Arqueiro Verde: Máquina Mortífera | Crítica da HQ

Mesmo quem nunca tenha sequer folheado um gibi conhece o Batman. O mesmo acontece com o Superman e Mulher-Maravilha. Isso para ficarmos apenas na DC Comics. Mas e os outros heróis? De uns tempos pra cá, os desenhos animados e as séries de TV têm sido um ótimo canal – não resisti, desculpem – para conhecer ótimos personagens que passaram longe das telas do cinema. Principalmente o Flash (ainda vamos falar mais dele aqui na Dimensão Geek) e o Arqueiro Verde, protagonista da série Arrow, exibida aqui pelo canal a cabo Warner Channel (ou em alguma madrugada do SBT, se é que ainda passa) e veterano dos leitores de HQ.

E se você tem gostado do Arqueiro da TV, a dica de leitura é o encadernado Máquina Mortífera, publicado no Brasil pela Panini Books e indicado até mesmo para quem nunca leu nada do personagem nos quadrinhos. Escrita por Jeff Lemire, a HQ é desenhada pelo italiano Andrea Sorrentino, colorizada por ele e Marcelo Maiolo. A história retrata um jovem Oliver Queen – até mais do que na série – e sua sina para pegar o assassino Komodo, outro arqueiro que sabe de sua dupla identidade e responsável por um ataque às Indústrias Queen, que matou Walter Emerson, CEO da empresa. A investida de Komodo também tirou as vidas de Jax e Naomi, amigos do herói e seus parceiros no combate ao crime em Seattle.

No confronto com Komodo e sua filha Emi, o Arqueiro é superado de todas as formas pelo vilão, que prestes a dar o golpe final revela ter sido o responsável pela morte do pai do herói, Robert Queen. Tudo parece perdido até Oliver ser salvo no último instante por Magus, um homem cego e enigmático que o convida à Chapada Negra em busca de respostas. Ferido, acusado de assassinato e sozinho, Oliver recorre à ajuda de um ex-empregado: Henry Fyff, que se revela um hábil inventor ao criar algumas das flechas especiais do Arqueiro.

As sementes da série Arrow

À medida que a história avança, o quadrinho vai ficando mais parecido com a série de TV, o que deixa os leitores mais à vontade. Não só pelo fato de Walter Emerson e do vilão Komodo já terem aparecido no seriado – este último em um papel menos relevante do que merecia, diga-se de passagem –, mas pelos elementos na narrativa. Em Máquina Mortífera, o Arqueiro Verde tem um ajudante especialista em informática com o qual mantém contato pelo rádio e também há flashbacks do tempo em que Oliver estava preso como náufrago em uma ilha e aprendeu a usar o arco para sobreviver.

Além do conceito de equipe, o roteiro de Lemire também estreita essa distância com a série Arrow ao narrar o papel maior do pai de Oliver na trama. Assim como na TV, Robert Queen tinha planos para o filho muito maiores do que ele poderia imaginar, que incluem um misterioso Clã da Flecha e outras tribos antigas. E, claro, inimigos.

A seguir, os eventos levam o jovem Oliver e sua equipe a confrontar o infame Conde Vertigo, um vilão com o poder de causar ilusões e embaralhar a mente de todos ao redor, para resgatar Shado, uma hábil ninja, que revela um laço ainda mais próximo com o herói: uma meio-irmã. Todos personagens conhecidos da série, mas apresentados aqui de maneira diferente aos leitores. E com uma bela surpresa nas últimas páginas!

Desenhada e colorizada como um thriller de cores sóbrias por Sorrentino e Maiolo, a história escrita por Jeff Lemire é instigante e abre um enorme leque de possibilidades para o Arqueiro Verde. Com personagens da TV para ambientar novos leitores, mas sem deixar de mencionar fatos importantes, como os laços de Oliver com a Liga da Justiça, a história é bem amarrada e não pede um guia infinito de referências anteriores. É o ponto de partida que os fãs da série Arrow precisavam para migrar para o papel.

Ficha Técnica:
Título: Arqueiro Verde: Máquina Mortífera
Editora: Panini
Autores: Jeff Lemire (roteiro), Andrea Sorrentino (arte/cores), Marcelo Maiolo (cores)
Capa: dura
Lombada: quadrada
Papel: couché
Páginas: 208
Formato: 17 x 26 cm
ISBN: 978-85-8368-199-1
Lançamento: abril /2017

Carlos Bazela
Jornalista e leitor compulsivo, gosta de cerveja, café e chá preto não necessariamente nessa ordem. Fã de boas histórias, principalmente daquelas contadas por meio de desenhos e balões.