Creed: Nascido para Lutar| Crítica do filme

Creed tinha tudo para dar errado. Spin off é algo que quase nunca dá certo no cinema. Principalmente quando é derivado de uma saga consagrada, como Rocky, e quando é estrelada por um protagonista desconhecido que acabou de sair de um fracasso gigantesco (Michael B. Jordan, o Tocha-Humana de O Quarteto Fantástico). Para piorar, o diretor Ryan Coogler é praticamente um estreante, com apenas um filme (o ótimo Fruitvale Station, também com Jordan no papel principal) no currículo. Mas, assim como a história de vida do personagem imortalizado por Sylvester Stallone, o filme ignora todas essas adversidades e triunfa de maneira brilhante, derrubando todas as expectativas negativas num nocaute avassalador.

Não seria injusto chamar Creed de um reboot de Rocky. Afinal de contas, o filme é bastante parecido com o original. Bebe da mesma fonte, tem uma trama parecida, mas sem soar como saudosista. Ao contrário, ela atualiza a história de maneira perfeita, se escorando em Balboa em alguns momentos, mas caminhando com as próprias pernas durante boa parte do filme.

Em Creed, Adonis Johnson é um garoto órfão, briguento que vive passando em reformatórios até ser encontrado por Mary Anne Creed (Phylicia Rashad), viúva de Apollo. Ela revela ao garoto que ele é fruto de um caso extraconjugal do Doutrinador e resolve adotá-lo. Criado em uma mansão, com uma ótima educação e um emprego promissor, ele não se encaixa no novo mundo e larga tudo para se dedicar ao boxe. Para seguir em frente na carreira de pugilista, ele se muda para a Filadélfia para convencer Rocky Balboa, seu ídolo, que tirou o título do seu pai, para treiná-lo.

Cansado e levando sua vida tranquila no seu restaurante, Balboa a princípio não se comove em treinar o jovem Creed, mas aos poucos vai cedendo para se tornar seu grande mentor (qualquer semelhança com Micky não é mera coincidência, até a clássica perseguição às galinhas é lembrada nos treinamentos…). E quando eles se juntam o filme deslancha. O roteiro muito bem feito que Coogler escreveu com Aaron Covington é praticamente impecável. Jordan, que repete a parceria com o diretor, está ótimo no papel e Stallone que é um espetáculo a parte.

Claro que quando falamos que a atuação de Stallone é grandiosa não queremos compará-lo com um Marlon Brando, Robert De Niro, Al Pacino, Paul Newman, ou qualquer outro gigante da história do cinema. O que queremos dizer é que ao contrário da sua longa carreira marcada por atuações pífias, ele entrega novamente uma atuação convincente que justifica a conquista do seu único Globo de Ouro (anunciado no dia 10 de janeiro) e a sua recente indicação para o Oscar 2016 como Melhor Ator Coadjuvante. Balboa continua sendo o melhor.

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Fabio Martins
Santista de nascimento, flamenguista de coração e paulistano por opção. Fã de cinema, música, HQ, games e cultura pop.