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60 Days In | Dois meses em cana no A&E

O que você acha da ideia de passar 60 dias na prisão? E se você estivesse indo para lá por vontade própria? E se tudo isso estivesse sendo filmado para ser exibido na TV? Impossível, né? Mas não para algumas pessoas que aceitaram e participaram da série 60 Days In (60 Dias Dentro, literalmente, mas In também funciona como uma gíria para prisão).

Produzido pelo canal A&E, o programa acompanha a vida de falsos criminosos infiltrados em uma prisão comum. Os voluntários, nenhum deles com ficha policial, foram presos com falsas acusações, assumindo identidades falsas durante a permanência na cadeia de  Jeffersonville, em Indiana. A pegadinha? Nem presos de verdade, nem guardas sabem de nada, tratando os que chegaram como novatos comuns, o que não deixa de ser verdade.

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O programa surgiu de uma ideia do Delegado Jamey Noel que queria descobrir, de fato, o que se passava por trás das grades. “A única maneira de saber o que acontecia na prisão era introduzir inocentes no sistema para fornecer informação verdadeiras”, disse. “E os voluntários nos ajudaram a identificar questões críticas dentro do sistema que policiais infiltrados não conseguiriam encontrar”, completou lembrando que também foram revelados detalhes sobre a dinâmica social que rege o dia a dia dos presos.

Para justificar a presença das câmeras, os presos foram avisados de que estavam fazendo um documentário sobre novatos.

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Os participantes, além do dinheiro, têm motivações distintas para participar do projeto. O professor Robert quer estar preparado para ensinar seus alunos sobre a vida na prisão. O veterinário Zac espera que a experiência o ajude a começar uma carreira como agente do DEA (agência estadunidense de combate às drogas).

Maryum, filha do lendário lutador Muhammad Ali, procura informações que a ajude em seu trabalho como mentora de jovens em situação de risco. Bárbara, mãe de duas crianças, participa com a intenção de provar que os presos têm melhor acomodação que seu marido militar. (Washington Post)

Entre as descobertas dos novatos, as bem definidas regras para o uso dos banheiros, privilégio comprado com comida e outros itens disponíveis na prisão.

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Brigas por comida, aliás, não são raras. E para os novatos, coisas básicas como tomar banho, dormir ou mesmo encontrar um lugar para dormir são situações perigosas. Assédio sexual e medo da violência são preocupações contantes.

A grande maioria das pessoas ali foram presas por causa de crimes ligados às drogas. O consumo de entorpecentes também é comum atrás das grades, tanto que uma das conclusões tiradas dos dados obtidos pelos voluntários confirma que muitos usuários são presos de propósito porque as drogas na prisão seriam mais baratas.

A série será apresentada em 12 episódios em março nos EUA, ainda sem data para passar no Brasil.  Sua produção teve como resultado imediato a dispensa de alguns guardas e a prisão de uma pessoa que levava drogas para dentro da cadeia. Além disso, deve desestimular futuros criminosos já que, pelo que o programa mostra, a vida na cadeia é pior do que se pode imaginar.

 

Aldo Gama
Aldo Gama é jornalista
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