Frozen 2 é um filme sobre origem, amadurecimento e super heroínas

A sequência cinematográfica de Frozen já tem sua data de estreia marcada para o dia 2 de janeiro aqui no Brasil, e dá continuidade nas histórias da princesa Anna e da rainha Elsa de Arendelle. No entanto, este segundo filme não se agarra às receitas de bolo de animações sobre princesas que a Disney costumava produzir.

Depois da rebeldia de Merida em Valente (2012), querendo fugir das obrigações da realeza, e da corajosa Moana (2016), que tinha como objetivo embarcar em uma aventura para salvar sua ilha, agora é a vez de Elsa e Anna demonstrarem que estão muito além de vestidos esvoaçantes e coroas brilhantes. No primeiro longa da franquia, Elsa já havia manifestado sua personalidade própria ao abdicar do trono para poder abraçar sua identidade mágica, decisão que ficou extremamente marcada com a canção Let it Go (Livre Estou, em tradução brasileira). Já no caso de Anna, seu perfil conversava muito mais com o modelo habitual das princesas, misturando a delicadeza e ingenuidade com um feitio desajeitado, para dar uma equilibrada e prover alívio cômico ao mesmo tempo.

Nesta nova obra, o principal destaque a ser observado é certamente o amadurecimento de ambas as personagens e como essa evolução acarreta no rompimento com o estereótipo de fragilidade feminina que a Disney tem buscado quebrar ultimamente. Frozen 2 é na verdade um filme sobre super heroínas em busca de respostas para entenderem a fonte da magia e restaurarem a paz do reino. E essa imagem já era de se esperar que viesse à tona, afinal, Elsa já se mostrava uma moça extremamente poderosa com seu dom especial de criar gelo, seu desenvolvimento no filme é coerente com o crescimento das responsabilidades que a personagem herdou na primeira animação.

O enredo se desenrola em torno da busca da rainha pela origem de seus poderes, ao passo em que começa a escutar uma voz a cantar, que ninguém mais consegue ouvir além dela. Como seria de se esperar, a trupe toda vai atrás da loira para ajudá-la nessa quest. Durante a aventura, muitos pontos vão se encaixando sobre o passado das irmãs, inclusive uma das teorias que rolavam pela internet desde o lançamento do trailer. 

Além da reafirmação do empoderamento de Elsa, agora é a vez de Anna demonstrar sua garra e determinação em querer fazer com que os acontecimentos andem para frente, desassociando a ruiva de suas características imprudentes e de suas escolhas infantis, para introduzir uma jovem destemida que luta por seus ideais, mesmo não tendo uma magia em que se apoiar nos momentos difíceis. O filme lida não apenas com a importância da ligação fraterna entre as duas protagonistas, colocando esse sentimento acima de outras relações com coadjuvantes, como também com o sutil desligamento familiar entre elas, que surge com o desdobramento da vida adulta e os caminhos particulares que cada uma decide trilhar.

Falando a respeito de termos mais técnicos, Frozen 2 impressiona na animação, há cenários da história que são tão realistas que geram até mesmo uma estranheza, pois os personagens não têm o mesmo nível de textura fidedigna com a vida real, mas esse fator não se torna um incômodo no longa, e sim um motivo de admiração pelos ambientes criados. Com relação à trilha sonora, que, por ser um musical, é inteiramente original, é notável que a sequência não atinge o status de chiclete que a saga obteve com o primeiro filme.

Nenhuma das canções é realmente marcante, são todas bonitas e bem executadas, mas ao sair do cinema, você já terá esquecido qualquer estrofe que ouviu. Os personagens de apoio seguem dentro do mesmo padrão de comicidade, e há algumas licenças artísticas, em determinados momentos de cantoria, que fazem com que o filme pareça ainda mais com um musical encenado, fazendo referências a espetáculos teatrais e a momentos específicos do seu precursor. Quanto aos novos personagens, eles são essenciais para as descobertas das irmãs de Arendelle, mas não há grandes surpresas em suas participações.

Vale lembrar que há uma cena pós-crédito, se tiver paciência de esperar para rir mais um pouquinho. Entretanto, ela não dá indícios de uma possível continuação, e pela totalidade do roteiro, é suposto que Frozen 2 já seja o encerramento da franquia, que finaliza a história bem na medida: com drama, aventura e diversão em harmonia.

Luna Rocha on FacebookLuna Rocha on Instagram
Luna Rocha
Designer de moda e redatora, interessada por arte e cultura pop em suas mais diversas áreas. Curte adaptações literárias para o cinema e, se fosse uma heroína, seria Vampira de X-Men.