A Morte Te Dá Parabéns retoma o hype durante a quarentena

A partir do momento em que as pessoas passaram a ter mais tempo em casa por conta da quarentena (tendo em vista a ameaça do vírus covid-19), filmes lançados há alguns anos começaram a ter mais notoriedade ao adentrarem as plataformas de streaming agora, como é o caso de A Morte Te Dá Parabéns, de 2017, que mal ingressou no catálogo da Netflix e já subiu ao ranking dos mais assistidos no Brasil.

A Morte Te Dá Parabéns é um longa que aposta em uma trama de ficção científica, contando a história de uma moça presa em um paradoxo temporal, que a faz reviver o dia de seu aniversário diversas vezes, sendo este também o dia de sua morte. Já imaginou ser assassinado constantemente? Então, esse é o plot principal do filme, prover agonia não só porque a personagem Tree (Jessica Rothe) não consegue dar continuidade na sua vida, mas também por não saber por quem e por qual motivo está sendo atormentada e morta.

Logo de início, você já começa a sentir o nervosismo da personagem e até mesmo a questionar as ações dela, quando começa a arriscar atos extremos e catastróficos ao perceber que vai poder voltar atrás de suas ideias no próximo loop. Porém, vai que no dia seguinte ela levante da cama de acordo com o calendário correto? Andando por esse ponto de vista, o filme é bem envolvente, porque você nunca sabe exatamente o que virá pela frente.

Tem duas perguntas que anseiam serem respondidas no decorrer do enredo: 1. Quem é o assassino? 2. Por que a garota está sendo obrigada a reviver o mesmo dia para sempre? Já vale avisar que apenas uma dessas questões será respondida, o que vem a ser um grande desapontamento ao passo em que os créditos começam a rolar e você percebe que a outra dúvida fica só na sua imaginação. 

Isso se dá porque, lá no fundo, A Morte Te Dá Parabéns é uma atração que quer passar uma mensagem de como devemos dar mais atenção à coisas pequenas da vida e valorizar quem nos quer bem, tratando melhor o próximo. A personagem principal é uma garota mesquinha e arrogante, que toma decisões questionáveis, e isso implica em como ocorre o desfecho de cada um de seus dias reprisados. Tendo essa possibilidade de reviver frequentemente, ela começa a perceber que precisa mudar suas atitudes, para que seu fim não seja trágico e para que também possa usufruir da vida com mais tranquilidade. No entanto, leva tempo para que a evolução da personalidade de Tree aconteça, pois seu principal objetivo não é olhar para si própria.

Ao ser encurralada repetidamente por uma pessoa mascarada, a protagonista começa a raciocinar em cima dessa situação, buscando revelar quem seria seu algoz, para, com isso, interromper o ciclo temporal em que está presa. Apesar de, por trás dessa trama, estar a lição de moral de que a moça precisa resolver suas tretas para seguir em frente, a resolução de seu homicídio como chave para a interrupção do evento paranormal que ela tem vivido, se torna uma saída um tanto clichê para o desenrolar do roteiro. Entretanto, você se surpreende quando o loop continua acontecendo mesmo após a jovem se livrar do assassino e, a partir disso, poderia ter se desenvolvido um plot twist muito legal, levando outro motivo a ser a quebra do paradoxo, mas você logo descobre que Tree apenas tinha decifrado o responsável errado por sua morte, o que retoma o fechamento já esperado para a história.

Analisando como uma obra criada para ser um suspense misturado com comédia, que não demonstra ter intenção de se tornar um clássico ou concorrer a prêmios, A Morte Te Dá Parabéns é um bom filme para se assistir como entretenimento. Ele não demanda muita atenção, pois as cenas e diálogos são diretos e se encarregam de entregar o recado sem precisar pesquisas posteriores para compreendê-lo. É um longa divertido, engraçado e com uma produção bem estruturada em questão técnica.

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Luna Rocha
Designer de moda e redatora, interessada por arte e cultura pop em suas mais diversas áreas. Curte adaptações literárias para o cinema e, se fosse uma heroína, seria Vampira de X-Men.