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Doutor Estranho | Crítica do filme

Uma das principais características da Marvel é a coragem em arriscar sua filmografia, dando protagonismo a personagens e grupos bastante desconhecidos do grande público. Foi assim com Homem de Ferro, Guardiões da Galáxia e o Homem-Formiga, por exemplo. Doutor Estranho não foge à regra. Embora seja uma das grandes criações de Stan Lee e Steve Ditko nos quadrinhos, ele não significa absolutamente nada para as pessoas que conhecem o Universo Marvel apenas no cinema. Agora elas terão a oportunidade não apenas de conhecê-lo, mas também de ver outro belo filme da produtora nas telonas.

Estrelado por Benedict Cumberbatch, o longa marca o início de uma nova e promissora fase da produtora. Na história o doutor Stephen Strange é um bem sucedido e arrogante cirurgião de Nova Iorque que, após um acidente de carro danificar severamente suas mãos, entra em desespero porque vê sua brilhante carreira chegar ao fim. Depois de gastar sua fortuna atrás de uma cura pela medicina tradicional, ele viaja ao Nepal em busca de uma cura espiritual, apesar de não acreditar nesse tipo de “milagre”. Ao abrir sua mente, ele descobre seus poderes e inicia o seu caminho para se tornar o mago supremo do Universo Marvel.

Um dos pontos altos do filme é o elenco. Cumberbatch (Sherlock, O Hobbit, Star Trek) é a melhor escolha da Marvel para um papel principal desde a escalação de Robert Downey Jr como Tony Stark. Ele é a encarnação do Doutor Estranho das HQs, não apenas no aspecto físico, mas também no tom e postura do personagem. Outros grandes atores reforçam o elenco. Mads Mikkelsen (o doutor Hannibal Lecter, da série Hannibal) está muito bem no papel do vilão Kaecilius, uma espécie de representante do Dormammu, o principal antagonista do doutor. Embora esteja num papel menor, Chiwetel Ejiofor, que contracenou com Cumberbatch no premiado 12 Anos de Escravidão, consegue se destacar e seu personagem (Mordo) ganhar maior importância na sequência do longa.

Rachel Mcadams, que interpreta a enfermeira Christine Palmer, desempenha muito bem a função de alívio cômico e par romântico de Stephen Strange. Importante ressaltar que antes de filmar Doutor Estranho, ela vinha de dois ótimos trabalhos como Spotlight (vencedor do Oscar de Melhor Filme) e da segunda temporada de True Detective. Mas quem detona realmente é Tilda Swinton (Precisamos Falar Sobre Kevin, Expresso do Amanhã, As Crônicas de Nárnia, Constantine, A Praia), que está perfeita no papel da Anciã. Ao lado de Cumberbatch ela é o grande nome do filme.

Apesar de redondinho e genérico demais, o roteiro de Doutor Estranho funciona bem para um filme que inicia essa nova fase da Marvel. Ele se assemelha em muitos aspectos ao primeiro Homem de Ferro: personagem arrogante, playboy, filantropo, genial… que descobre seus poderes, pena para se acertar com eles, se encontra no meio do caminho e vai lutar contra o vilão do filme. Mas é muito bem resolvido, sabendo dosar muito bem a parte mística, com ação, aventura e humor, resultando num produto de qualidade, onde todos os elementos funcionam perfeitamente.

Como se isso não fosse o suficiente, Doutor Estranho conta com um visual incrível, que literalmente leva o espectador para uma viagem extraordinária. Em algumas cenas, é possível comparar o longa com A Origem, de Cristopher Nolan e de Matrix, dos irmãos Watchovskis. Mas não é uma simples comparação. O resultado é tão deslumbrante, que supera essas duas produções. Assista o filme em cópia 3D e, de preferência, em uma tela IMAX. Acredite. Isso faz a diferença.

Não dá para afirmar, porém, que Doutor Estranho é o melhor ou um dos melhores filmes da Marvel. Ele é, talvez o mais maduro, mas ainda está bem abaixo do primeiro Homem de Ferro, de Capitão América 2: O Soldado Invernal e Capitão América: Guerra Civil, por exemplo. Mas é um ótimo filme, que vai proporcionar muitas discussões sobre o que vem pela frente no Universo Marvel e,principalmente, sobre o futuro dos Vingadores.

Como é de praxe nos filmes da Marvel, existem duas cenas extras no filme. Uma durante os créditos – que faz referência aos Vingadores e dialoga diretamente com um dos personagens da equipe – e uma após os créditos, que mostra quem será o vilão da sequência de Doutor Estranho.

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Fabio Martins
Santista de nascimento, flamenguista de coração, paulistano por opção. Ama vídeo game, cinema, séries, música, nerdices e cultura pop em geral.
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