“Dois Irmãos” explora relações familiares e nos afirma que a magia continua poderosa no universo da Pixar

A Pixar é uma empresa de animação digital consagrada, com 19 Oscars da Academia, oito Globos de Ouro e 11 Grammy Awards. Seu último trabalho premiado foi Toy Story 4, mas ela não lançava uma animação original desde 2017. Seu último foi o maravilhoso e comovente Viva – A Vida é Uma Festa e não é de hoje que a empresa foca em relações familiares e no passado. Em 2020 ela retorna com um tema sobre relações familiares distintas e resiliência com Dois Irmãos – Uma Jornada Fantástica e como conhecemos a essência, já separem os lencinhos.

Ambientada na cidade de New Mushroomton, que é visualmente inspirada em Los Angeles, nos Estados Unidos. Entre casas no formato de cogumelos e duas luas no céu, há rodovias com carros normais e edifícios gigantescos. A cidade já viveu a magia, mas foi dominada pela vida fácil vulgo a tecnologia e todos foram completamente aliados com os produtos eletrônicos, fadas que viraram punks dependentes das motos, o tempos de glória dos unicórnios chegaram ao fim e no filme é comum os vendo comendo lixo, encontramos trolls, centauros, sereias e gnomos, todos alienados na tecnologia, mas tudo com o toque Pixar.

A história é focada nos irmãos Lightfoot, ambos com personalidades completamente distintas, Barley (Chris Pratt) é o mais velho, destemido, independente, aventureiro e adora uma confusão, já Ian (Tom Holland), está descobrindo a sua adolescência, é tímido e medroso, mas as características tão diferentes é o que completa os irmãos e a narrativa. Ian está completando seus 16 anos e sua mãe os entrega um presente deixado pelo pai: um cajado mágico capaz de trazê-lo de volta por 24 horas. A pedra que fornece a energia do cajado, entretanto, é sobrecarregada e vira pó. O pior é que apenas as pernas do pai conseguiram voltar para o mundo dos vivos. Os irmãos têm 24 horas para conseguir uma nova pedra, completar a ressurreição temporária do pai e, quem sabe, bater um papo com ele. Assim, somos levados a uma jornada de aventuras.

Dois Irmãos, não se passa em um mundo de fantasia comum, é bem moderno e contemporâneo, o diretor Dan Scanlon conseguiu o equilíbrio perfeito entre nosso mundo real e a fantasia, também existe a representatividade que é algo novo na Pixar e até na Disney, tem personagens que podermos encaixar em nosso cotidiano. Uma das mensagens do filme é para não sermos dependente da tecnologia, confie em você e em seu potencial, o mundo é muito mágico pra gente se acomodar e aceitar tão pouco.  

Os personagens secundários tem o seu propósito na trama, a mãe dos irmãos Lightfoot, Laurel (Julia Louis-Dreyfus), é forte, podemos ver que ela segurou muito a barra por criar dois filhos sozinha, ela é o coração da família, mas nunca esqueceu do pai dos meninos. Ela namora o policial Bronco (Mel Rodriguez), no começo ele não é empático e podemos sentir um certo desconforto com o personagem, mas aos poucos ele vai se encaixando. O alivio cômico e uma grande participação está encarregado pela Manticora (Octavia Spencer), uma guerreira aposentada que tem muito humor e um arco muito bem explorado.

Para quem é fã de RPG vai se identificar com a temática de Barley de seguir a aventura, a jornada dos irmãos é guiada por cartas de RPG. Pois os itens das cartas de fato aconteceram no mundo do filme. Por isso que os irmãos de complementam tanto, Barley tem o conhecimento do jogo e Ian é o único que pode controlar magia.

Como toda animação da Pixar, ela sempre quer nos ensinar e nos mostrar algo que não estamos dando valor, aqui não é diferente, ela pode ser bem básica em relações a outros filmes do estúdio, mas não de forma nenhuma ela é inferior e tem seu grande valor. Ela explora relações familiares e fala sobre dar valor àqueles que estão aqui por nós. Podermos sentir o toque pessoal de Scanlon, e podemos levar para o nosso pessoal, cada um tem uma vivência diferente, é impossível não se identificar com a história, será impossível sair do cinema sem os olhos marejados de lágrimas e não abraçar um ente querido após a sessão. As despedidas são necessárias e todas as pessoas que passaram pela sua trajetória são de grande valor.

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Nath Sorrini
Produtora audiovisual e redatora. Potterhead da casa Lufa-Lufa, apaixonada por cinema e música, troca balada por uma boa maratona de séries. Se fosse uma personagem, seria a Amestista de Steven Universo.