Midsommar consolida Ari Aster como um dos nomes mais interessantes dessa geração

Interessante ver como a nova safra de diretores de terror abandonou o susto fácil e partiu para algo mais denso, pesado, que deixa o espectador desconfortável e angustiado na poltrona do cinema. Foi assim com Robert Eggers, que estreou com “A Bruxa” e neste ano apresenta “The Lighthouse”; Jordan Peel, que dirigiu os ótimos “Corra!” e “Nós” e mais precisamente Ari Aster, que fez uma maravilhosa estreia com “Hereditário” e agora dirige e escreve o instigante “Midsummer – O Mal Não Espera a Noite”.

Não espere grandes sustos durante as quase duas horas e meia de Midsummer. Aster foge de todos os clichês do terror e, se é que podemos classificar a obra com algum gênero, seria algo como um “drama de horror”. O filme é lento, provocador, impactante e muito perturbador.

Em Midsummer Dani (Florence Pugh) e Christian (Jack Reynor) formam um casal que está a um passo da separação. Passando por uma grande depressão, a garota vai ao fundo do poço após passar por uma grande tragédia familiar. O namorado, por sua vez, está prestes a viajar para a Suécia com os amigos, que insistem na separação do casal, para acompanhar o solstício em uma comunidade rural seguidores de uma religião muito peculiar. Após o mal que acomete a namorada, ele acaba convidando-a para a viagem, desagradando seus amigos.

Aster usa uns bons 15 minutos do filme para apresentar os personagens antes da viagem e, principalmente, apresentar a complexidade de Dani, tomada pela depressão, preocupada com sua família e como ela afunda e se agarra ao relacionamento com Christian como sua salvação.

Quando o grupo de amigos chega na Suécia é que o clima começa a ficar pesado, estranho, denso e angustiante. Numa época em que o dia escurece apenas por poucas horas, o excesso de luz não alivia nem um pouco o clima pesado que começa a se formar na comunidade e que vai envolvendo aos poucos os visitantes, principalmente Dani que começa a se conectar com o local, se envolver com os rituais e, de certa forma, achar conforto e um clima familiar naquela estranheza toda, que acaba ajudando em sua depressão.

Interessante também como Aster inverte tudo o que fez em Hereditário para mostrar em Midsommar que os efeitos em são praticamente os mesmos. Ao contrário do clima claustrofóbico, escuro, com planos fechados, aqui tudo é claro demais, colorido, aberto e o resultado continua pesado, angustiante e muito desconfortável.

Visualmente falando, Midsommar é um espetáculo deslumbrante. Não é um filme fácil de ser digerido ou mesmo interpretado. Mas quem for ao cinema com a cabeça aberta, vai ficar extasiado com a experiência proposta por Aster.

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Fabio Martins
Santista de nascimento, flamenguista de coração e paulistano por opção. Fã de cinema, música, HQ, games e cultura pop.