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CCXP 2015| Minha primeira Comic Con

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As idas e vindas de um sujeito sem grande qualificações pelos corredores da CCXP 2015

Dizem que a primeira vez a gente nunca esquece. Porque foi muito bom, porque foi muito ruim ou só porque foi. Dessa vez não foi diferente. Entre tapas e beijos, eu e a CCXP 2015 estabelecemos uma complexa relação inesquecível. Pelo menos até a próxima edição, que o coração nerd tem razões que só o coração nerd conhece.

Temendo quebrar a cara, li todos os guias disponíveis em blogs, vlogs e caixas de fósforos a que tive acesso, e ainda assim experimentei momentos de angústia, solidão e dor nos pés. Isso porque não existe nada que nos possa preparar para a vida ou uma Comic Con. Não adianta planejar, criar regras, estabelecer rotas seguras se o evento depende de terceiros para sua organização.

A primeira lição que aprendi na CCXP 2015 foi que as vans gratuitas que fazem o trajeto do Jabaquara até a Comic Con são raras e fora de catálogo, embora a Panini prometa relançá-las no próximo ano em edição de capa dura. Diante do tamanho da fila de espera e da pouca confiança inspirada pelos transportes alternativos “disponíveis” e “solícitos”, peguei um táxi. Deu dez pilas, mas percebi que dava tranquilamente para ir andando.

Como eu tinha um convite VIP/Cortesia/Presente de amigo, peguei uma fila tranquila de apenas uma hora e meia. Dica: quando finalmente te derem o crachá, não jogue fora o ticket porque, mesmo sem ter sido avisado, você vai ser obrigado a apresentá-lo mais adiante.

Devidamente “encrachado” na CCXP 2015, você cruza a porta que diz “entrada” e pega uma outra fila. Nessa fila você apresentará o crachá, o ticket e o documento de identidade. Dessa maneira, você estará habilitado a pegar uma outra fila, de cerca de 45 minutos, que vai enfim te conduzir a uma outra porta que te leva a um canteiro de obra que circunda, aparentemente, todo o pavilhão, numa caminhada de mais uns quinze minutos.

Em resumo, quando cruzar a porta que, finalmente, te dá acesso ao evento, com um desenho enorme e meia boca da Mulher Maravilha feito pelo Frank Miller, você já estará meio irritado e cansado. Aí a diversão começa.

Cada cabeça, uma sentença e um penteado diferente
Sem nenhum conhecimento empírico, baseado exclusivamente no preconceito, dá pra ver facilmente que o público é bem heterogêneo. Tem filho que obrigou o pai a levá-lo, tem pai que obrigou o filho a fingir que pediu para ele levá-lo, tem quem está lá porque a Netflix tá na moda, tem gente que vai para os painéis acompanhar discussões profundas, tem quem vai comprar action figures, tem quem vai pegar autógrafo de artistas, tem quem vai trocar uma ideia com quadrinistas brazucas, tem quem vai porque todos os amigos foram e tem a turma do cosplay, que é sempre legal de ver. Eu vi alguns bem bacanas, mas vou destacar uma das Malévolas (não vou dizer qual delas pra não criar climão) e uma Ravena que estavam compenetradas no personagem.

50 tons de dureza
Não vou culpar ninguém pelo minha situação financeira conturbada. Driblei a Black Friday e deixei passar muita coisa legal, comprando apenas o que estava, de fato, com desconto. Tinha a intenção de fazer o mesmo na CCXP 2015, mesmo porque tudo o que queria estava caro, bem longe dos preços dos grande magazines on line. Achei até legal, porque pude passear desencanado, apreciando tudo ao redor, indo de estande em estande sem pressa. Até dar fome.

Sim, tinha fila. Os especialistas tinham me avisado sobre isso e eu levei o kit completo, com água e bolacha. Mas na hora, o ser medonho que consome gordura que vive dentro de todos nós falou mais alto e eu queria hamburguer e batata. Ou qualquer outra coisa com queijo derretido. E mais água com açúcar gazeificada e gelada. E um lugar pra sentar que os pés estavam começando a doer.

Comer, pensar na vida, acabar a bebida, pensar na vida mais um pouco e bora aproveitar o evento que é só uma vez por ano e ainda tinha a esperança de ver algo incomum, surreal ou só legal.

Dando uma banda
Os corredores da CCXP 2015 parecem saídos de um filme do Harry Potter. Cada vez que você passa por um lugar acaba reparando que tinha um estande que não viu, uma vitrine que tinha escapado, uma miniatura diferente do Batman…
Tem coisa mais legal que entrar numa loja com produtos Star Wars e ver uma moça vestida de princesa Leia conferindo os preços? Pois é, a coisa também tá difícil pros lados da Rebelião.

