As Viúvas | Crítica do filme

Embora não seja original, As Viúvas, novo trabalho do diretor Steve McQueen (12 Anos de Escravidão), bebe muito bem na fonte dos chamados “filmes de grande assalto”. Protagonizado por Viola Davis, o longa conta com um elenco de peso e um belo roteiro para contar a história de três mulheres que perderam seus maridos em um roubo mal sucedido.

Conhecido pelo filme vencedor da principal categoria do Oscar, McQueen se arrisca em um terreno onde não é nitidamente o seu e se dá muito bem. O diretor faz um thriller de primeira, exalta a força feminina do seu elenco e foge dos estereótipos comuns neste tipo de filme. Aqui não existem vilões e mocinhas. Todos tem seus defeitos, qualidades, virtudes, objetivos e força para lutar contra suas adversidades.

O filme começa com os casais Harry Rawlings (Liam Neeson) e Veronica (Viola Davis); Florek (Jon Bernthal) e Alice (Elizabeth Debicki) e Carlos (Manuel Garcia-Rulfo) e Linda (Michelle Rodriguez) despertando em suas respectivas casas para mais um dia de trabalho. Enquanto as mulheres seguem as rotinas “normais”, os homens se preparam para o fatídico assalto que custará suas vidas.

Além de lidar com a dor do luto, Veronica descobre que seu finado esposo roubou um traficante local, que está concorrendo ao cargo de vereador por Chicago contra um político tradicional da cidade. Colocada contra a parede, ela descobre os planos que seriam do próximo assalto do marido, se junta com as outras Viúvas e partem para a missão que lhes salvará da situação que se encontram.

As Viúvas seria um filme de assalto comum se não fosse a mão de McQueen, que deu esse tom cinzento nos personagens, colocando todos no mesmo patamar. Seja o traficante, o líder religioso, o político, a educadora, a babá, a garota de programa ou a comerciante. Todo mundo ali tem seus motivos, todos querem alguma coisa e ninguém é santo ou frágil.

Repleto de reviravoltas, ótimas cenas de ação, roteiro muito bem estruturado, direção segura e elenco afiado, As Viúvas é outro belo acerto de McQueen que o coloca no rol dos melhores diretores de sua geração.

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Fabio Martins
Santista de nascimento, flamenguista de coração e paulistano por opção. Fã de cinema, música, HQ, games e cultura pop.