Lego Batman | Crítica do Filme

A DC Comics pena desde Batman – O Cavaleiro das Trevas para emplacar algo relevante do seu universo nos cinemas. São fracassos de público e crítica seguidos e bem justificados, pois há um belo tempo as adaptações da editora são sofríveis, como Batman Vs Superman – A Origem da Justiça e Esquadrão Suicida, por exemplo. Pois justamente em uma animação bem despretensiosa que, finalmente, ela acertou a mão. E em cheio, pois Lego Batman é uma aventura encantadora, divertida e que não pensa duas vezes em sacanear o próprio universos e filmes anteriores do Homem Morcego, além dos filmes da Warner, sua própria produtora. E o resultado é uma maravilha que vai encantar os pequeninos e também os adultos que vão adorar as referências nas brincadeiras do roteiro.

Com um roteiro simples e eficiente, que serve como uma luva para uma animação, Lego Batman mostra um solitário e egocêntrico Bruce Wayne que se orgulha em prender sozinho todos os supervilões de Gotham City e defende que a única função da polícia da cidade é apertar o bat-sinal quando aparecer qualquer sinal de perigo. Tudo vai bem até que o Coringa resolve se intitular como arqui-inimigo do Batman, mas é tratado com desdém pelo Cavaleiro das Trevas, que o considera apenas mais um dos vilões que o atormentam. Revoltado, o palhaço arma um plano para destruir a cidade, abrindo a Zona Fantasma e liberando os maiores vilões de todos os tempos. Com isso, ele é obrigado a se unir com a Bat Girl, Robin e Alfred para dar um fim a o terror na cidade.

As referências de Lego Batman são inúmeras. A começar por todos os filmes do Homem-Morcego, além da maravilhosa série clássica dos anos 60 (brincando, inclusive, com o famoso spray anti-tubarão, uma das piadas clássicas do seriado). Há também brincadeiras (de leve, é verdade, pois a animação é infantil) com a amizade colorida entre Batman e Robin. Mas o melhor mesmo é quando os vilões são liberados da Zona Fantasma e as referências vão além do universo do Cavaleiro das Trevas. Jurasick Park, Harry Potter, Senhor dos Anéis, Matrix, O Mágico de Oz, Marley e Eu são apenas alguns dos filmes que são referenciados e satirizados na obra.

Uma pena que não ouviremos nos cinemas brasileiros as vozes originais dos personagens que são interpretados por Will Arnett (Batman) , Zach Galifianakis (Coringa) , Ralph Fiennes (Alfred), Michael Cera (Robin) e Rosario Dawson (Barbara Gordon), pois aqui só teremos cópias dubladas. Mas isso não diminui Lego Batman, porque a dublagem está ótima e funciona muito bem.

Chega a ser irônico que a Lego tenha se dado muito bem utilizando o universo da DC Comics nos cinemas. Embora não tenha sido produzido para essa finalidade, a editora poderia muito bem aproveitar e aprender com a empresa de brinquedos que, depois de quase falir em 2004, conseguiu diagnosticar e assumir seus erros, deu a volta por cima e voltou a prosperar. Bem que a DC poderia fazer o mesmo. Material ela tem de sobra. Lego Batman é a prova concreta disso.

Lego Batman
Direção: Chris McKay
Roteiro: Seth Grahame-Smith
Elenco: Will Arnett, Zach Galifianakis, Ralph Fiennes, Michael Cera e Rosario Dawson

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Fabio Martins
Santista de nascimento, flamenguista de coração e paulistano por opção. Fã de cinema, música, HQ, games e cultura pop.