Mas aí, já zanzando sem a menor coerência, seguindo o fluxo ou o brilho das luzes, você acaba em um estande de uma editora e descobre que tem uns descontos bem legais. Aí o plano de economizar não rola mais. Aquele Quadrinho que você sempre quis mas nunca entra em promoção está quase pela metade. E do lado tem mais uns dois quase de graça. Aí você soma e o de graça saiu uma grana. Mas então você já foi contaminado pelo vírus do consumo e acha que vai descobrir pechinchas em todos os lugares. Não é verdade, e você descobre isso duas lojas depois e do olhar assustado dos funcionários. Quem nunca?
Bom, também peguei uns encadernadinhos velhinhos que estava baratinhos, mas somados viraram um montante assustador. Não dou nomes nem datas nem cito pessoas envolvidas porque, futuramente, pretendo negar que tratei tão mal minhas finanças e joguei pela janela a possibilidade de comprar uma bicicleta usada. Todos temos prioridades, nem todos temos bom senso.

Caminhando e cantando
Depois de rodar cada canto do lugar e me certificar de que não tinha visto nem aproveitado nada dali e me sentir frustado e furioso, mas com os pés doendo, havia chegado a hora de dizer adeus. Tinha planejado sair com antecedência, pelo menos uma hora, mas alguma coisa nos prende ali e a gente acaba saindo junto com toda a renca. No caminho, dando adeus aos corredores, reparei que, mesmo tendo passado ali por mais de três vezes, pelo menos dois estandes eram completamente estranhos, como se tivessem sido construído quando eu não estava olhando. Um pouquinho mais frustado, errei o caminho, indo parar nas salas do Cinemark onde acontecem os painéis só que lá não tinha mais nada, todo mundo tinha ido embora, e tive que voltar aquela porcaria toda andando com os pés doendo ainda mais.

Ao encontrar a saída, encontrei mais uma fila, mas essa estava em movimento, pelo menos. Em velocidade inferior à de uma pessoa normal, sem pressa, mas em movimento. E ao redor de todo o pavilhão mais uma vez. Será que fizeram de propósito, para exercitar o nerd sedentário que vive dentro de nós e não paga aluguel? Sabe Deus…

Deixando a CCXP 2015, finalmente, um mar de pessoas tratando de escapar como pode. Vans, ônibus de excursão, carros, caronas, táxis, tapetes mágicos… Mas nenhum parou para mim, claro. Vendo uma turma abandonar a cena do crime caminhando, lembrei como o metrô estava perto. Lamento apenas ter esquecido que as distâncias aumentam com o cansaço e as dores antes de iniciar minha jornada que, para minha sorte, incluía algumas calçadas acidentadas e ladeiras de média intensidade.
O que vale, no final, é que sobrevivi para contar essa história. Ainda que não tenha me valido de nenhuma pesquisa científica ou dados confiáveis, tudo aconteceu numa quinta-feira, 03 de novembro de 2015.

Conclusões e autópsias
Não exagero quando digo que a demora para entrar é absurda, tanto que ouvi “causos” de gente perdendo a cabeça e vivendo um dia de Conan, o Bárbaro, em busca da credencial perdida. Chegue cedo.
Depois que comi o hambúrguer me falaram que tinha uns “food trucks” do lado de fora. Não fui conferir porque já tinha comido e não queria ver nada melhor para não ficar arrependido e com inveja. Se não levar o rango de casa, dê um rolê com calma.

Tem uma pá de Cosplay legal. Uns nem tanto, mas é divertido pra quem vê e pra quem faz, acho. Tinha um cara vestido de Shazam andando ao lado de um menininho com a roupa do Billy Batson. Pô, clássico. Tira umas fotos que vai fazer sucesso nas redes sociais.

Não tava barato como na Black Friday, mas ainda assim dava para garimpar. Fuça sem pressa. Se não quer gastar, não traga cartão nem grana viva porque a vontade vai pintar. Se quiser gastar, planeje o orçamento e separe previamente pra não meter o pé na jaca e ficar sem dinheiro pra pagar a parcela do fusca 69 que tá brilhando na garagem. É impressionante, mas sempre surge alguma coisa que, até dez minutos depois de você comprar, você não podia viver sem. Como um bonequinho cabeçudo do Mulder. Ou da Scully. Ou os dois. Mas isso já é outra coleção da Eaglemoss…

Aldo Gama
Aldo Gama é jornalista
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