Arquivo X: Série clássica pode voltar à TV

Arquivo X Mulder e ScullyUma das grandes séries dos anos 90 pode estar de volta. A FOX anunciou em coletiva de imprensa da Television Critics Association realizada no dia 17 o desejo de fazer um reboot de Arquivo X. A emissora, inclusive, adiantou que já teria conversado com o criador do seriado, Chris Carter, a respeito disso e ele, a princípio, teria topado a empreitada.

A grande dificuldade seria acertar o retorno dos protagonistas Gillian Anderson e David Duchovny, por causa dos compromissos dos atores com outros trabalhos. A atriz está atualmente na série Hannibal e o ator está prestes a estrear o seu novo seriado, Aquarius. Mas, se depender da vontade dos dois, isso não será empecilho.

Em entrevista ao podcast Nerdist, Gillian, mobilizou os fãs para que eles pedissem a volta da série. “Nunca achei que o último filme tenha sido um final apropriado. Seria interessante se os fãs dissessem se estão interessados na volta de Arquivo X”, disse ela, que ainda propôs um tuitaço com a hashtag #XFiles2015.

Já Duchovny disse que está feliz e empolgado em trazer Arquivo X de volta e fazê-lo novamente com Gillian e Chris [Carter], porém ele não sabe se participaria de todos os episódios, “Veremos a forma. Certamente eu não posso e nem estaria interessado em fazer uma temporada completa. Será algum tipo de minissérie. Estamos todos velhos, não temos a energia para uma temporada completa”, explicou.

Arquivo X
A série completou 20 anos de sua estreia em 2013 e foi um dos marcos da cultura pop dos anos 90. Para quem não se Arquivo X - logolembra (ou não assistiu na época) ela era focada em dois agentes do FBI, o crédulo Fox Mulder (Duchovny) e cética Dana Scully (Gillian) que formavam uma dupla que investigava os arquivos-x: codinome dado aos casos não solucionados que envolviam fenômenos paranormais e a possível interferência de seres de outros planetas. Aliado a paranormalidade, a série criada por Chris Carter tinha uma dose muito forte de teoria da conspiração, colocando em xeque o governo norte-americano e culpando-o por esconder esses assuntos custe o que custar.

Além da trama muito bem elaborada, personagens instigantes, roteiro caprichado e teorias que “nos faziam acreditar”, o maior acerto da série foi a escolha dos personagens centrais. Mulder e Scully se completavam. Formavam uma dupla perfeita, apesar de um ser completamente diferente do outro. O que de início parecia um castigo para ela, logo virou uma amizade sólida, uma parceria inquebrável, uma cumplicidade mútua, um amor platônico e um romance nos suspiros finais de Arquivo X.

A série foi apaixonante logo de início. Apesar de toda a resistência da Fox, Carter fez o piloto do jeito que gostaria, brigando com o alto escalão da emissora pela escolha de Duchovny e Anderson como os protagonistas e colocando tudo o que gostaria de ver no seriado logo de cara. O prêmio veio rápido. Arquivo X se tornou cultuada, elogiada pelos fãs e conquistando o coração dos nerds em uma época que a TV americana ainda era um sub produto.

Slogans como “The Truth Is Out There” (A verdade está lá fora), Trust No One (Não confie em ninguém), I Want to Believe (Eu quero acreditar), foram ótimas sacadas de Carter e que caíram rapidamente no gosto do grande público e se tornaram marcos da cultura pop dos anos 90. Além disso, a série tinha outra característica marcante: nomes curiosos para personagens coadjuvantes. Como não se apaixonar por uma série com personagens como Cavaleiros do Apocalipse, Canceroso, Garganta Profunda e o Homem das Unhas Bem Feitas?

Arquivo X teve quatro temporadas fantásticas. Com diversas reviravoltas, casos assombrosos e teorias conspiratórias para ninguém botar defeito. No final do quarto ano, aconteceu a maior (e a última) delas, com Mulder descobrindo uma simulação de autópsia em um alien, dando a impressão de que, na verdade, tudo aquilo era um jogo do governo norte-americano para iludir pessoas crédulas como ele e, com isso, conseguir mais verbas para esse tipo de “pesquisa” e investir, na verdade, na fabricação de armas químicas para lutar contra seus inimigos terrestres.

Arquivo X Robert PatrickSe seguisse nessa linha, Arquivo X teria um ótimo caminho pela frente e teria tudo para encerrar de maneira brilhante. Mas, infelizmente, os produtores voltaram atrás, e a série começou a se repetir. Duchovny já dava sinais de esgotamento e depois do 11.º episódio da oitava temporada ele saiu da série. Em seu lugar, chegou Robert Patrick (o robô T100 de O Exterminador do Futuro 2). Mas a falta de química com Anderson e o personagem sem carisma quase queimaram o filme da série que terminou no ano seguinte.

O tão aguardado final, com um episódio de duas horas de duração se revelou um fiasco. As tão aguardadas respostas não foram dadas e tudo ficou em aberto e sem pé nem cabeça. A verdade continuou lá fora e a única certeza que ficou é que Arquivo X tinha que ter terminado há muito mais tempo.

A série ganhou duas versões para o cinema: Arquivo X: O Filme (1998) e Arquivo X: Eu Quero Acreditar (2008).

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Fabio Martins
Santista de nascimento, flamenguista de coração e paulistano por opção. Fã de cinema, música, HQ, games e cultura pop.