Crítica: Birdman é o grande favorito ao Oscar 2015

Vencedor do Globo de Ouro 2015 nas categorias melhor roteiro (Alejandro González Iñárritu) e melhor ator de comédia ou musical (Michael Keaton), vencedor do PGA 2015 na categoria Melhor Filme e grande favorito ao Oscar 2015 com nove indicações, Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) estreia nessa quinta-feira justificando todas as premiações e indicações que recebeu.

Escrito e dirigido por Iñárritu, Birdman é uma critica bem humorada ao show business e, ao mesmo tempo, um estudo sobre a criação de um personagem em um espetáculo de teatro. O filme conta a história de Riggan Thomson (Michael Keaton um uma atuação excepcional), um ator famoso que entrou em decadência ao negar interpretar o super-herói Birdman no quarto filme da série (atitude que Keaton conhece bem, pois ele se recusou a interpretar Batman no terceiro longa do Homem-Morcego).

Atitude que acabou jogando a carreira de Thomson no limbo, pois ninguém o chamava para papéis sérios depois da sua jornada como Birdman. Para tentar se reerguer, ele resolve dirigir e estrelar uma montagem tendo, ainda, que lidar com o ego de um ator em ascensão que entrou no elenco na última hora (Mike Shiner, interpretado por Edward Norton), reatar as relações com a filha (Sam, vivida por Emma Stone), que acabou de sair de uma clínica de desintoxicação e aguentar os puxões de orelha do seu produtor (Jake, interpretado por um comedido e surpreendente Zach Galifianakis).

Além do elenco afiado, ótimo roteiro, muito bem humorado e com excelentes sacadas, a direção de Iñárritu é maravilhosa e o grande destaque do longa. O filme se passa praticamente dentro do teatro, dando a impressão de que foi feito numa tomada só, sem cortes. Mas, na verdade, o diretor de Birdman utiliza do mesmo recurso que já foi usado por Alfred Hitchcock em Festim Diabólico e filma diversos planos-sequência, cortando em momentos imperceptíveis para o espectador para conseguir esse efeito. Mesmo assim são diversas tomadas longas, num ambiente praticamente fechado e muito difícil de realizar.

Birdman não é uma obra-prima e não pretende ser. É sim um grande filme, que vem na contramão do que Hollywood faz atualmente e faz uma autocrítica maravilhosa do cinema, da crítica especializada, do teatro, do fracasso e do sucesso, sem perder o bom humor.

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Fabio Martins
Santista de nascimento, flamenguista de coração e paulistano por opção. Fã de cinema, música, HQ, games e cultura pop.