A Vilã | Outra bela produção do cinema sul-coreano

Não é de hoje que o cinema sul-coreano é um dos destaques positivos do cinema mundial. O país exporta grandes diretores, sempre apresentando ótimos roteiros e um cuidado especial com a parte técnica do filme, resultando em produções impecáveis, com visuais belíssimos. A Vilã, segundo filme do diretor Jung Byung-Gil, não foge a regra e ainda tem como tema um dos elementos mais importantes das produções asiáticas: a vingança.

Assim como em Confissão de Assassinato, seu outro belo filme anterior, Jung tem um cuidado especial com a fotografia e as coreografias das cenas de ação em A Vilã. A cena de abertura é espetacular, onde o diretor demonstra todo o seu capricho e técnica de filmagem. Ela chega a lembrar a icônica luta do corredor de Old Boy, outra bela produção sul-coreana dirigida por Chan-Wook Park. Mas aqui, o cineasta vai além com o seu trabalho de câmera, alterando por diversas vezes a nossa visão de terceira para primeira pessoa e passando também pela visão do inimigo, dando a impressão de que estamos dentro de um video game.

Após presenciar o assassinato de seu pai (escondida embaixo da cama), a pequena Sook-hee é resgatada e treinada para se tornar uma assassina sanguinária. Em seu desejo de vingança, ela acaba capturada pela Agência de Inteligência Sul Coreana que, ao ver seu potencial, acaba recrutando-a como sua nova agente secreta. Com um novo rosto e agora uma nova identidade –Chae Yeon-soo, atriz de teatro – Sook-hee terá dez anos de trabalho antes de ficar livre de vez. Tudo vai bem até que dois homens cruzam seu caminho e seu passado mistura com o seu presente e pode comprometer o seu futuro.

Com um roteiro preciso, tentando às vezes confundir a cabeça do espectador alternando nossa percepção de quem é o vilão do filme (tática também usada em Confissão de Assassinato), Jung consegue entregar um filme envolvente, divertido, repleto de ação e com cenas memoráveis. Se o cinema americano insiste em continuações, filmes de super-heróis e produções com referências aos anos 80, a Coréia do Sul continua esbanjando vitalidade e frescor.

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Fabio Martins
Santista de nascimento, flamenguista de coração e paulistano por opção. Fã de cinema, música, HQ, games e cultura pop.