Cat Stevens, atualmente, Yusuf Islam.

Ainda sobre a trilha, apesar de ouvirmos Suffragette City, de David Bowie, em um dos materiais promocionais, não temos ela no filme. Gunn afirmou que não só queria mais uma canção de Bowie em seu filme, como também desejava que o “Camaleão” participasse atuando nele. Mas, infelizmente, com a morte do cantor, isso não foi possível.

Isso só revela quais as aspirações e o carinho de Gunn tem para a franquia. Guardiões da Galáxia Vol.2 é mais um sucesso dos Estúdios Marvel. Tanto que o grupo tem presença garantida em grupo no filme Guerra Infinitas e que ganhará mais uma sequência. Como Rocket Racoon diz: “Vamos poder subir nosso preço se salvarmos a galáxia duas vezes. ”

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Fabio Martins
Santista de nascimento, flamenguista de coração e paulistano por opção. Fã de cinema, música, HQ, games e cultura pop.