A 43.ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo resiste contra crise do audiovisual

A 43.ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo já tem data marcada. Ela vai rolar entre 17 e 30 de outubro, com exibição de 326 filmes em 27 locais diferentes, como cinemas, museus e espaços culturais, além de sessões ao ar livre. 

Durante a coletiva de imprensa do evento, ocorrida no último sábado, dia 5 de outubro, os participantes da mesa apontaram dificuldades que a Mostra tem desde a instalação da crise audiovisual no Brasil, que culminou na retirada de diversos patrocínios da área de cultura. Essa redução de investimento atinge tanto o lançamento de títulos brasileiros, quanto as produtoras encarregadas da criação e elaboração de obras cinematográficas, implicando então em cerca de 300 mil empregos relacionados ao ramo.

Ainda assim, a 43ª Mostra Internacional de Cinema segue firme com sua programação, com apoio da Prefeitura de São Paulo, Secretaria de Cultura, Spcine, entre outros, que tem se esforçado para levar a ideia em frente. “Fazer a Mostra ter visibilidade na cidade é uma maneira contundente da gente afirmar a importância da cultura, da nossa identidade, defender o audiovisual, levantar uma bandeira pela liberdade de expressão, contra a censura”, ressaltou Alê Youssef, Secretário Municipal de Cultura, durante o bate-papo da coletiva.

Segundo Laís Bodanzky, diretora-presidente da Spcine, a crise não diz respeito ao setor de audiovisual em si, que segue em funcionamento independente das dificuldades que surgiram a partir da suspensão de repasses de recursos públicos para o cinema nacional. “A Mostra tem 43 anos e ela vai ter muito mais, porque ela pertence à cidade”, salienta Bodanzky, “compreendendo que esse é um ano atípico no patrocínio, mas não na produção, não na qualidade, não no desejo das pessoas de assistirem o audiovisual brasileiro”, complementa.

Vai ser a primeira vez que a Mostra de Cinema apresentará títulos no Teatro Municipal da cidade de São Paulo, além do festival também ser levado para 12 cidades no interior do Estado, como evidenciou Danilo Santos de Miranda, diretor regional do Sesc. “No país todo estamos com dificuldade de atuar com responsabilidade no campo da cultura, o problema não é só financeiro, é muito mais de conceitos, de propostas”, declara Miranda, “o mais importante disso tudo é a resistência cultural estar sempre presente”.

Esse ano, a 43.ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo cede espaço de destaque para o cinema nacional. Ainda que os longas que serão exibidos na abertura e encerramento do evento sejam internacionais, por trás deles estão um produtor e um diretor brasileiros, que obtiveram destaque fora do Brasil com os filmes Wasp Network (Rodrigo Teixeira) e Dois Papas (Fernando Meirelles), respectivamente.

As programação definitiva do festival estará disponível a partir de 13 de outubro no site oficial da Mostra, mas algumas datas já foram divulgadas com antecedência, então vale guardar espaço na agenda! Confira abaixo:

  • 16/10 quarta-feira,  – Abertura da 43ª Mostra: Wasp Network (de Oliver Assayas), sessão para convidados
  • 24/10 quinta-feira, às 19h30 – Sessão gratuita no Vão Livre do MASP: O Mágico de Oz (de Victor Fleming)
  • 25/10 sexta-feira, às 19h30 – Sessão gratuita no Vão Livre do MASP: Slam: A Voz do Levante (de Tatiana Lohman e Roberta D’Alva
  • 26/10 sábado, às 19h30 – Sessão gratuita no Vão Livre do MASP: Todas as Canções de Amor (de Joana Marinani)
  • 27/10 domingo, às 19h30 – Sessão gratuita no Vão Livre do MASP: Curtas de George Méliès
  • 30/10 quarta-feira – Encerramento da 43ª Mostra: Dois Papas (de Fernando Meirelles)
  • 02/11 sábado – Sessão gratuita na parte externa do Auditório Ibirapuera: O Gabinete do Dr. Galigari (de Robert Wiene) com a Orquestra Jazz Sinfônica Brasil
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Luna Rocha
Designer de moda e redatora, interessada por arte e cultura pop em suas mais diversas áreas. Curte adaptações literárias para o cinema e, se fosse uma heroína, seria Vampira de X-Men.