Millennium: A Garota na Teia de Aranha | Crítica do filme

Ao contrário do que muitos leitores defendem, a adaptação de uma obra literária não precisa ser extremamente fiel ao material original. São mídias e universos diferentes, cada um com sua linguagem e peculiaridade, seja um livro, HQ, série de TV ou um filme. O problema existe quando o material original é tão modificado que o torna em um produto genérico, sem alma e facilmente esquecível como “Millennium: A Garota na Teia de Aranha”.

É difícil até falar se Millennium: A Garota na Teia de Aranha é uma continuação ou um reboot. Afinal de contas, o longa anterior, “Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres” (2011) é baseado no primeiro livro da bela trilogia de Stieg Larsson. Já este novo filme é baseado no quarto livro da série – continuado pelo também sueco David Lagercrantz, após a morte de Larsson – e ignora as duas obras literárias anteriores.

A principal vitima dessa confusão é justamente a melhor personagem da saga de Larsson, Lisbeth Salander. Toda a relação conturbada de sua família, principalmente dela com o pai que abusava fisicamente e psicologicamente de sua mãe, os abusos sofridos por ela em clínicas psiquiátricas e a conclusão de sua história com o pai é jogada no ralo. No seu lugar, temos uma criança que, ao lado da irmã, sofria nas mãos do pai pedófilo e caba fugindo sozinha no meio da neve.

Já adulta, Lisbeth Salander (Claire Foy) é uma hacker e vigilante que ajuda mulheres vitimas de agressores sexuais. Contratada por Frans Balder (Stephen Merchant), um analista de sistemas que criou para a NSA um software extremamente perigoso para a humanidade, ela precisa roubar o programa antes que ele caia em mãos erradas. Para ajuda-la na missão, ela contará coma a ajuda do jornalista Mikael Blomkvist (Sverrir Gudnason), confiar em novas pessoas e desconfiar ainda mais de rostos conhecidos.

Apesar de ser um filme visualmente muito bonito e com uma ótima atuação de Foy, Millennium: A Garota na Teia de Aranha sofre com o roteiro batido, frases cafonas, diálogos fracos e uma trama muito rasa. A falta de cuidado com a obra de Larsson é tanta que Blomkovist é um personagem completamente descartável no filme. O jornalista investigativo não passa de um mero escada, um coadjuvante de segunda, que pouco acrescenta à trama. É realmente uma pena que os produtores dispensaram as duas últimas partes da trilogia original de Millennium. Blomkovist e Salander mereciam um destino bem melhor.

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Fabio Martins
Santista de nascimento, flamenguista de coração e paulistano por opção. Fã de cinema, música, HQ, games e cultura pop.