The Post – A Guerra Secreta | Crítica do filme

Não é de hoje que Steven Spielberg vem fazendo filmes sobre guerra e política. Estes são temas que, na verdade, permeiam a carreira do brilhante diretor desde seus primeiros trabalhos. Mas, ultimamente, ele tem dado uma atenção especial ao tema e feito ótimos dramas sobre esses assuntos, sendo que “The Post – A Guerra Secreta” é um dos melhores dessa fase atual do diretor.

Um dos méritos do filme é o timing perfeito. The Post – A Guerra Secreta se passa nos anos 70, em uma disputa entre a imprensa e o presidente norte-americano Richard Nixon, onde o jornal The Washington Post teve acesso e pretendia publicar documentos secretos que revelavam as mentiras do governo sobre a guerra do Vietnã, enquanto Nixon tentava censurar a publicação de todo jeito. Hoje, cinco décadas depois, vemos a imprensa dos EUA lutando contra o governo Trump.

É um filme que também faz uma justa defesa da bandeira feminista. A dona do jornal, Kay Graham (Meryl Streep), precisou enfrentar as vozes masculinas de seus próprios “colegas” que não a respeitavam como dona do veículo e constantemente tentavam silenciá-la e, na sequência, peitou o presidente Nixon e seu governo em prol da liberdade de imprensa.

Outro grande mérito de The Post – A Guerra Secreta é conseguir envolver o espectador em um assunto que para muitos não é empolgante: o funcionamento de uma redação de jornal. Diferente de Spotlight: Segredos Revelados, onde existe uma investigação que prende o espectador, no filme do Spielberg é uma luta mais interna, dentro da redação, em conversas com fontes e políticos, mostrando diversas etapas da reportagem, da pauta a impressão, prendendo o espectador com a força de seus diálogos, a direção segura de Spielberg e a força do elenco formado por Matthew Rhys, Bob Odenkirk, David Cross, Michael Stuhlbarg e Tracy Letts que, junto com Streep e Tom Hanks, sustentam muito bem o filme.

Numa época onde a imprensa vem sendo contestada de maneira estúpida por radicais de direita e esquerda, The Post – A Guerra Secreta é um filme essencial. Ele prova que o jornalismo e, principalmente, a liberdade de imprensa são vitais pela defesa da democracia.

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Fabio Martins
Santista de nascimento, flamenguista de coração e paulistano por opção. Fã de cinema, música, HQ, games e cultura pop.