Jurassic World: Reino Ameaçado | Crítica do filme

Há 25 anos, Steven Spielberg revolucionou o mundo com Jurassic Park: Parque dos Dinossauros. O desenvolvimento do CGI permitiu que o diretor criasse as primeiras criaturas realistas através da tecnologia que hoje é usada por praticamente todos os filmes hollywoodianos. O realismo era impressionante e a impactante relação entre homens e dinossauros fez um sucesso avassalador, fazendo com que o filme se tornasse uma das franquias mais lucrativas da história do cinema. Celebrando essa data, chega aos cinemas Jurassic World: Reino Ameaçado, com um clima bem mais pesado que seus antecessores e definitivamente o filme mais assustador da saga iniciada em 1993.

Novamente estrelado por Chris Pratt e Bryce Dallas Howard, Jurassic World: Reino Ameaçado traz um ponto de partida interessante. Até onde podemos interferir na vida dos dinossauros que foram abandonados da ilha onde funcionava o parque? Será que devemos interferir, já que eles estão ameaçados de uma nova extinção por causa de um vulcão prestes a entrar em erupção no local? Ou apenas observamos a natureza seguir seu curso e deixar os animais a própria sorte? Para o matemático especializado na Teoria do Caos e que penou nos dois primeiros filmes dos bichanos, Ian Malcolm (Jeff Goldblum) a segunda opção é a melhor escolha, mas para a ex-funcionária do parque e hoje ativista ecológica pró-dinossauros, Claire Dearing, (Bryce) a primeira opção é a mais correta a seguir.

Sem apoio político e sem grandes defensores pela sua causa, Claire ganha um aliado poderoso: o bilionário Benjamin Lockwood (James Cromwell), antigo sócio de John Hammond, que quer construir um santuário, em uma ilha comprada por ele, para que os animais vivam lá até morrerem de causas naturais. Encantada com o projeto, ela recruta Owen Grady (Pratt) e partem para a Ilha Nublar resgatar os animais. Chegando lá, o verdadeiro plano vem à tona. Contratados pelo ajudante de Lockwood, Eli Mills (Rafe Spall), um grupo de mercenários quer resgatar o máximo de animais (especialmente o velociraptor Blue) para serem leiloados juntamente com a nova criatura: um dinossauro híbrido extremamente perigoso conhecido como o Indoraptor.

Toda a parte centrada na Ilha Nublar é espetacular. As cenas são belíssimas, os efeitos deslumbrantes e quando o vulcão entra finalmente em erupção, o clima aterrorizante toma conta do filme, prendendo o espectador na cadeira enquanto humanos e várias espécies de dinossauro tentam salvar suas próprias vidas. O clímax com a cena dentro do mar é perfeito e ainda há uma cena no final dessa parte em Nublar que é de cortar o coração. Quando a trama de Jurassic World: Reino Ameaçado chega aos Estados Unidos, o clima de terror toma conta de vez do filme. O diretor Juan Antonio Bayona (O Orfanato) sabe explorar muito bem esse gênero e com isso a franquia que sempre teve um tom mais aventureiro se torna aterrorizante de vez.

Claro que nem tudo é perfeito. Além do roteiro ser bem parecido com segundo filme da série, O Mundo Perdido: Jurassic Park, há alguns personagens batidos que poderiam ser dispensados. Principalmente a veterinária ativista Zia Rodriguez (Daniella Pineda) e o insuportável geniozinho de computador metido a engraçadinho que tem medo de dinossauros Franklin Webb (Justice Smith). São tão chatos que você torce para que eles sejam devorados pelos bichos o mais rápido possível. Há ainda uma citação sobre desenvolvimento genético em humanos que infelizmente não é explorada no filme e que poderia dar uma boa trama. Mas são pequenas falhas que não chegam a estragar nada do filme. Jurassic World: Reino Ameaçado é inferior apenas ao original de Spielberg e abre as portas para vermos enfim como seria a convivência entre humanos e dinossauros nos dias de hoje. Trama esta que deve ser explorada em uma provável continuação.

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Fabio Martins
Santista de nascimento, flamenguista de coração e paulistano por opção. Fã de cinema, música, HQ, games e cultura pop.