Expresso do Amanhã| Crítica do filme

Primeiro longa-metragem em língua inglesa do excelente diretor sul coreano Bong Joon-Ho (Memórias de um Assassino, Murder, O Hospedeiro), Expresso do Amanhã é uma ótima fábula sobre política e, principalmente, sobre luta de classes sociais baseada em uma HQ francesa chamada O Perfuraneve.

Com Chris Evans (o Capitão América) no papel principal (Curtis), o filme se passa dentro de um gigantesco trem, que não para nunca, onde permanecem os sobreviventes da Terra após o planeta ser tomado por uma nova era do gelo. Dentro desse expresso, os vagões são divididos em classes sociais. Os mais ricos ficam mais na frente e os miseráveis, vão pro fundo do trem onde vivem sobre terríveis condições. Uma hora, claro, os dominados se rebelam e partem pra cima dos dominantes para buscarem seu lugar ao sol, ou melhor dizendo, na frente do Expresso do Amanhã.

Assim como em seus trabalhos anteriores, Bong Joon-Ho mescla ação, humor e drama resultando em uma ótima experiência. A questão da revolução das massas é muito bem explorada pelo diretor que conta com um elenco competente que, além de Evans, conta com Ed Harris, Jamie Bell, Tilda Swinton, John Hurt e Song Kang-Ho (ator sul coreano que está presente em quase todos os filmes do diretor).

Além da luta de classes, Expresso do Amanhã toca em outro assunto interessante, que é a nossa vontade de romper barreiras e querer explorar o que não conhecemos. Para atingir seus objetivos, Curtis conta com a ajuda de dois personagens insanos que querem a todo custo parar o trem e tentar ssbreviver na era glacial. Um fato curioso é que um desses personagens tem um tipo de deficiência mental. Esse tipo de deficiente tem em praticamente todos os trabalhos do diretor, onde ele é uma espécie de espectador que tem sempre algo importante a fazer na trama do filme.

O outro fator positivo de Expresso do Amanhã é a maneira que o filme explora o jeito que vivemos atualmente, com cada um pensado nos seus, pouco se importando com os outros e incapazes de nos colocarmos no lugar dos nossos semelhantes em situação pior do que a nossa. Trata-se de uma bela experiência cinematográfica de um diretor que, apesar da pouca idade (45 anos), é um dos profissionais mais interessantes da atualidade.

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Fabio Martins
Santista de nascimento, flamenguista de coração e paulistano por opção. Fã de cinema, música, HQ, games e cultura pop.