Canal Brasil estreia documentário sobre pornochanchada

A pornochanchada foi um dos momentos mais marcantes da indúistria cinematográfica brasileira, que fez muito sucesso nos anos 70. Para celebrar este período, o Canal Brasil estreia hoje (dia 7) o documentário “Histórias Que Nosso Cinema (Não) Contava (2018)”, que propõe uma leitura sobre o surgimento deste movimento.

As pornochanchadas fizeram muito sucesso durante os anos mais duros da ditadura militar, entre as décadas de 1960 e 1980. Foi a maneira que o mercado cinematográfico encontrou, como forma de manifestação artística, um gênero de grande identidade nacional, capaz de atrair milhões de pessoas às salas de projeção com comédias de forte cunho sexual. Muitos anos após o fim das pornochanchadas, a diretora Fernanda Pessoa busca discutir não apenas os detalhes das produções da época, mas também mostrar o legado dessas obras e a influência no cenário atual.

Utilizando imagens da época, um texto introdutório que lembra muito o saudoso “Documento Especial”, da extinda TV Manchete, a diretora aposta na montagem de dezenas de filmes exibidos na década de 1970 para mostrar um retrato do Brasil na época, quando o machismo e a objetificação da mulher imperavam.

As cenas de filmes como “A Super Femea”, “As Aventuras Amorosas de um Padeiro”, “Amadas e Violentadas”, “Vítimas do Prazer”, “Noite em Chamas”, “Amante Muito Louca”, “Terror e Êxtase”, “O Porão das Condenadas”, “Gente Fina é Outra Coisa”, “Cada Um Dá O Que Tem”, “Corpo Devasso”, “E Agora José? Tortura do Sexo”, “O Enterro da Cafetina”, “Histórias Que Nossas Babás Não Contavam”, “Palácio de Vênus”, Elas São do Baralho”, “Eu Transo… Ela Transa”, “O Bom Marido, “Árvore dos Sexos”, “Nos Embalos de Ipanema” e “Os Mansos” funcionam como o próprio fio condutor do roteiro para abordar temas como o medo do comunismo em plena Guerra Fria, o fetiche por moças sensuais, a suposta recuperação econômica que nunca alcançava as classes mais baixas, a industrialização do país e a fixação das autoridades por temas subversivos.

A montagem é bem interessante e o ritmo casa com a proposta da diretora de usar somente as imagens do filme para contar a história. Porém, faz falta entrevistar produtores, diretores e atores do período para situar o espectador e matar a curiosodade sobre o que eles fazem atualmente.

HISTÓRIAS QUE NOSSO CINEMA (NÃO) CONTAVA 
Horário: Terça, 7/04, à 1h10
Reapresentações: Sexta, 10/04, às 2h20 e segunda, 13/04, às 4h.
Classificação: 16 anos

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Fabio Martins
Santista de nascimento, flamenguista de coração e paulistano por opção. Fã de cinema, música, HQ, games e cultura pop.