“The Iron Throne” encerra com dignidade uma das melhores séries de todos os tempos

Odiado por uns, amado por outros, “The Iron Throne”, o último capítulo de Game of Thrones causou furor na internet, gerou dezenas de debates, originou uma petição estapafúrdia para que ele fosse reescrito, mas o que muitos não querem enxergar é que ele colocou um ponto final digno nesta que é indiscutivelmente uma das melhores séries de todos os tempos.

Sim, The Iron Throne pode não ser perfeito, mas ele é digno com a série de TV baseada na obra de George R. R. Martin. Uma saga de adaptação dificílima, com cinco de sete livros publicados (se é que esses dois últimos ainda serão publicados), centenas de personagens, dezenas de casas, sete reinos, dragões, lobos gigantes, bruxas, magias, profecias, política, guerras e diversas subtramas que servem para nutrir a trama principal, que é a luta pelo tão sonhado Trono de Ferro.

Por mais que milhares de fãs tenham bradado nas redes sociais, The Iron Throne segue a cartilha que foi escrita em Game of Thrones desde a sua primeira temporada, onde as grandes decisões da trama são feitas após um grande acordo político, logo após os soldados baixarem suas espadas. Foi assim depois da Rebelião de Robert e foi assim com a escolha de Bran como o novo Rei de Westeros.

A escolha particularmente não me agrada, visto que ele é mais uma entidade do que um homem e suas atitudes não condizem com a de um governador comum. Como sua memória é um tesouro precioso para o passado, presente e futuro da humanidade, seria mais condizente que ele ficasse na cidadela, a casa da ordem de meistres em Vilavelha e onde se guarda todo o conhecimento daquele universo.

Talvez a melhor opção fosse a independência dos sete reinos, onde cada região pudesse se organizar politicamente da maneira que bem entender e viver em comum acordo com as demais regiões. Com o passar dos anos, a monarquia chegaria ao fim e a democracia chegaria em Westeros. Apesar disso, podemos dizer que a primeira pedra para um regime democrático foi colocada ali, uma vez que o Trono de Ferro não terá mais um herdeiro de sangue e sim alguém escolhido por um conselho formado por membros das casas do continente.

Mas não é porque as escolhas são diferentes das minhas que o episódio não atendeu as expectativas. Muito pelo contrário. Exceto pela construção da cena da morte da Daenerys, que não teve um crescimento para atingir o clímax do ato fatal cometido por Jon Snow, as demais trouxeram o que há de melhor em Game of Thrones. Diálogos maravilhosos, acordos costurados de maneira brilhante e cenas emocionantes.

Um dos melhores atores – talvez o melhor – de Game of Thrones, Peter Dinklage foi a grande estrela de The Iron Throne. Difícil não se emocionar com sua caminhada sob as ruínas da Fortaleza Vermelha onde Tyrion encontra os corpos dos irmãos. Impossível não ceder à força de suas palavras, seja no diálogo com Snow, seja na reunião que definiu a escolha de Bran como o novo rei. Fácil sorrir com a reunião promovida por ele com os novos membros do conselho real. Cenas que provaram que o anão é o melhor personagem dessa incrível série.

Todos os elementos da saga criada por George R. R. Martin se encaixaram de acordo com o crescimento dos personagens. Todos praticamente seguiram seus destinos e terminaram a série como se esperava. Sam se tornou Meistre do Rei, Bron virou o Mestre da Moeda e Brienne assumiu o posto de Comandante da Guarda Real.

A cavaleira de Tath, aliás, foi protagonista de outra bela cena de Game of Thrones. Assunto mais explorado nos livros que na série, Jaime Lannister sempre se sentiu ressentido por não ter nada o que escrever sobre ele no Livro Branco”, que contém todos os feitos dos membros da Guarda Real nos últimos 300 anos. Para corrigir a falha, Brienne resolve contar toda a história do seu amado, enaltecendo seus feitos e eternizando sua história.

Como não poderia deixar de ser, óbvio que a Casa Stark foi a única que teve um grande destaque, pois desde o primeiro episódio a história de Game of Thrones é centrada nela. Cada um, a sua maneira, cumprindo o que sonhava desde a primeira temporada. Sansa não foi a rainha de Westeros, mas depois de tudo o que passou e a força que conquistou na sua região, nada mais justo do que ser coroada como a Rainha do Norte. Arya, que desde criança nunca se desejou ser uma dama e que sempre preferiu lutar ao invés de bordar, partiu para descobrir novas aventuras e novos caminhos que não estão no mapa.

E, por fim, Jon Snow. Que nunca se sentiu bem como um Stark, nunca teve ambição de nada, nunca desejou ser um Targaryen e sempre se mostrou um péssimo estrategista, conseguiu sua redenção. Condenado a ficar na Patrulha da Noite até o fim de sua vida após matar Daenerys, o verdadeiro herdeiro do Trono de Ferro abandonou Westeros e foi formar uma nova sociedade com os selvagens pra lá da Muralha. Afinal de contas, o inverno nunca mais será tão intenso. Apenas saudoso.

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Fabio Martins
Santista de nascimento, flamenguista de coração e paulistano por opção. Fã de cinema, música, HQ, games e cultura pop.