Mangá Battle Angel Alita prepara terreno para o filme

Battle Angel Alita é um mangá criado por Yokito Kishiro e publicado aqui no Brasil em quatro volumes pela editora JBC. A obra original saiu em 1990 no Japão, chegou por aqui no fim de 2017 e já teve seus quatro volumes publicados para quem quiser conhecer o material original antes do filme ser lançado. E se você ainda não ouviu falar do longa, previsto para ser lançado em fevereiro de 2019, já adiantamos alguns nomes de respeito envolvidos na produção: a direção é de Robert Rodriguez, James Cameron co-assina o roteiro com Laeta Kalogridis e ainda tem Jennifer Conelly, Christopher Waltz, Mahershala Ali, Michelle Rodriguez, Jackie Earle Haley dividindo a cena com Rosa Salazar. Veja o trailer mais recente:

A história segue os passos da personagem que dá nome ao título, Alita, uma ciborgue encontrada pelo cientista Daisuke Ido em um dos vários lixões que compõem a Cidade da Sucata. Ido leva os pedaços da garota para casa e a reconstrói. Ao tomar consciência, Alita se vê com as feições e o corpo de uma garota adolescente, mas sabe que já passou por muita coisa. Só não consegue se lembrar bem do quê.

Battle Angel Alita, Alita, Yukito Kishiro, mangá, filme, Robert Rodriguez, James Cameron, filme, Alita Anjo de Combate, JBC,DC Comics, hq, gibi, quadrinho, crítica, leitura, resenha, Dimensão Geek, cyberpunkO leitor é, então, apresentado ao mundo no qual ela vive, uma sociedade distópica onde a maioria dos cidadãos conta com partes mecânicas quando não o corpo inteiro. A Cidade da Sucata é uma terra de ninguém. Violento e pobre, o local carece de esperança e ciborgues se atacando para roubar e vender partes do corpo são cenas comuns. Acima de tudo está Zelem, a cidade-paraíso, onde vivem os poucos escolhidos, que são devidamente alimentados por tudo que a cidade baixa produz. Obviamente, quem está em baixo não sobe e quem está em cima não desce.

Alguns cidadãos, inclusive, caçam malfeitores mecânicos para vender seus pedaços para a Factory e trocar por créditos. É o caso de Ido. Logo no começo do mangá, o simpático personagem, a quem acreditava ser somente um cientista, se vê em uma batalha sangrenta para defender sua protegida das garras de um robô maligno, até que ela mesma se mostra mais do que capaz de se defender.

Nesse clima pós-apocalíptico de injustiça social e tecnologia corrompida, acompanhamos as aventuras de Alita para descobrir sua origem. Quem é ela, de onde vem e como aprendeu a lutar são perguntas que serão respondidas ao longo dos quatro volumes, junto com outras que surgirão pelo caminho.

Arte em foco

Alita é quase uma antologia. Embora tenha a busca por si mesma como fio condutor central, cada um dos volumes é centrado em uma trama específica, que vai desde a personagem como participando como gladiadora de um jogo mortal que mistura rugby e hockey até ser uma agente especial sob o comando Zelem, passando pelo papel de rebelde no meio do deserto, lutando contra um senhor da guerra gigantesco.

Se a história é um desfile de clichês pós-apocalípticos, a arte de Battle Angel Alita merece aplausos. Bastante detalhista, Kishiro tem um traço fino e não poupa nanquim ao desenhar pequenas partes mecânicas – e órgãos humanos – nas sequências de ação.

Mesmo mergulhado em clichês, as surpresas são frequentes. Mas isso faz Battle Angel Alita um pouco confuso. Então, se você der um intervalo de algumas semanas na leitura entre um volume e outro, corre o risco de precisar folhear o anterior para se situar na trama. E já adianto que vale dedicar um bom tempo aos capítulos finais, pois é ali que a trama dá uma embolada maior. A impressão é que o autor ficou perdido na ação e esqueceu de te contar alguma coisa importante para o final da história e resolveu te resumir na última hora.

Contudo, no fim das contas, o mangá é um bom entretenimento. Tem elementos em excesso, mas algumas passagens bastante divertidas e outras com forte carga emocional que realmente valem a leitura. Além da arte maravilhosa. Sobre o filme, os trailers divulgados até o momento dão ênfase às sequências de ação e revelam uma história mais simples. No fim, talvez fosse disso que Alita precisasse também no papel. Algo para apenas dois volumes, talvez.

Ficha Técnica:

Título: Battle Angel Alita

Editora: JBC
Autor: Yukito Kishiro
Capa: cartonada
Lombada: quadrada
Papel: couché
Número de edições: 4
Páginas: 440
Formato: 20,4 x 13,4 cm
Lançamento: 1º volume – novembro /2017
Status: Completo no Brasil

Carlos Bazela
Jornalista e leitor compulsivo, gosta de cerveja, café e chá preto não necessariamente nessa ordem. Fã de boas histórias, principalmente daquelas contadas por meio de desenhos e balões.