1917 é uma experiência cinematográfica única e inesquecível

Não é nenhum exagero afirmar que “1917” é uma espécie de “O Resgate do Soldado Ryan” com uma pequena diferença: enquanto a obra de Steven Spielberg focava sua história na Segunda Guerra Mundial, a de Sam Mendes se passa na Primeira Grande Guerra que, munda gente não sabe, foi muito mais violenta e cruel do que a que veio a seguir.

Ambos os filmes se destacam pela exímia qualidade técnica. Enquanto Spielberg priorizou uma câmera em ritmo alucinante, como se fosse um documentário, com cenas de batalhas impressionantes como a da Normandia, Sam Mendes filma longos planos sequencia e os edita de maneira brilhante para dar a impressão de que os 119 minutos do longa não têm nenhum corte.

O trabalho técnico de 1917 é impecável. A direção de Sam Mendes, a fotografia de Roger Deakins e a montagem de Dennis Gassner conseguem transformar um enredo simples em uma experiência cinematográfica incrível, única e inesquecível. Uma aula de cinema que deve e precisar ser apreciada em uma sala com ótima qualidade de som e imagem.

Em 1917, acompanhamos dois soldados britânicos, Schofield (George MacKay) e Blake (Dean Charles Chapman), que precisam atravessar sozinhos as linhas inimigas para entregar uma mensagem urgente para outra divisão do exército inglês. O motivo da urgência é cancelar o ataque às forças alemãs, que prepararam uma emboscada para matar mais de mil soldados ingleses, inclusive o irmão de um dos dois protagonistas, o tenente Blake (Richard Madden).

Ao invés de grandes cenas de batalhas e tiros para todos os lados, Mendes prioriza mostrar o horror da guerra em seus pequenos detalhes, mostrando todo o lado desolador do que soldados são obrigados a conviver durante o período de batalha. Ao usar o plano-sequencia, ele transforma a câmera em um personagem e consegue fazer uma imersão do espectador dentro daquele cenário. Uma cena em particular merece um destaque neste quesito: a que Schofield e Blake passam por um túnel construído pelo exército alemão atrás de uma trincheira. Impossível não sentir que está vivenciando aquele momento. É realmente impressionante.

Inspirado nas histórias de guerra contadas pelo seu avô, o diretor foi muito feliz ao escolher o período em que se passa a história de 1917. Justamente no terço final do combate, quando os militares já estão esgotados emocionalmente e fisicamente. Onde os mantimentos, munições, equipamentos e vestimentas já são escassas. São pequenos detalhes que ajudam a mostrar como a guerra destrói a mente de quem teve que passar por isso.

1917 é sem sombra de dúvidas o grande favorito ao Oscar de Melhor Filme e Melhor Diretor. Em um ano em que tivemos ótimos concorrentes, o filme de Sam Mendes merece ser o vencedor da principal premiação do cinema mundial.

FICHA TÉCNICA

1917 (1917) – EUA, Reino Unido, 2019
Direção: 
Sam Mendes
Roteiro: Sam Mendes, Krysty Wilson-Cairns
Elenco: George MacKay, Dean-Charles Chapman, Mark Strong, Andrew Scott, Richard Madden, Claire Duburcq, Colin Firth, Benedict Cumberbatch, Daniel Mays, Adrian Scarborough
Duração: 119 min.

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Fabio Martins
Santista de nascimento, flamenguista de coração e paulistano por opção. Fã de cinema, música, HQ, games e cultura pop.