Lado C #01 – Os Amigos de Eddie Coyle

Renegado há anos de esquecimento em velhas fitas de VHS, o filme Os Amigos de Eddie Coyle (The Friends of Eddie Coyle, EUA, 1973) do inconstante Peter Yates – que revolucionou o gênero policial com a famosa perseguição automobilística de Bullit (1968) – consegue transferir para a tela a prosa malandra de diálogos secos e cortantes do escritor George V. Riggins.

No entanto, diferente do espetáculo cheio de estilo de Bullit, este filme de 1973 traz criminosos reais. Aqui não há honra entre ladrões. Há sim gente desiludida, encurralada, pronta para caguetar para salvar a pele. Aqui não há a vivacidade de uma San Francisco cheia de casas coloridas e ladeiras desafiadoras, mas a decadência de uma Boston proletária, de gente enchendo a cara em botecos sujos e maquinando o próximo golpe.

A escolha de Robert Mitchum para o papel do cansado Eddie ‘Fingers’ Coyle não poderia ter sido melhor. As marcas de anos como um dos mais famosos bad boys de Hollywood só dão mais créditos à sua interpretação precisa do típico personagem de Riggins: o criminoso pé rapado. Um cara com quilometragem na malandragem, mas que sabe o seu lugar e só quer a sua fatia.

Somam-se à equação os ótimos Peter Boyle e Richard Jordan e temos a santíssima trindade desse belo espécime do cinema policial dos anos 1970. E isso sem falar na performance matadora de Steven Keats como o traficante de armas Jackie Brown. Sim, vem daí o título do filme de Quentin Tarantino baseado em ‘Rum Punch’, livro de Elmore Leonard, outro grande autor policial que tinha Higgins como um de seus mestres.

Os Amigos de Eddie Coyle é um policial sem pretextos. Ele é o que é, assim como as histórias de Higgins, onde não há heróis, vilões ou qualquer tipo de papagaiada. Quem vacila, dança.

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Fabio Martins
Santista de nascimento, flamenguista de coração e paulistano por opção. Fã de cinema, música, HQ, games e cultura pop.