O que esperar da dose dupla de Will Smith em Projeto Gemini

Projeto Gemini é a mais nova produção de Ang Lee (diretor de As Aventuras de Pi) para o cinema e tem sua estreia nas telas agendada para esta quinta-feira, dia 10 de outubro, aqui no Brasil. O filme conta a trajetória de Henry Broogan (interpretado por Will Smith), um atirador do governo que, ao resolver se aposentar de seu cargo, de repente se vê perseguido por um assassino, o qual descobre ser um clone mais novo de si próprio.

O roteiro de Projeto Gemini é legal e os personagens cativam o público durante as duas horas de filme, só que a história se desenrola em torno de algumas situações previsíveis e pode-se dizer também que os trailers entregaram bastante do enredo. Logo que lançados os primeiros pôsteres e teasers do longa, ele já começou chamando atenção por usar o ator Will Smith para dois papéis diferentes, porém, com os personagens tendo entre eles a diferença de 28 anos de idade. A pergunta que todos estavam se fazendo era: será que isso vai ficar bom?

Após acompanhar os Vingadores e assistir o rejuvenescimento de Robert Downey Junior como Homem de Ferro, e também de Samuel L. Jackson como Agente Fury em Capitã Marvel, a expectativa de um bom resultado só aumentou quanto a Projeto Gemini, afinal, diferente dos outros filmes que saíram até então, esse não usa artifícios para deixar Will Smith mais novo, e sim se apoia na tecnologia para criar o personagem Junior (versão jovem do ator) totalmente do zero. Durante a coletiva de imprensa internacional, o protagonista inclusive brincou dizendo que agora poderia vender sua imagem para outras produções e nem precisaria mais atuar nelas.

O CGI de Junior chegou realmente próximo da realidade, os seus desenvolvedores se apoiaram em imagens da juventude do ator para criar o personagem com exatidão, inclusive, utilizaram episódios de Um Maluco no Pedaço como referência visual. Geralmente, quando aparecia em plano fechado, a versão mais nova de Smith transparecia veracidade, principalmente com relação à textura de pele e expressões faciais, sem gerar o vale da estranheza que é tão comum  acontecer em criações digitais que tentam se aproximar da vida real. No entanto, durante as cenas de luta, Junior aparentava menos convincente, chegando próximo a gráficos de videogames, sem muita precisão de humanidade.

Quanto a isso, também pode-se dizer também que o fato de Projeto Gemini ter sido filmado em 120 frames, e passado em 60 no cinema, prejudicou as cenas de ação, pois nessa configuração os planos acabam se tornando muito detalhados para os olhos, e, com isso, os defeitos vem à tona com mais facilidade. Se tivesse sido exibido em 24 frames como a maioria dos longas, talvez algumas imperfeições passassem despercebidas. A experiência de assistir o filme em 3D também não o tornou tão imersivo, afinal, depois de certo ponto, os olhos se adaptam demais ao que está acontecendo na tela, perdendo parte da ilusão.

Das atuações do elenco, não há do que se reclamar, Will Smith consegue diferenciar bem um personagem do outro, usando trejeitos de idade e até mesmo mudando um pouco o tom de voz, você acredita que são duas pessoas distintas. A coadjuvante Mary Elizabeth Winstead também está ótima no longa, há anos distanciada da imagem de Ramona Flowers, sua personagem mais famosa, a atriz esbanja simpatia e protagoniza uma das melhores cenas de luta de Projeto Gemini, se é que não é “a” melhor… mas isso fica a par de vocês decidirem após assistirem ao filme nesta quinta!

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Luna Rocha
Designer de moda e redatora, interessada por arte e cultura pop em suas mais diversas áreas. Curte adaptações literárias para o cinema e, se fosse uma heroína, seria Vampira de X-Men.