Star Wars: A Ascensão Skywalker é o ‘fan service’ que funciona

Star Wars é muito mais do que um filme. É um fenômeno da cultura pop que encanta gerações há mais de 40 anos. Mexer nas bases dessa “religião” é algo complicado e quando acontece a choradeira é inevitável. Basta lembrar a chuva de protestos que ocorreu quando o ótimo (e incompreendido por muitos) Os Últimos Jedi estreou. A produção foi tão criticada pelos fãs mais radicais que seus acontecimentos praticamente são ignorados em A Ascensão Skywalker. De volta as mãos de J.J. Abrams, o último (?) filme da franquia parece um pedido de desculpas ao trabalho anterior, traz de volta todos os elementos cultuados nessas quatro décadas da saga e se não chega a ser um dos melhores capítulos de Guerra nas Estrelas, ele não faz feio. É divertido, encantador, alucinante, carismático e funciona como ponto final na história da família Skywalker.

Abrams é um diretor que sabe ‘jogar para a galera’. Soube agradar os fãs com O Despertar da Força – praticamente um ‘remake não oficial’ de Uma Nova Esperança – e agora fecha a trilogia praticamente do mesmo jeito que O Retorno de Jedi fez no final da trilogia clássica. E se é para ser justo, importante ressaltar que A Ascensão Skywalker é um filme bem melhor que o clássico de 1983.

Em A Ascensão Skywalker, a disputa entre o bem e o mal volta a ficar bem polarizada. Não existem mais tons acinzentados. Herói é herói, vilão é vilão, tudo preto no branco, tudo redondinho pra não deixar a legião de fãs decepcionada com seus personagens. Este é um dos pontos negativos do filme. Tudo é muito óbvio, a trama é facilmente solucionada e o roteiro, embora tenha muitos buracos, sabe conduzir o espectador para a luta final entre Kylo Ren (Adam Driver), Rey (Daisy Ridley) e o Imperador Palpatine (Ian McDiarmid). Finn (John Boyega), Poe Dameron (Oscar Isaac), Chewbacca (Joonas Suotamo) viraram coadjuvantes de luxo e dão espaço para C3-PO (Anthony Daniels) ser o principal alívio cômico do filme e surpreender com ótimas sacadas.

A participação de Leia Organa (Carrie Fisher), feita com sobras de filmagens de O Despertar da Força e alguns efeitos especiais é uma bela homenagem à atriz que infelizmente nos deixou em 2016, antes de A Ascensão Skywalker começar a ser filmado. A participação de Lando Calrissian (Billy Dee Williams) na trama serve também para, de certa forma, homenagear o ator que trabalho em O Império Contra-Ataca e O Retorno de Jedi.

Em A Ascensão Skywalker, Kylo Ren continua com sua obsessão em se tornar o novo Imperador e ao encontrar o planeta sagrado dos Sith, descobre o plano de Palpatine. Enquanto isso, Ray segue com uma forte conexão com ele através da Força e procura um dispositivo que a ajudará a chegar neste planeta, derrotar Palpatine, tentar convencer seu adversário a sair do Lado Negro da Força, ajudar os rebeldes a vencer a Primeira Ordem e, finalmente, restabelecer a paz nas galáxias.

Visualmente, o filme é lindo. Os efeitos especiais são impactantes e tanto as lutas quanto as batalhas espaciais são de cair o queixo. Claro que o filme poderia ir muito além, trazer novos elementos a saga, ser usado como pano de fundo para falar de política atual e ser mais ousado. Mas ele agrada e acerta na medida naquilo que ele se propões a fazer: homenagear a saga criada por George Lucas e sua enorme legião de fãs.

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Fabio Martins
Santista de nascimento, flamenguista de coração e paulistano por opção. Fã de cinema, música, HQ, games e cultura pop.