Dylan Dog investiga o sobrenatural com humor negro em nova série

Capa do volume 1 A Despedida da edição brasileira de Dylan Dog nova série publicada pela Mythos

Um detetive particular dedicado a resolver os casos mais bizarros que já cruzaram as ruas de Londres com um pouco – ok, às vezes muito – humor negro. Assim são as aventuras de Dylan Dog, personagem italiano publicado no Brasil pela Mythos Editora, cuja nova série começou a sair aqui em dezembro de 2018.

Mesmo que seja uma continuação da série antiga, também publicada pela Mythos, A Despedida, primeiro volume da Nova Série é um ótimo ponto de partida para novos leitores. Publicada na Itália a partir de 2014, essa nova abordagem insere o personagem em um aspecto contemporâneo, mais fácil de se identificar. Graças à presença de elementos modernos, como telefones celulares, e referências à cultura pop contemporânea, por exemplo.

E a história que puxa essa repaginação em Dylan Dog é tudo que um bom fã de histórias sobrenaturais precisa. Dog recebe em seu escritório Nora Cuthbert, uma bela moça que pede a ele que investigue seu assassinato. Não uma tentativa, mas o ato consumado. Algo que Dylan só acredita ao ver o pescoço da moça parcialmente aberto após ela retirar a gargantilha.

O mais estranho, entretanto, é que ela não é a única. À medida em que a história avança, vemos acidentes e assassinatos com uma única coisa em comum: ninguém morre. Mesmo com vísceras expostas e toda a sorte de ferimentos fatais, as pessoas seguem vivas. Para desespero de Gus Bleach, bandido de destaque no submundo das funerárias. Para completar, Dylan não poderá contar com a ajuda de seu velho amigo, o Inspetor Bloch, que acaba de se aposentar.

Traço e texto italianos

Ao ler Dylan Dog, logo se percebe um jeito diferente de contar histórias em quadrinhos para quem está acostumado a ler HQs norte-americanas. Para quem ainda não tem o hábito, o roteiro de Paola Barbato lembra e muito seriados policiais dos anos 1980 – quando o personagem foi criado – com uma introdução dramática antes do título, como se fossem aquelas primeiras cenas antes da abertura.

Na arte, em preto e branco, Bruno Brindisi mostra pessoas, cenários e situações com riqueza de detalhes e ao mesmo tmpo sutilleza, como vemos no nosso cotidiano. Quem já é leitor logo percebe isso também nas figura humanas, afinal ainda que esteja em forma, Dylan Dog não é excessivamente sarado. O mesmo com as personagens feminias, que mesmo com nuances de sensualidade nãotrazem os corpos exagerados normalmente vistos nos gibis do novo continente.

Recheada de elementos sobrenaturais, humor negro e boas reviravoltas, A Despedida se conclui em neste mesmo volume em um final mais do que inusitado, principalmente quem nunca leu nada do personagem. Em suma, a história é um convite irrecusável para se entrar no universo bizarro dos casos investigados por Dylan Dog, o Detetive do Pesadelo.

Ficha Técnica:
Título: Dylan Dog – A Despedida (Nova Série – Volume 1)
Editora: Mythos
Autores: Paola Barbato (roteiro), Bruno Brindisi (arte)
Lombada: quadrada
Capa: cartonada
Páginas: 116
Formato: 21 x 16,8 cm
Lançamento: dezembro/2018

Carlos Bazela
Jornalista e leitor compulsivo, gosta de cerveja, café e chá preto não necessariamente nessa ordem. Fã de boas histórias, principalmente daquelas contadas por meio de desenhos e balões.