Jojo Rabbit é um palpite interessante para apostas no Oscar 2020

Realmente não é à toa que Jojo Rabbit esteja concorrendo a tantas estatuetas no Oscar, afinal, o longa de Taika Waititi é mesmo de tirar o fôlego e pode ser um forte participante na competição contra outros grandes títulos que se fazem presentes nesta edição da cerimônia de premiação mais famosa do cinema.

Então, por que não citar então as razões pelas quais Jojo deveria arrematar alguns dos troféus nesta batalha? Segue abaixo uma relação entre as indicações da obra e os motivos pelos quais ela se destaca em cada posição.

Disputando contra nomes como Coringa e O Irlandês, Jojo Rabbit também tem uma chance de vencer Melhor Filme e Melhor Roteiro Adaptado, pois sua ideia é autêntica e desenvolvida de forma espirituosa. O longa se trata de uma comédia dramática que se passa durante a Segunda Guerra Mundial e acompanha a vida de Johannes Betzler (Roman Griffin Davis), um menino alemão de 10 anos tão fascinado por Adolf Hitler, que tornou a figura do ditador seu melhor amigo imaginário e conselheiro sobre o nazismo. Após sofrer um acidente durante o treinamento junto ao grupo da Juventude Hitlerista, Jojo volta a passar mais tempo em casa e acaba descobrindo que sua mãe abriga uma garota judia, chamada Elsa (Thomazin Mackenzie), em um esconderijo no segundo andar da residência.

É difícil de lidar com o medidor de empatia no decorrer do filme porque, apesar do fanatismo forte que o menino tem por Hitler, ele automaticamente já desperta afinidade do público por se tratar de uma criança e o seu intérprete atuar de forma genuína e singela. Logo de cara, já é compreensível que naquela época as pessoas sofriam uma forte lavagem cerebral baseada em propagandas para apoiar o Partido Nazista, ou seja, mesmo que os ideais de Johannes fossem extremistas e preconceituosos, a possibilidade de se afeiçoar a ele é grande, afinal, combinado a isso está a manifestação da inocência e imaginação infantil.

Os detalhes técnicos do filme são bem elaborados, por isso Jojo Rabbit está concorrendo à Melhor Design de Produção e Melhor Montagem, esta última categoria inclusive é um dos seus diferenciais, pois a edição de cenas destoa do contexto antigo no qual a história se passa e adapta um tom moderno ao longa, além de conter passagens muito bonitas e uma trilha sonora animada e mais atual que o seu enquadramento histórico, com direito a fazer graça com o sucesso de The Beatles em comparação com a adoração doentia a Hitler.

Também no páreo por Melhor figurino, o filme consegue trazer o visual dos anos 30 com fidelidade, incluindo os uniformes militares e a moda feminina vigente da época. Assim como a maior parte das cenas é representada na claridade da luz do dia, até mesmo a indumentária sóbria utilizada na guerra para atribuir encargo e discrição aos soldados, consegue se encaixar na paleta de cores alegre que contrasta com as tragédias que aconteciam durante o período em questão.

Jojo Rabbit possui então algumas chances de vencer o Oscar, entretanto, vale ressaltar que sua maior aposta certamente está no prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante, pois Scarlett Johansson está totalmente apaixonante no papel de Rosie Betzler, mãe do protagonista. Sim, a atriz já tem uma bagagem enorme de filmes e seu nome já é marcado em Hollywood como sinônimo de célebre, mas há de se reverenciar a sua atuação nesta personagem distinta, pois ela mistura delicadeza e força de uma forma sutil e graciosa. Mesmo não sendo fã, é preciso admitir que Johansson está encantadora em Jojo Rabbit e é merecedora de tal reconhecimento pela Academia desta vez.

Sem se encaixar em nenhuma das categorias anteriores, não custa nada destacar que o envolvimento do diretor Taika Waititi, desempenhando o papel do Adolf Hitler criado pela mente de Jojo, é um dos pontos altos do filme e maior fonte de risos da platéia. A comicidade do personagem está no seu caráter infantil, justamente por fazer parte do imaginário de uma criança. Este aspecto foi muito bem trabalhado por Waititi, envolvendo humor negro no que diz respeito ao nazismo como uma cultura intolerante e discriminatória, mas de forma a soar que o enaltecer das práticas e princípios do ditador eram ideias tão aparvalhadas como pode ser a cabeça de uma criança de 10 anos que ainda não conhece muito da vida. O ator Sam Rockwell também transmite um conceito caricato do militarismo ao viver o Capitão Klenzendorf, que consegue ser hilário e curiosamente gerar uma empatia, assim como Jojo, no desenrolar do enredo.

Após ter estreado no 44.º Festival Internacional de Cinema de Toronto, o filme teve críticas diversas no exterior com relação a sua representação da ditadura, do nazismo e seus seguidores, entretanto, a obra, apesar de ter sua parcela de graça, é, ao mesmo tempo, bastante tocante e com um cunho comovente, pelo qual não tem como não se deixar abater. Jojo Rabbit é um filme diferente e feito para ser aclamado em tela grande.

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Luna Rocha
Designer de moda e redatora, interessada por arte e cultura pop em suas mais diversas áreas. Curte adaptações literárias para o cinema e, se fosse uma heroína, seria Vampira de X-Men.